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Leia: Congo registra quase 100 casos de Ebola em 24 horas com 80 mortos
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5 de junho de 2026 16:02

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OpiniãoMT > Blog > Saúde > Congo registra quase 100 casos de Ebola em 24 horas com 80 mortos
Saúde

Congo registra quase 100 casos de Ebola em 24 horas com 80 mortos

Surto de Ebola no Congo registra 452 casos confirmados e 82 mortes. OMS e parceiros ampliam ações para conter avanço da doença.

última atualização: 5 de junho de 2026 16:02
Redação OPMT
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6 Minutos de Leitura
Congo registra quase 100 casos de Ebola em 24 horas com 80 mortos
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A propagação do Ebola na República Democrática do Congo (RDC) continua preocupando autoridades sanitárias nacionais e organismos internacionais. Dados divulgados nesta sexta-feira (5) apontam que o país contabiliza 452 casos confirmados da doença, após a confirmação de 71 novos registros em apenas um dia. O surto já resultou em 82 mortes e mantém equipes de saúde em estado de alerta diante do ritmo acelerado de transmissão observado em diferentes regiões do território congolês.

As autoridades locais informaram que o cenário atual demonstra uma circulação intensa do vírus entre a população, reforçando os desafios para conter a disseminação da enfermidade. Enquanto isso, organizações internacionais ampliam investimentos e estratégias para evitar que a situação evolua para uma crise ainda maior na África Central.

Ebola apresenta transmissão acelerada no Congo

De acordo com informações divulgadas pelo governo congolês, os novos casos confirmados indicam que a doença segue avançando de forma significativa em diversas comunidades. Especialistas alertam que a transmissão comunitária permanece ativa e exige medidas rápidas para interromper as cadeias de contágio.

O atual surto foi oficialmente reconhecido pelas autoridades sanitárias em meados de maio, mas investigações epidemiológicas apontam que a variante Bundibugyo do vírus provavelmente circulava há semanas ou até meses antes de ser identificada.

A rápida evolução dos números preocupa profissionais de saúde, especialmente porque a cepa responsável pelo surto é considerada menos frequente quando comparada a outras variantes já registradas em episódios anteriores da doença.

Epicentro do surto concentra maioria dos casos

A província de Ituri, localizada no nordeste da República Democrática do Congo, concentra a maior parte dos casos confirmados. Segundo dados apresentados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC), aproximadamente 90% das infecções registradas até o momento ocorreram na região.

Além disso, Ituri também responde por cerca de três quartos das mortes relacionadas ao surto, tornando-se o principal foco das ações emergenciais conduzidas por autoridades locais e organismos internacionais.

Outras duas províncias congolesas também registraram infecções, demonstrando que a doença já ultrapassou os limites iniciais de propagação dentro do país.

Casos já foram registrados em Uganda

A preocupação internacional aumentou após a confirmação de infecções em Uganda, país que faz fronteira com o Congo. As autoridades ugandesas contabilizaram 16 casos relacionados ao atual surto, incluindo uma vítima fatal.

A expansão para além das fronteiras congolesas reforça a necessidade de cooperação regional para monitoramento, rastreamento de contatos e fortalecimento das medidas de vigilância epidemiológica.

Plano internacional mobiliza bilhões para conter a doença

Diante do avanço dos casos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Africa CDC anunciaram uma estratégia conjunta para enfrentar a epidemia entre os meses de junho e novembro.

O plano prevê investimentos estimados em US$ 518 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 2,6 bilhões. Os recursos serão destinados a diversas frentes de atuação, incluindo monitoramento epidemiológico, ampliação da capacidade laboratorial, assistência médica aos pacientes, controle de infecções e campanhas de conscientização junto às comunidades afetadas.

As organizações também destacam a importância da participação da população nas ações de prevenção, especialmente em regiões onde o acesso à informação e aos serviços de saúde ainda é limitado.

Falta de vacina específica para a variante Bundibugyo preocupa especialistas

Um dos principais obstáculos enfrentados pelas autoridades sanitárias é a inexistência de uma vacina aprovada especificamente para combater a variante Bundibugyo do vírus.

Especialistas estudam a possibilidade de utilização emergencial da vacina Ervebo, desenvolvida pela farmacêutica Merck. Atualmente, o imunizante é autorizado para uso contra a variante Zaire do Ebola, mas pesquisas realizadas em animais sugerem potencial proteção também contra outras cepas.

Enquanto as análises seguem em andamento, a aliança internacional de vacinação Gavi informou que mantém um estoque de aproximadamente 2 mil doses disponíveis no Congo para eventual uso em campanhas emergenciais ou estudos clínicos.

Recursos financeiros insuficientes dificultam resposta ao surto

A resposta à epidemia enfrenta dificuldades financeiras significativas. A OMS já havia alertado nas últimas semanas sobre a redução de recursos destinados a programas globais de saúde.

Representantes da organização afirmam que cortes em financiamentos internacionais vêm impactando diretamente operações de combate a doenças infecciosas no continente africano.

Dados divulgados pelo Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) mostram que apenas 34% dos US$ 1,4 bilhão solicitados para ações humanitárias na República Democrática do Congo foram efetivamente recebidos até o momento.

Novas vacinas e testes estão em desenvolvimento

Em meio aos esforços para controlar a doença, empresas e instituições de pesquisa aceleram iniciativas voltadas ao desenvolvimento de novas ferramentas de combate ao vírus.

A farmacêutica Moderna anunciou recentemente uma parceria com a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) com o objetivo de criar uma vacina específica para a variante Bundibugyo. O projeto poderá receber investimentos de até US$ 50 milhões em suas etapas iniciais.

Outra medida anunciada envolve a ampliação da produção de testes laboratoriais capazes de identificar diferentes variantes do Ebola. A iniciativa é conduzida pela BioFire Defense, subsidiária da empresa francesa bioMérieux.

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