O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo federal avalia incluir estudantes inadimplentes do Fies em um novo programa de renegociação de dívidas em elaboração. A declaração foi feita durante evento oficial em Sorocaba (SP) e sinaliza uma possível ampliação das medidas já existentes para aliviar o endividamento de brasileiros.
Governo quer ampliar renegociação para incluir o Fies
Durante a inauguração de um campus do Instituto Federal de São Paulo, financiado com recursos do Novo PAC, o presidente destacou a preocupação com o aumento da inadimplência entre estudantes vinculados ao Fundo de Financiamento Estudantil.
Segundo ele, o crescimento das dívidas relacionadas ao programa tem exigido atenção do governo. A proposta em análise prevê a inclusão desses estudantes em um pacote mais amplo de renegociação, voltado a diferentes tipos de débitos.
O presidente mencionou que a medida busca preservar o acesso ao ensino superior, evitando que estudantes sejam penalizados por dificuldades financeiras após a conclusão dos cursos.
Dívida do Fies atinge níveis recordes
Dados recentes apontam que a dívida em atraso superior a 90 dias no Fies alcançou cerca de R$ 17,9 bilhões em 2025. O valor representa um aumento significativo em relação ao ano anterior e marca o maior nível desde a criação do programa.
Atualmente, existe uma iniciativa de renegociação aberta para contratos firmados a partir de 2018. Essa modalidade permite parcelamento em até 180 vezes, além da possibilidade de redução total de juros e multas.
Apesar das condições oferecidas, a renegociação vigente contempla apenas uma parcela dos estudantes, estimada em cerca de 160 mil pessoas. Contratos mais antigos não estão incluídos nas regras atuais, o que limita o alcance da medida.
A sinalização do governo indica a intenção de expandir esse benefício, integrando os devedores do Fies a um programa mais abrangente.
Novo programa contra endividamento está em fase final
O plano de renegociação de dívidas que está sendo estruturado pelo Ministério da Fazenda prevê descontos que podem chegar a 80% do valor total devido. A iniciativa deve abranger diferentes modalidades de crédito, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais.
Além disso, a proposta também considera incluir microempreendedores individuais (MEIs) e pequenas empresas, ampliando o alcance da política pública.
O projeto em discussão inclui mecanismos para reduzir o risco de reincidência no endividamento, embora detalhes específicos ainda não tenham sido divulgados. A intenção é oferecer soluções sustentáveis para a reorganização financeira dos beneficiários.
Endividamento das famílias impulsiona debate
O avanço das dívidas no país tem ganhado destaque no cenário nacional. Estimativas indicam que uma parcela significativa da população brasileira enfrenta algum tipo de inadimplência, o que tem impulsionado propostas de intervenção econômica.
Entre as alternativas debatidas, está o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitação de dívidas. A medida, caso implementada, poderia beneficiar milhões de trabalhadores com acesso a valores acumulados.

