*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O anúncio de cortes de gastos e ajustes fiscais promovidos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva logo após o encerramento do processo eleitoral voltou a inflamar o debate político nacional. A medida, interpretada por críticos como uma quebra de expectativas em relação ao discurso de campanha, colocou em evidência a fratura entre o compromisso social firmado nas urnas e a prática da gestão econômica.
O tema ganhou centralidade nas redes sociais e nas análises de conjuntura após um pronunciamento contundente do cientista político, analista e professor doutor em filosofia Haroldo Arruda. Arruda utilizou o pensamento clássico para destrinchar o que classifica como uma dinâmica recorrente na condução do poder no Brasil.
Para o especialista, o cenário econômico que se desenha com o bloqueio de verbas e o redesenho de despesas públicas pós-eleição ilustra os alertas deixados pelo pensador renascentista Nicolau Maquiavel há mais de cinco séculos.
Segundo Arruda, o filósofo florentino já advertia que, para conquistar e conservar o controle do Estado, um governante não precisa ser efetivamente virtuoso, bondoso ou honesto, mas sim dominar a arte de parecer tudo isso perante o eleitorado.
“O governante promete aquilo que o povo deseja ouvir. O Lula vem fazendo isso há anos. Promete prosperidade, promete acabar com a fome, promete acabar com a pobreza, promete justiça, comida na mesa, emprego e dignidade. Mas depois de conquistar o poder, as promessas simplesmente podem desaparecer, como estão desaparecendo agora”, pontua o analista na reflexão.
Para o cientista político, a palavra oficial deixa de possuir o peso de um compromisso institucional para se converter em mero “instrumento de conquista” eleitoral, transformando medidas impopulares de ajuste em surpresas para a população logo após o término da disputa nas urnas.
O cerne da crítica reside na transformação das diretrizes de campanha em peças de propaganda descoladas da prática de governo. Enquanto os palanques prometiam a expansão de investimentos sociais e a garantia de direitos sem ônus à população de menor renda, o calendário político pós-eleitoral impôs a realidade de restrições orçamentárias e cortes de despesas.
O professor Haroldo Arruda encerra a reflexão com um questionamento direto aos cidadãos sobre o papel daqueles que governam.
“Quando um governante precisa parecer bom em vez de realmente governar bem, estamos diante de um líder ou de um especialista em enganar o povo? Lembre-se: a virtude de um governante não está na beleza das suas promessas, mas na verdade das suas ações”.
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