A busca por novas formas de tratamento para a obesidade tem levado pesquisadores e empresas farmacêuticas a desenvolver medicamentos que vão além das tradicionais aplicações injetáveis. Entre as alternativas em investigação estão comprimidos de uso diário e moléculas capazes de interferir em diferentes mecanismos relacionados ao apetite, à saciedade, ao metabolismo e à redução de gordura corporal.
Orforglipron apresenta resultados em estudo clínico
Entre os medicamentos que estão sendo estudados está o orforglipron, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly. A substância chama atenção por ser administrada por via oral, o que pode representar uma alternativa aos tratamentos que dependem de aplicações por injeção.
Um estudo clínico envolvendo mais de 3 mil adultos com obesidade avaliou os efeitos do medicamento durante aproximadamente 16 meses. De acordo com os resultados divulgados pela empresa, os participantes que receberam a dose mais elevada apresentaram uma redução média de 11,2% no peso corporal.
Mulheres na peri e pós-menopausa
Os dados também apontaram resultados específicos entre mulheres que estavam na peri-menopausa ou já haviam passado pela menopausa. Nesse grupo, a perda média de peso registrada durante o período de tratamento chegou a 14%.
O orforglipron também está sendo investigado em relação a outras condições associadas ao metabolismo. Entre elas estão a hipertensão e a síndrome dos ovários policísticos.
A substância ainda faz parte de um cenário de pesquisas que busca ampliar as alternativas terapêuticas disponíveis para pessoas com excesso de peso e doenças metabólicas. Medicamentos desse segmento também são avaliados em pacientes com diabetes tipo 2.
Obesidade impulsiona pesquisas com diferentes hormônios
Outra frente de desenvolvimento farmacêutico concentra esforços em medicamentos capazes de atuar simultaneamente sobre mais de um receptor hormonal. A estratégia tem como objetivo interferir em mecanismos que participam da regulação da fome, da saciedade e do metabolismo energético.
Um dos exemplos é a retatrutida, que atua sobre três vias hormonais: GLP-1, GIP e glucagon. A combinação desses mecanismos vem sendo investigada em estudos clínicos voltados à redução do peso corporal e ao tratamento de alterações relacionadas à obesidade.
Retatrutida apresenta perdas de peso expressivas
Em pesquisas com períodos mais longos de acompanhamento, os resultados apresentados para a retatrutida indicaram uma redução média de aproximadamente 28% do peso corporal entre os participantes avaliados. Uma parcela relevante das pessoas submetidas ao tratamento alcançou perdas superiores a 30%.
A substância também está sendo estudada em pessoas que apresentam problemas nos joelhos associados à obesidade. A investigação considera, entre outros fatores, os possíveis efeitos que uma redução significativa do peso pode provocar sobre a carga suportada pelas articulações.
Apesar dos resultados observados nos estudos, a retatrutida ainda está em fase de desenvolvimento clínico. Portanto, não está disponível como tratamento de uso regular.
Preservação muscular é outro desafio no tratamento
Além de buscar uma maior redução de peso, as pesquisas atuais também analisam a composição corporal durante o processo de emagrecimento. Uma das questões avaliadas é a perda de massa muscular que pode ocorrer junto à redução da gordura corporal.
Nesse campo está o bimagrumabe, uma substância investigada por sua capacidade de contribuir para a preservação ou até mesmo para o aumento da massa muscular durante a perda de gordura.
A estratégia é diferente daquela que considera apenas o número indicado pela balança. Os pesquisadores também avaliam como o organismo responde à redução do peso e quais componentes corporais são perdidos ou preservados ao longo do tratamento.
Análogos de amilina entram nas pesquisas
Outra linha de investigação envolve os chamados análogos de amilina. Essas substâncias procuram reproduzir os efeitos de um hormônio produzido naturalmente pelo organismo e liberado em conjunto com a insulina.
A amilina participa de processos relacionados à regulação da saciedade, entre outras funções metabólicas. Por isso, medicamentos que reproduzem sua ação estão sendo avaliados como possíveis ferramentas para auxiliar no controle do peso.
Assim como ocorre com outras moléculas em desenvolvimento, os resultados obtidos nos estudos precisam ser analisados em diferentes etapas antes que qualquer medicamento possa chegar ao mercado.
Medicamentos ainda dependem de aprovação
Embora os resultados apresentados nas pesquisas indiquem diferentes possibilidades para o tratamento da obesidade, os medicamentos que ainda estão em desenvolvimento precisam passar por avaliações clínicas relacionadas à eficácia e à segurança.
O processo inclui a análise dos resultados obtidos nos estudos antes de uma eventual submissão aos órgãos reguladores. Dessa forma, resultados promissores em pesquisas não significam que uma determinada substância já esteja autorizada para uso pela população.
A expansão das pesquisas também demonstra que o desenvolvimento de tratamentos para a obesidade não está restrito a uma única estratégia. As empresas farmacêuticas estudam desde medicamentos administrados por via oral até combinações capazes de atuar sobre diferentes hormônios e substâncias voltadas à preservação da massa muscular.

