A proposta que trata do Fim da Escala 6×1 deu um passo importante na Câmara dos Deputados após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovar sua admissibilidade nesta quarta-feira (22). Com a decisão, o texto segue para a próxima etapa de tramitação, que será a análise por uma comissão especial a ser instalada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Fim da escala 6×1 passa pela CCJ e segue para nova fase
A análise realizada pela CCJ não abordou o conteúdo da proposta, mas apenas sua constitucionalidade e os critérios formais exigidos. O parecer foi apresentado pelo deputado Paulo Azi (União-BA), que já havia sinalizado posição favorável anteriormente, durante a fase em que houve pedido de vista.
Com a admissibilidade confirmada, a proposta avança no processo legislativo e abre espaço para debates mais aprofundados sobre as mudanças previstas nas regras trabalhistas.
Propostas em discussão sobre jornada de trabalho
Atualmente, a tramitação reúne duas iniciativas distintas que tratam da reorganização da jornada de trabalho e do modelo de escala.
Redução gradual da carga horária
Uma das propostas, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), sugere a diminuição da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas. A mudança seria implementada de forma progressiva ao longo de um período de dez anos, permitindo adaptação gradual do mercado.
Novo modelo de escala 4×3
Outra iniciativa, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), propõe uma alteração mais imediata. O texto defende a adoção da escala 4×3, em que o trabalhador atuaria por quatro dias e teria três dias de descanso, mantendo a remuneração.
Impactos econômicos entram no centro do debate
Mesmo sem entrar no mérito da proposta nesta fase, o relator destacou pontos que devem dominar as discussões futuras. Entre eles, está a necessidade de equilíbrio entre as mudanças trabalhistas e os impactos sobre a economia.
Durante a apresentação do parecer, foi ressaltada a importância de um debate técnico, evitando distorções. Também foi mencionada a necessidade de planejamento para garantir uma transição segura entre os modelos atuais e os novos formatos propostos.
Principais pontos levantados
Entre os temas centrais que devem ser debatidos nas próximas etapas estão:
- Redução da jornada semanal de trabalho;
- Implementação gradual das mudanças;
- Discussão sobre o fim da escala 6×1;
- Manutenção dos salários como base da proposta.
Possíveis ajustes na comissão especial
Embora a CCJ não tenha alterado o texto, o relatório apresentado já indicou diretrizes que podem influenciar a próxima fase de tramitação.
Flexibilização das regras na Constituição
Uma das sinalizações é evitar que as normas sobre jornada e escalas sejam totalmente engessadas na Constituição. A proposta é permitir maior espaço para negociação coletiva entre empresas e trabalhadores.
Transição planejada
Outro ponto levantado é a necessidade de estabelecer regras claras para a implementação das mudanças, evitando impactos bruscos no mercado de trabalho.
Avaliação de medidas compensatórias
Também foi mencionada a possibilidade de adoção de mecanismos econômicos para reduzir eventuais custos para o setor produtivo, como políticas de desoneração.
Diferenças entre setores
O relator indicou ainda que os efeitos da redução da jornada podem variar conforme o setor econômico, sendo necessária uma análise específica para cada segmento.

