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Leia: Inadimplência do agro bate recorde e chega a R$ 48 bilhões
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5 de novembro de 2026 18:42

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OpiniãoMT > Blog > Agronegócio > Inadimplência do agro bate recorde e chega a R$ 48 bilhões
Agronegócio

Inadimplência do agro bate recorde e chega a R$ 48 bilhões

Inadimplência do agro chega a R$ 48 bilhões em junho, com alta expressiva em cinco anos e aumento das retomadas de propriedades rurais.

Redação OPMT
Publicado em: 15 de setembro de 2026
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5 Minutos de Leitura
Inadimplência do agro bate recorde e chega a R$ 48 bilhões
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A inadimplência do agro brasileiro alcançou R$ 48 bilhões em junho, segundo levantamento realizado pelo UOL com base em informações do sistema de crédito do Banco Central (BC). O valor representa uma alta de aproximadamente 2.300% em cinco anos, quando o estoque de operações em atraso somava cerca de R$ 2 bilhões. No mesmo intervalo, o percentual de crédito inadimplente passou de 0,54% para 5,63%.

Produtores de alta renda concentram maior volume de atrasos

Os produtores rurais classificados como de alta renda concentram a maior parcela dos valores em atraso. Esse segmento responde por aproximadamente R$ 29 bilhões do total registrado em junho.

A evolução da inadimplência do agro entre esses produtores chama atenção pelo ritmo de crescimento. Em cinco anos, o volume de operações em atraso nesse grupo aumentou mais de 7.000%, transformando os grandes produtores em um dos principais pontos de atenção no cenário atual do crédito rural.

Além dos valores efetivamente classificados como inadimplentes, o Banco Central contabiliza mais de R$ 72 bilhões em operações consideradas problemáticas. Nessa categoria estão contratos que apresentam elevado risco de não pagamento, indicando uma exposição financeira ainda maior no setor.

Estados concentram grande parte da inadimplência do agro

A distribuição regional dos débitos também mostra uma concentração significativa. Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Minas Gerais reúnem, juntos, cerca de metade de todo o saldo considerado inadimplente.

Os quatro estados possuem forte participação na produção agropecuária brasileira e concentram importantes atividades relacionadas a grãos, pecuária e outras cadeias do agronegócio. O aumento dos atrasos nessas regiões contribui diretamente para a elevação do volume total registrado pelo sistema financeiro.

Bancos retomam propriedades usadas como garantia

O crescimento da inadimplência do agro também começa a produzir efeitos sobre as garantias oferecidas pelos produtores para obter financiamento.

Em 2026, o Banco do Brasil iniciou o processo de retomada definitiva de mais de 130 imóveis rurais. Segundo a instituição, a prioridade continua sendo buscar alternativas de negociação e renegociação das dívidas antes de recorrer à execução das garantias.

Alienação fiduciária ganha espaço nos financiamentos

Outra mudança observada no mercado envolve a utilização da alienação fiduciária em contratos de crédito rural. Entre os grandes produtores que contrataram financiamentos pelo Banco do Brasil, essa modalidade representava apenas 3% dos contratos na safra 2024/25.

Na safra seguinte, a participação chegou a 63%.

O mecanismo oferece ao credor uma forma de consolidar extrajudicialmente a propriedade do imóvel utilizado como garantia quando ocorre o descumprimento das obrigações financeiras. Dessa maneira, o procedimento pode ocorrer sem a necessidade de uma ação judicial para a retomada do bem.

Santander utiliza Fiagros para imóveis retomados

O movimento também alcançou outras instituições financeiras. O Santander passou a estruturar parte das propriedades rurais recuperadas em fundos de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais, conhecidos como Fiagros.

Um dos fundos estruturados pelo banco possui aproximadamente R$ 97 milhões em imóveis rurais e tem a própria instituição financeira como único cotista.

Banco do Brasil, Bradesco e Santander, no entanto, não divulgaram o número de hectares que atualmente fazem parte de suas carteiras em decorrência de propriedades retomadas em operações de crédito.

Mercado de máquinas agrícolas registra queda

Os efeitos da deterioração financeira também aparecem no mercado de equipamentos utilizados no campo. As vendas de colheitadeiras acumulam retração de 85% desde 2022.

No segmento de tratores, a redução registrada no mesmo período chega a 42%. A menor capacidade de investimento dos produtores ocorre em um momento de aumento das dificuldades relacionadas ao pagamento de financiamentos e outras obrigações.

A redução na aquisição de máquinas representa outro reflexo da situação financeira enfrentada por parte do setor agropecuário, especialmente entre produtores que dependem de crédito para renovar ou ampliar sua estrutura de produção.

Governo cria alternativas para renegociação das dívidas

Diante do avanço da inadimplência do agro, o governo implementou mecanismos destinados à renegociação de débitos do setor. As novas linhas buscam oferecer alternativas para produtores que enfrentam dificuldades para manter os pagamentos em dia.

O Banco do Brasil estima que até R$ 100 bilhões de sua carteira relacionada ao agronegócio possam se enquadrar nas novas possibilidades de renegociação.

A expectativa é de que parte desses contratos seja reorganizada por meio das medidas disponibilizadas, reduzindo a necessidade de execução de garantias e permitindo que produtores tenham acesso a novas condições para regularizar seus compromissos financeiros.

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