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Leia: Endividamento das famílias bate recorde e atinge 82% em julho
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21 de outubro de 2026 20:38

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OpiniãoMT > Blog > Governo Lula > Endividamento das famílias bate recorde e atinge 82% em julho
Governo Lula

Endividamento das famílias bate recorde e atinge 82% em julho

Endividamento das famílias alcança 82% em julho, maior índice desde 2010. Pesquisa da CNC mostra queda da inadimplência e maior pressão sobre a renda.

Redação OPMT
Publicado em: 6 de agosto de 2026
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5 Minutos de Leitura
Endividamento das famílias bate recorde e atinge 82% em julho
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A parcela de brasileiros com dívidas voltou a crescer e levou o endividamento das famílias ao maior nível já registrado no país desde o início da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em 2010. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (6), revela que 82% dos lares possuem algum tipo de compromisso financeiro, enquanto a inadimplência apresentou leve recuo e o peso das dívidas sobre a renda continuou aumentando.

Endividamento das famílias alcança maior patamar da série histórica

Os dados da CNC mostram que o indicador avançou para 82% em julho, crescimento de 0,4 ponto percentual em relação aos 81,6% registrados em junho. Na comparação anual, o aumento também é expressivo, já que em julho de 2025 o percentual era de 78,5%.

O levantamento considera famílias que possuem dívidas parceladas ou financiamentos ainda em aberto, incluindo cartão de crédito, cheque especial, crédito consignado, empréstimos pessoais, carnês de lojas, além de financiamentos de veículos e imóveis.

Apesar do avanço do número de famílias endividadas, houve uma pequena redução entre aquelas que afirmam enfrentar uma situação financeira mais grave. O percentual de entrevistados que se classificam como muito endividados caiu de 17,2% para 17,1%. Ao mesmo tempo, aumentou a participação dos consumidores que consideram possuir baixo nível de endividamento, passando de 34,2% para 35%.

Inadimplência apresenta leve queda

Embora mais famílias tenham assumido dívidas, o levantamento aponta uma discreta melhora nos indicadores de inadimplência. O percentual de consumidores com contas em atraso passou de 29,9% em junho para 29,8% em julho. Também houve redução no tempo médio de atraso dos pagamentos, que ficou em 64,6 dias, o menor registrado desde dezembro de 2025.

Outro dado positivo identificado pela pesquisa foi a diminuição da parcela de famílias com débitos vencidos há mais de 90 dias, que recuou para 48,5%.

Redução da Selic pode favorecer renegociações

Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o atual movimento de redução da taxa básica de juros pode contribuir para melhorar o ambiente de crédito nos próximos meses.

De acordo com ele, a queda da Selic tende a reduzir o custo das novas operações financeiras e também facilitar processos de renegociação para consumidores que enfrentam dificuldades para reorganizar suas finanças.

Comprometimento da renda continua aumentando

Mesmo com a leve melhora nos indicadores de inadimplência, a pesquisa mostra que o orçamento das famílias segue pressionado. O percentual de consumidores que utilizam mais da metade da renda mensal para pagar dívidas subiu para 19%, atingindo o maior nível observado desde março deste ano.

Além disso, considerando apenas as famílias que possuem dívidas, o comprometimento médio da renda alcançou 29,5%, indicando que quase um terço dos ganhos mensais é destinado ao pagamento de financiamentos, empréstimos e demais obrigações financeiras.

Esse cenário demonstra que, embora parte dos consumidores esteja conseguindo manter os pagamentos em dia, o esforço financeiro necessário para honrar esses compromissos permanece elevado.

Endividamento das famílias é mais elevado entre os brasileiros de menor renda

A pesquisa evidencia diferenças importantes quando os dados são analisados por faixa de renda. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, 84,9% possuem algum tipo de dívida. Nesse grupo também está a maior taxa de inadimplência, com 38,5% das famílias registrando contas em atraso.

Outro dado que chama atenção é que 17,8% dessas famílias afirmaram não possuir condições financeiras para quitar seus débitos, evidenciando maior vulnerabilidade econômica entre os consumidores de menor renda.

Famílias de maior renda enfrentam cenário menos crítico

Nas faixas salariais superiores, os indicadores são mais favoráveis. Entre os lares com renda acima de dez salários mínimos, 72% possuem dívidas, percentual inferior ao observado entre as famílias de menor renda. Nesse grupo, apenas 15,1% relataram contas em atraso e 5,2% afirmaram não ter capacidade de quitar os débitos existentes.

Os números demonstram que o impacto das obrigações financeiras varia conforme o poder de compra, sendo mais intenso entre aqueles que possuem menor renda disponível.

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