Menos de um ano antes de sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), a floresta amazônica na região do Pará enfrenta um desafio ambiental alarmante: lidera o número de focos de incêndio no Brasil em 2024. Entre janeiro e dezembro, o estado contabilizou 57.551 focos, o que representa 20,1% do total registrado no país, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Floresta Amazônica ardendo em chamas
Além do alto número de focos de incêndio, o Pará viu 6,97 milhões de hectares de vegetação serem consumidos pelo fogo nos primeiros 11 meses de 2024, segundo o Monitor do Fogo, do MapBiomas. Este total equivale a 41% da área queimada na Amazônia no período, tornando o bioma ainda mais vulnerável às mudanças climáticas e à degradação ambiental.
A Amazônia registrou o maior número de focos de calor dos últimos 17 anos. De acordo com o Monitor do Fogo, entre janeiro e novembro de 2024, 29,7 milhões de hectares foram queimados no Brasil, quase o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
No comparativo entre biomas, a Amazônia liderou com 50,6% de todos os focos do país, seguida pelo Cerrado (29,6%), Mata Atlântica (7,7%), Caatinga (6,5%), Pantanal (5,3%) e Pampa (0,3%).
Outros estados da região, como Mato Grosso e Tocantins, também enfrentaram grandes áreas devastadas, com 6,8 milhões e 2,7 milhões de hectares queimados, respectivamente. Juntos, os três estados somam mais da metade de toda a área queimada no Brasil em 2024.
A crise ambiental no Pará teve reflexos diretos na qualidade de vida das comunidades locais. Em novembro, Santarém declarou situação de emergência ambiental devido à piora significativa da qualidade do ar. Na mesma época, a comunidade ribeirinha de Igarapé do Costa relatou a morte de milhares de peixes, comprometendo a subsistência de pescadores e trazendo à tona os impactos das queimadas na biodiversidade.
Medidas contra os focos de incêndio
A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do Pará anunciou esforços para conter os focos de incêndio e combater os danos ambientais. Entre as ações, destaca-se o reforço no número de bombeiros atuando no combate às queimadas, com a adição de 40 novos profissionais, totalizando 120 em cinco frentes de trabalho.
Além disso, o estado solicitou apoio do governo federal e integra o Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional Nacional, que reúne órgãos como IBAMA, ICMBio, FUNAI e Ministério do Meio Ambiente para alinhar estratégias de combate ao fogo.
Mesmo com essas medidas, a Semas ressalta que a maior inflamabilidade da floresta neste período contribui para o aumento dos focos de calor, mesmo em um ano marcado pela redução histórica do desmatamento no estado, que caiu 28,4% em 2024.