*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Mais um feminicídio foi registrado no estado, desta vez, no município de Cáceres, região Sul de Mato Grosso, na última segunda-feira, dia 28 de setembro. A empresária Noeli Simsen, de 50 anos, foi morta a tiros dentro de um hotel. O principal suspeito do crime é o ex-marido da vítima, um policial militar aposentado identificado como Ricardo de Souza Pessoa, de 62 anos.
O casal estava separado há aproximadamente cinco meses. Noeli havia retornado recentemente da França com um objetivo: vender o estabelecimento comercial, mas acabou tendo a vida interrompida.
De acordo com as informações apuradas pela Polícia Civil, a ação criminosa ocorreu nas dependências do Hotel Real. Testemunhas e funcionários relataram às autoridades que presenciaram a chegada de Ricardo ao local.
O ex-policial dirigiu-se até a janela do quarto onde Noeli estava e efetuou quatro disparos de arma de fogo contra a ex-esposa. Após cometer os disparos, o atirador fugiu rapidamente.
Imediatamente acionada, a Polícia Militar montou um cerco na região, mas antes que a captura fosse realizada pelas equipes de rua, o próprio suspeito se apresentou na Delegacia de Polícia de Cáceres, entregando a arma utilizada no homicídio. Ele foi autuado e preso em flagrante pelo crime de feminicídio.

O Corpo de Bombeiros foi chamado para prestar socorro à vítima, mas, ao chegarem ao quarto, os socorristas apenas puderam constatar a morte de Noeli Simsen devido à gravidade dos ferimentos.
AMEAÇA DE BOMBA E MOBILIZAÇÃO DO BOPE
Além da violência do assassinato, o caso ganhou contornos de tensão devido a ameaças prévias feitas pelo agressor. Durante os atendimentos no local, uma funcionária do hotel mostrou aos policiais uma das últimas mensagens de texto enviadas por Ricardo à vítima.
Na mensagem, o suspeito fazia uma ameaça relacionada ao automóvel de Noeli, sugerindo que ela tomasse cuidado ao ligar o veículo, pois poderia haver um artefato explosivo instalado.
“Cuidado com o carro, pode ter uma bomba lá, já que você fala que eu sou tão mau assim”, dizia o texto.
Por precaução, a área onde o automóvel da empresária estava estacionado foi imediatamente isolada pelas forças de segurança. O Esquadrão de Bombas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foi acionado para realizar varreduras e inspeções técnicas no veículo. Após a checagem minuciosa, os policiais confirmaram que não havia explosivos no carro.
A Polícia Civil segue conduzindo as investigações para aprofundar os inquéritos, detalhar a dinâmica do feminicídio e formalizar todas as acusações contra o ex-policial aposentado.

