*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Corregedoria Geral da Polícia Civil de Mato Grosso abriu investigação para apurar a conduta do delegado Pablo Carneiro, da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, após ele dar voz de prisão a um médico residente durante uma consulta no Hospital HBento. O caso, ocorrido na última quarta-feira, dia 19 de novembro, gerou uma acusação formal de “violência institucional” por parte do Conselho Regional de Medicina (CRM-MT).
Segundo o CRM-MT e testemunhas, além da prisão do médico, o delegado teria ameaçado outros membros da equipe médica da unidade de saúde.
Em nota oficial, a Polícia Civil de Mato Grosso confirmou os procedimentos adotados e informou a abertura de uma investigação interna:
A Polícia Civil informa que o profissional foi encaminhado até a delegacia para esclarecimentos. Depois de ouvido o médico foi liberado, bem como testemunhas foram arroladas e serão ouvidas nos próximos dias pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá. A Corregedoria Geral da Polícia Civil esclarece que os fatos serão apurados.
A investigação da Corregedoria focará na denúncia de “violência institucional” e nas alegações de ameaça a outros membros da equipe médica, enquanto a Delegacia de Estelionato segue apurando a conduta profissional do médico Gilmar Silvestre de Lima.
A investigação será conduzida pela própria delegacia à qual Pablo Carneiro pertence.
PRISÃO EFETUADA DURANTE CONSULTA
O incidente começou quando o delegado Pablo Carneiro compareceu ao Hospital HBento para uma consulta agendada, mas foi atendido pelo médico Gilmar Silvestre de Lima, cuja especialidade seria diferente da esperada.
O delegado relatou que o médico, formado na Bolívia com revalidação pela UnB e cursando residência, teria se apresentado e preenchido formulários como se fosse anestesista, mas sem o devido registro de especialidade no Conselho.
“Ele fazia toda a anamnese, realizava exames e assinava a ficha tanto no campo de responsabilidades quanto no campo destinado ao anestesista. Só que não carimbava. Quando consultei o site do Conselho de Medicina, vi que ele não tem especialidade registrada e fui informado de que ainda está cursando a residência. Ele não poderia se apresentar, em nenhum momento, como anestesista de fato”, justificou o delegado Pablo Carneiro.
O médico foi levado à delegacia para esclarecimentos e liberado em seguida. O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá.
CRM DENUNCIA SUPOSTO ABUSO
O presidente do CRM-MT, Diogo Leite Sampaio, reagiu duramente ao episódio, classificando a ação do delegado como um “episódio de abuso de autoridade” e uma “violação grave dos direitos e prerrogativas do profissional”.
O Conselho defendeu que médicos residentes atuam sob supervisão e podem realizar atendimentos. O presidente afirmou que o médico foi vítima de violência e acusou o delegado de se valer de sua posição:
“Não há, da parte do médico, nenhuma ilegalidade, nada que justifique a postura adotada pelo paciente, que apenas e tão somente se valeu do fato de ser delegado para criar toda esta situação, abusar de sua autoridade e violar os direitos e prerrogativas que assistem o médico.”
O CRM-MT informou que buscará o governador Mauro Mendes (União) e a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP) para que sejam tomadas providências, reforçando que a conduta do delegado configurou “violência institucional”.

