Os Correios registraram prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões nos primeiros seis meses de 2026, segundo informações divulgadas pela estatal neste sábado, 29. O resultado representa uma piora de 30,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a empresa havia contabilizado perdas de R$ 4,26 bilhões.
Apesar do cenário financeiro negativo, os números do segundo trimestre indicam uma redução das perdas em relação aos três primeiros meses do ano. A empresa mantém um processo de reestruturação que envolve redução de despesas, revisão de contratos, mudanças operacionais e medidas para ampliar as receitas.
Correios ampliam prejuízo no primeiro semestre
Entre janeiro e junho de 2026, o resultado negativo dos Correios chegou a R$ 5,55 bilhões. O valor supera em aproximadamente R$ 1,29 bilhão o prejuízo registrado no primeiro semestre de 2025.
No segundo trimestre, a estatal apresentou perda líquida de R$ 2,39 bilhões. Embora o montante ainda seja elevado, houve melhora de 24,4% em relação ao prejuízo de R$ 3,16 bilhões registrado entre janeiro e março.
Outro indicador que apresentou avanço foi a receita líquida. Na comparação entre o primeiro e o segundo trimestre, o faturamento passou de R$ 3,86 bilhões para R$ 4,01 bilhões, uma elevação de 3,8%.
Empresa mantém plano de reestruturação
Diante da deterioração das contas, os Correios vêm colocando em prática um conjunto de ações voltadas à recuperação financeira. O plano prevê redução de custos, revisão de contratos, reorganização das atividades e busca por novas fontes de receita.
Entre as iniciativas está o fechamento de aproximadamente mil pontos, incluindo agências e unidades destinadas ao tratamento de cargas. A estatal também implementou programas de demissão voluntária.
A primeira etapa do programa provocou a saída de cerca de 6,5 mil trabalhadores. A medida faz parte da estratégia de redução das despesas operacionais da empresa.
Correios recorrem a crédito para reforçar o caixa
Além dos cortes e das mudanças internas, os Correios também têm utilizado operações de crédito para melhorar a situação financeira. No final de 2025, a estatal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União.
Segundo a empresa, os recursos foram utilizados para regularizar compromissos de curto prazo e proporcionar maior capacidade financeira para manter as operações. Ao final de junho de 2026, o caixa dos Correios estava em R$ 4,9 bilhões.
A estatal também trabalha na contratação de uma nova operação de crédito no valor de R$ 7 bilhões, igualmente com garantia do governo federal. Conforme as informações divulgadas, o processo está em estágio avançado.
Empresa negocia recursos adicionais
Outra frente de financiamento envolve uma negociação de R$ 2,9 bilhões com o Novo Banco de Desenvolvimento, instituição financeira ligada ao grupo conhecido como Banco do Brics.
Além disso, a programação orçamentária federal para 2027 deverá contemplar um aporte de R$ 6 bilhões destinado aos Correios. A medida ainda depende da tramitação e aprovação das peças orçamentárias correspondentes.
Mesmo com a melhora observada entre o primeiro e o segundo trimestre, a empresa reconhece que os resultados obtidos até agora não foram suficientes para solucionar os problemas de caixa.
Em comunicado, os Correios classificaram o desempenho acumulado no semestre como desafiador e destacaram a necessidade de manter as ações previstas no processo de reestruturação.
Lula rejeita possibilidade de privatização dos Correios
A divulgação dos resultados ocorreu poucos dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que não pretende privatizar os Correios.
Durante uma sabatina realizada pela TV Globo na quinta-feira, 27, Lula afirmou que a empresa precisa passar por mudanças para enfrentar as transformações ocorridas no setor de entregas. Segundo o presidente, o surgimento de novas empresas no segmento modificou o mercado em que a estatal atua.
Lula também defendeu a redução de despesas como parte da estratégia para enfrentar as dificuldades financeiras. Na ocasião, o presidente ressaltou ainda a presença dos Correios em municípios de todo o país e classificou a empresa como relevante para o Brasil.
Governo aposta na recuperação da estatal
A posição apresentada pelo presidente indica que a estratégia do governo federal é manter os Correios sob controle estatal enquanto são adotadas medidas para tentar recuperar a capacidade financeira e operacional da empresa.
O desempenho registrado no primeiro semestre, contudo, mostra que o processo de recuperação ainda enfrenta dificuldades. O prejuízo acumulado aumentou em relação ao ano anterior, enquanto a companhia depende de medidas de contenção de gastos, reorganização e novas fontes de financiamento.

