O governo federal voltou a analisar a possível revogação da taxa das blusinhas, imposto de 20% aplicado sobre compras internacionais de até US$ 50. O tema ganhou força recentemente, especialmente diante do cenário eleitoral de 2026, além da pressão popular e de avaliações internas sobre o impacto fiscal da medida.
Taxa das blusinhas pode ter impacto limitado no orçamento
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que a retirada da cobrança não representaria um impacto significativo nas contas públicas. Segundo ela, a arrecadação proveniente da taxa alcançou cerca de R$ 2 bilhões no ano anterior, valor considerado relativamente baixo dentro do orçamento federal.
Apesar da sinalização de abertura para discutir o tema, Tebet destacou que ainda não houve debate formal dentro do governo, nem na Junta de Execução Orçamentária. Dessa forma, qualquer avanço sobre o assunto deve ocorrer no âmbito do Congresso Nacional, onde a proposta poderá ser analisada com maior profundidade.
Pressão popular e cenário político influenciam debate
Rejeição da população à medida
A revisão da taxa das blusinhas ocorre em meio a uma forte rejeição popular. Levantamento recente indica que a maioria dos brasileiros considera a cobrança um equívoco, enquanto uma parcela menor avalia a medida de forma positiva.
Esse cenário tem impulsionado discussões dentro do governo, especialmente entre integrantes da ala política, que acompanham de perto os índices de popularidade do Executivo. A preocupação com a percepção pública tem sido apontada como um dos fatores que motivam a reavaliação da política tributária sobre importações.
Possibilidade de medida provisória
Entre as alternativas em análise, está a possibilidade de edição de uma medida provisória para suspender a cobrança. No entanto, até o momento, não há confirmação de que o Ministério da Fazenda esteja diretamente envolvido nas tratativas.
Setor têxtil demonstra preocupação com possível mudança
Entidades representativas da indústria e do varejo têxtil manifestaram preocupação diante da possibilidade de extinção da taxa. Organizações do setor avaliam que a medida poderia representar um retrocesso, ao reabrir espaço para concorrência considerada desleal com produtos importados.
Segundo essas associações, a tributação foi criada para corrigir distorções históricas, garantindo maior equilíbrio competitivo para a produção nacional. A retirada do imposto, na visão do setor, poderia impactar negativamente empresas brasileiras que disputam mercado com produtos estrangeiros de menor custo.
Além disso, representantes defendem que o debate deveria priorizar a redução dos custos estruturais da produção no Brasil, em vez de focar apenas na diminuição de impostos sobre importações.
Arrecadação cresceu, mas cenário fiscal é considerado estável
Dados recentes apontam que a arrecadação com a taxa das blusinhas apresentou crescimento significativo, passando de cerca de R$ 2,88 bilhões em 2024 para aproximadamente R$ 5 bilhões em 2025. Mesmo com esse aumento, integrantes do governo avaliam que o atual cenário fiscal permite absorver uma eventual perda de receita.
A análise considera que as condições econômicas atuais são mais favoráveis do que no momento em que a taxação foi implementada, o que abre espaço para discutir mudanças na política tributária.

