A advogada e influenciadora Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21) durante uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação, batizada de Operação Vérnix, apura movimentações financeiras consideradas suspeitas e aponta que recursos da facção criminosa teriam circulado por contas ligadas à influenciadora.
Segundo os investigadores, o esquema envolvia o uso de empresas e contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas para dificultar o rastreamento da origem ilícita do dinheiro. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões vinculados à influenciadora.
Deolane é apontada como peça importante no esquema
De acordo com a investigação, a influenciadora teria atuado como uma espécie de intermediadora financeira dentro do esquema investigado pelas autoridades paulistas. O delegado Edmar Caparroz, responsável pelas investigações em Presidente Venceslau, afirmou que a notoriedade pública e a estrutura financeira construída por Deolane ao longo dos últimos anos teriam facilitado a movimentação dos valores.
Os investigadores afirmam que o dinheiro oriundo do crime organizado era depositado em contas relacionadas à influenciadora e posteriormente misturado com recursos de outras atividades. Em seguida, os valores retornariam ao grupo criminoso com aparência de legalidade, estratégia comum em operações de ocultação patrimonial.
A operação também identificou o envolvimento de uma transportadora localizada em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Conforme a polícia, a empresa seria utilizada para movimentar recursos considerados ilícitos e teria ligação direta com integrantes da facção criminosa.
Investigação começou após apreensão em presídio
As apurações tiveram início a partir da análise de bilhetes e manuscritos encontrados em 2019 dentro de uma unidade prisional em Presidente Venceslau. Durante a investigação, os agentes localizaram referências a uma mulher ligada à transportadora investigada.
Mais tarde, em 2021, uma nova operação policial resultou na apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador do esquema financeiro. Conforme a polícia, o conteúdo do aparelho revelou registros de movimentações bancárias, imagens de depósitos e supostas conexões financeiras envolvendo a influenciadora.
Ainda segundo os investigadores, o cruzamento de dados bancários e fiscais permitiu ampliar a linha de investigação, identificando outras movimentações consideradas incompatíveis com atividades profissionais declaradas.
Movimentações financeiras chamaram atenção da polícia
A investigação detalha que entre 2018 e 2021 foram realizados diversos depósitos fracionados em contas ligadas a Deolane. Os valores, segundo a polícia, eram inferiores a R$ 10 mil cada, prática conhecida no mercado financeiro como “smurfing”, utilizada para evitar alertas automáticos de órgãos de controle.
Somente em depósitos realizados diretamente na conta pessoal da influenciadora, a polícia afirma ter identificado mais de R$ 1 milhão movimentados de forma fracionada. As autoridades apontam Everton de Souza, conhecido como “Player”, como responsável pela intermediação financeira dos repasses.
Além disso, quase 50 depósitos teriam sido feitos para empresas vinculadas à influenciadora, totalizando cerca de R$ 716 mil. A origem desses valores também passou a ser alvo de questionamentos após a identificação de uma empresa financeira ligada a um homem residente na Bahia, cuja renda declarada seria incompatível com as operações investigadas.
Os investigadores afirmam ainda que não encontraram registros de prestação de serviços advocatícios ou contratos comerciais que justificassem parte das movimentações financeiras identificadas ao longo das apurações.
Outros alvos da Operação Vérnix
A operação também teve mandados direcionados a outros nomes ligados ao PCC. Entre eles está Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção criminosa e que já se encontra preso.
Além dele, também foram alvos Everton de Souza, apontado como operador financeiro da organização criminosa, e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, localizada em Madri, na Espanha.
Deolane foi presa em sua residência localizada em Alphaville, em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. Informações divulgadas pela investigação apontam que ela retornou recentemente da Itália, onde esteve nas últimas semanas. O nome da influenciadora chegou a constar em mecanismos internacionais de monitoramento antes de sua volta ao Brasil.
Defesa afirma que ainda analisa o caso
A defesa de Deolane Bezerra informou que ainda está tomando conhecimento completo do processo e das acusações apresentadas pelas autoridades. Advogados de outros investigados também afirmaram que irão analisar os detalhes da operação antes de se pronunciar oficialmente. Até o momento, as investigações continuam em andamento e novas diligências não estão descartadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.

