O dólar encerrou a semana em queda diante do real, enquanto a Bolsa de Valores brasileira alcançou um novo recorde histórico de fechamento. O movimento ocorreu em meio à repercussão das pesquisas eleitorais que apontam o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo segundo turno. As expectativas dos investidores sobre os rumos da economia brasileira a partir de 2027 também influenciaram o comportamento dos ativos financeiros.
Dólar registra maior queda semanal após primeiro turno desde 1994
A moeda norte-americana fechou o pregão da sexta-feira, dia 9, cotada a R$ 4,985, depois de apresentar desvalorização de 0,79% na sessão. Durante as negociações, o dólar oscilou entre a máxima de R$ 5,009 e a mínima de R$ 4,976.
O desempenho da semana chamou a atenção do mercado financeiro. Desde o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no domingo, dia 4, a cotação passou de aproximadamente R$ 5,21 para menos de R$ 5,00.
No acumulado semanal, o recuo chegou a 4,43%. Segundo os dados apresentados no levantamento original, foi a maior desvalorização semanal da moeda dos Estados Unidos após um primeiro turno eleitoral desde a implantação do real, em 1994.
Desempenho do dólar em outubro e no acumulado do ano
A queda da moeda também aparece nos indicadores de períodos mais longos. Em outubro, até o encerramento do pregão mencionado, o dólar acumulava desvalorização de 3,67%. Desde o início do ano, a redução chegava a 9,19%.
A trajetória da cotação é acompanhada de perto por investidores, empresas importadoras, exportadores e agentes econômicos, uma vez que as oscilações cambiais podem afetar os custos de produtos comercializados internacionalmente, as despesas com insumos importados e as receitas de negócios que operam com moedas estrangeiras.
O comportamento do câmbio também pode refletir mudanças nas expectativas sobre a política econômica, a situação fiscal do país e as perspectivas para os próximos anos.
Ibovespa supera 209 mil pontos e estabelece novo recorde
Enquanto o dólar recuava, o mercado acionário brasileiro registrava uma sessão positiva. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), avançou 1,38% na sexta-feira e terminou o pregão aos 209.066,90 pontos.
O resultado representou o maior nível de fechamento já registrado pelo indicador até aquele momento. Durante as negociações, o índice chegou a 209.713,45 pontos, estabelecendo também uma nova máxima intradiária. Na mínima da sessão, o Ibovespa marcou 206.237,55 pontos.
O desempenho da bolsa ocorreu em um ambiente de atenção às pesquisas eleitorais e às possíveis mudanças na condução da política econômica brasileira. As perspectivas para os próximos anos influenciam as decisões de investidores que avaliam o potencial de valorização das empresas negociadas no mercado nacional.
Expectativas econômicas influenciam as negociações
A combinação de queda do dólar e valorização das ações refletiu as expectativas de parte dos agentes financeiros em relação ao cenário político e econômico após a eleição presidencial.
Embora os movimentos dos ativos também possam responder a fatores externos, juros internacionais e condições de liquidez, as projeções para a política fiscal e para a condução da economia doméstica ganharam destaque nas análises relacionadas ao período eleitoral.
Pesquisas eleitorais colocam Flávio Bolsonaro à frente de Lula
Os levantamentos de intenção de voto divulgados durante a semana estiveram entre os fatores observados pelos investidores. As pesquisas citadas no levantamento original indicavam vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula na disputa pelo segundo turno, previsto para o dia 25.
De acordo com os números do Datafolha divulgados na quinta-feira, dia 8, Flávio Bolsonaro aparecia com 52% das intenções de voto válidas, contra 48% do atual presidente.
Na sexta-feira, uma pesquisa da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg apresentou um resultado semelhante: o senador registrava 52,8% dos votos válidos, enquanto Lula alcançava 47,2%.
Os percentuais consideram os votos válidos, ou seja, excluem os votos brancos e nulos. Os resultados correspondem aos levantamentos mencionados na matéria original e representam as intenções de voto registradas naquele momento, não o resultado definitivo da eleição.
Resultado do primeiro turno
Na primeira etapa da disputa presidencial, realizada no domingo, dia 4, Flávio Bolsonaro recebeu 56,1 milhões de votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula obteve 53,9 milhões de votos, correspondentes a 45,16%.
A diferença entre os dois candidatos e os resultados das pesquisas posteriores passaram a integrar as avaliações sobre o cenário político para o segundo turno.
Mercado projeta mudanças na política fiscal a partir de 2027
Além das pesquisas eleitorais, os investidores acompanham as possíveis consequências econômicas de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Parte das expectativas do mercado está relacionada à possibilidade de mudanças na administração das contas públicas a partir de janeiro de 2027.
Entre os pontos observados estão a redução das despesas governamentais, o controle do crescimento da dívida pública e a adoção de medidas para melhorar a relação entre o endividamento do país e o Produto Interno Bruto (PIB).
A política fiscal é considerada um componente importante das avaliações de risco econômico, pois influencia as expectativas para a inflação, os juros e a capacidade de financiamento do governo.
Reformas administrativas e previdenciárias estão entre as expectativas
Outra frente acompanhada pelos agentes financeiros envolve a possibilidade de novas reformas estruturais. Entre as medidas citadas nas projeções estão mudanças administrativas e uma nova etapa de alterações no sistema previdenciário.
Essas iniciativas são observadas pelo mercado por seus possíveis efeitos sobre as despesas públicas, a produtividade da economia e a sustentabilidade das contas governamentais. A implementação de mudanças dessa natureza, contudo, dependeria das decisões do eventual governo e das condições políticas para sua aprovação.
Os investidores também avaliam como uma eventual alteração na orientação econômica poderia afetar os investimentos privados, a confiança empresarial e as perspectivas de crescimento do país.
Queda do dólar e juros: quais são as expectativas para 2027?
A possibilidade de redução da taxa básica de juros, a Selic, também aparece entre as projeções do mercado financeiro. Um eventual alívio das pressões inflacionárias poderia abrir espaço para mudanças na política monetária, desde que as condições econômicas permitissem essa decisão.
A definição dos juros, entretanto, cabe ao Banco Central, que considera indicadores como inflação corrente e esperada, atividade econômica e riscos para a estabilidade dos preços. Portanto, uma redução da Selic não é automática e depende da evolução desses fatores.
A cotação do dólar também poderá responder às decisões econômicas do próximo governo, à percepção de risco fiscal e ao cenário internacional. Alterações nas expectativas dos investidores podem provocar movimentos no câmbio e na bolsa, mas não garantem uma trajetória específica para os ativos financeiros.

