*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Os bastidores da Câmara Municipal de Cuiabá ferveram . Um importante encontro, realizado na noite da última segunda-feira, 1º de junho, reuniu 14 parlamentares da capital para debater o futuro da eleição da Mesa Diretora.
A articulação principal girou em torno da união dos grupos liderados pela atual presidente da Casa, Paula Calil (PL), que defende a a reeleição, e pelo vereador Dilemário Alencar (União), que também colocou o nome dele na disputa pela presidência.
O bloco formado pelos 14 parlamentares garante, em tese, a maioria necessária dentro do parlamento cuiabano, que conta com 27 vereadores no total.
A presidente Paula Calil explicou que o objetivo central da reunião foi mapear os posicionamentos de cada parlamentar e costurar uma composição que unificasse o grupo com as alas ligadas a Dilemário Alencar e à vereadora Baixinha Giraldelli. Ficou pré-definido que o futuro presidente da Câmara sairá, obrigatoriamente, de dentro deste bloco de 14 assinaturas.
“[A reunião] foi para que cada um desse o seu posicionamento quanto à eleição da Mesa Diretora e uma possível composição junto com o grupo do vereador Dilemário com a vereadora Baixinha de que o presidente estaria entre os 14 vereadores que estavam participando dessa reunião. Houve esse consenso, para que não houvesse vetos ao nome do vereador Dilemário, nem vetos ao nome da vereadora Paula. Ainda estamos conversando, foi a primeira reunião que nós fizemos dos dois grupos, com o possível entendimento que o presidente esteja entre os 14 que estavam ali”, detalhou Paula Calil.
Apesar do tom de união, a disputa interna pela cabeça de chapa continua acirrada. O vereador Dilemário Alencar fez questão de afastar rumores de que teria recuado das intenções e garantiu que a postulação ao cargo majoritário do Legislativo municipal segue inalterada.
“O que ficou também muito claro nessa reunião é que eu mantenho a minha candidatura a presidente da Câmara Municipal e vamos continuar firme, conversando com os nossos colegas até dia 5 de novembro, se a Câmara entender que essa eleição deva ser dia 5. Minha candidatura continua firme e forte, o restante é boato”, disparou Dilemário.
MUDANÇA NA DATA PARA EVITAR O “EFEITO VÁRZEA GRANDE”
O principal consenso prático da reunião foi a decisão de adiar a data do pleito. Inicialmente prevista para o dia 25 de agosto, o grupo concordou em alterar o dia da votação da Mesa Diretora para 5 de novembro.
A estratégia de adiar a votação visa blindar a Câmara de Cuiabá contra possíveis judicializações judiciais. O temor do grupo se baseia no que ocorreu recentemente na Câmara Municipal de Várzea Grande, onde a eleição interna do dia 14 de maio acabou sendo suspensa após um vereador acionar diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF).
ENTRAVES REGIMENTAIS E RESISTÊNCIA
Apesar de somar a maioria simples da Casa com 14 parlamentares, o projeto de reeleição de Paula Calil esbarra em um grande entrave jurídico e político.
Pelas regras atuais vigentes em Cuiabá, a recondução imediata ao cargo de presidente é proibida. Para viabilizar a candidatura, Paula depende de uma mudança expressiva no Regimento Interno da Casa de Leis.
Para aprovar uma alteração regimental, são necessários os votos favoráveis de dois terços do parlamento, o que exige o apoio de pelo menos 18 vereadores. Como o grupo atual soma apenas 14 integrantes, a conta ainda não fecha.
O cenário se torna ainda mais complexo porque o bloco adversário, que apoia o nome do vereador Ilde Taques, mantém forte resistência.

