A inflação oficial do Brasil apresentou alta de 0,07% em julho de 2026, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o indicador acumula avanço de 4,44% no período de 12 meses. O índice ficou acima das projeções do mercado, que apontavam alta mensal de 0,03% e acumulado de 4,40% em 12 meses.
Inflação é pressionada pelo grupo Habitação
Entre os grupos pesquisados pelo IBGE, Habitação registrou a maior alta em julho, com avanço de 0,99%. O segmento também apresentou o principal impacto sobre o resultado geral do IPCA, contribuindo com 0,15 ponto percentual para o índice do mês.
O resultado representa uma aceleração em relação a junho, quando Habitação havia apresentado variação de 0,63%. O movimento foi influenciado principalmente pelo aumento das tarifas de energia elétrica residencial.
Energia elétrica tem maior impacto individual
A energia elétrica residencial passou de uma alta de 1,53% em junho para 3,09% em julho. O item sozinho representou impacto de 0,13 ponto percentual sobre o IPCA.
O IBGE informou que o resultado incorporou reajustes aplicados por concessionárias de diferentes capitais. Em São Paulo, houve reajuste de 8,85% em uma das concessionárias, com vigência a partir de 4 de julho. Em Porto Alegre, o aumento de 14,89% passou a valer em 19 de junho, enquanto Curitiba registrou reajuste de 19,55%, vigente desde 24 de junho.
Também permaneceu em julho a bandeira tarifária amarela. Nesse sistema, há cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos.
Água, esgoto e gás encanado
Ainda dentro do grupo Habitação, a taxa de água e esgoto teve alta de 0,40%. O resultado incorporou reajustes aplicados em diferentes localidades.
Em Salvador, a tarifa aumentou 3,57% a partir de 20 de julho. Porto Alegre teve reajuste de 5,77% desde 1º de julho. Já Brasília registrou aumento de 3,97%, enquanto Rio Branco teve reajuste de 6%, ambos com vigência desde 1º de junho.
Em sentido contrário, o gás encanado apresentou queda de 0,04%. A redução foi influenciada pela diminuição média de 2% nas tarifas do Rio de Janeiro, em vigor desde junho.
Alimentação ajuda a conter a inflação
O grupo Alimentação e bebidas apresentou queda de 0,67% em julho e contribuiu negativamente para o resultado do IPCA, com impacto de -0,14 ponto percentual.
A principal influência veio da alimentação no domicílio, que recuou 1,14%. Entre os produtos que tiveram as maiores reduções estão o tomate, com queda de 29,09%, a batata-inglesa, que caiu 19,59%, a cenoura, com retração de 14,41%, e o café moído, que apresentou redução de 2,45%.
O tomate foi o item que mais contribuiu individualmente para a redução do índice, com impacto negativo de 0,10 ponto percentual.
Por outro lado, alguns alimentos ficaram mais caros. O leite longa vida teve alta de 2,47%, enquanto os preços das frutas avançaram 1,20%.
Alimentação fora de casa acelera
Enquanto os preços dos alimentos consumidos dentro de casa recuaram, a alimentação fora do domicílio registrou aceleração.
A variação passou de 0,15% em junho para 0,55% em julho. O lanche teve aumento de 0,76%, ante 0,13% no mês anterior. Já a refeição passou de uma alta de 0,15% para 0,42% no mesmo período.
Saúde e cuidados pessoais registram alta
O grupo Saúde e cuidados pessoais apresentou alta de 0,40% em julho. Entre os destaques estiveram os artigos de higiene pessoal, que subiram 0,64%.
O perfume teve aumento de 1,04% e ficou entre os itens que contribuíram para a elevação do grupo. Os planos de saúde também registraram alta, de 0,42%, refletindo os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Para os contratos de planos de saúde firmados após a Lei nº 9.656/98, o reajuste autorizado chega a 5,11%, com aplicação a partir de maio de 2026 e ciclo válido até abril de 2027.
Nos contratos anteriores à legislação, foram autorizados percentuais de 5,52% e 6,20%, dependendo das características de cada plano.
Transportes têm variação próxima da estabilidade
O grupo Transportes registrou alta de 0,05% em julho. O resultado foi influenciado por movimentos opostos entre passagens aéreas e combustíveis.
As passagens aéreas ficaram 11,67% mais caras no período. Já os combustíveis apresentaram queda de 1,44%, com redução em todos os itens pesquisados.
O etanol recuou 2,26%, enquanto a gasolina caiu 1,37%. O óleo diesel apresentou redução de 1,22%, e o gás veicular teve queda de 0,08%.
Demais grupos apresentam resultados variados
Os outros grupos que compõem o IPCA registraram comportamentos distintos ao longo de julho. As variações ficaram entre uma queda de 0,66% no grupo Vestuário e uma alta de 0,40% em Saúde e cuidados pessoais.
O comportamento dos diferentes segmentos mostra que o resultado geral do mês foi formado pela combinação de aumentos e reduções em diversos produtos e serviços acompanhados pelo IBGE.
A variação mensal de 0,07% também demonstra que os movimentos de preços foram relativamente distintos entre os grupos pesquisados, com Habitação exercendo pressão de alta e Alimentação e bebidas ajudando a reduzir o índice.
Inflação varia entre as regiões pesquisadas
Os resultados regionais também apresentaram diferenças significativas em julho. Rio Branco registrou a maior alta entre os locais pesquisados, com avanço de 0,32%. Na capital acreana, o resultado foi influenciado principalmente pelo aumento de 12,27% nas passagens aéreas e pela alta de 2,66% na energia elétrica residencial.
Na outra ponta, Belém apresentou a menor variação do mês, com queda de 0,45%. O resultado foi influenciado pela redução de 3,42% no preço da gasolina e pela queda de 14,24% no valor do açaí.

