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Leia: CCJ da Câmara aprova PEC que reduz maioridade penal de 18 para 16 anos
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11 de junho de 2026 14:33

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OpiniãoMT > Blog > Brasília > CCJ da Câmara aprova PEC que reduz maioridade penal de 18 para 16 anos
Brasília

CCJ da Câmara aprova PEC que reduz maioridade penal de 18 para 16 anos

CCJ da Câmara aprova PEC que reduz a maioridade penal para 16 anos. Proposta seguirá para comissão especial e depois ao plenário.

última atualização: 10 de junho de 2026 13:46
Redação OPMT
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6 Minutos de Leitura
CCJ da Câmara aprova PEC que reduz maioridade penal de 18 para 16 anos
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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (10) a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A matéria recebeu 44 votos favoráveis e 18 contrários, permitindo que o texto avance para as próximas etapas de tramitação no Congresso Nacional.

Com a decisão da comissão, a proposta seguirá agora para análise de uma comissão especial, responsável por discutir o mérito da medida. Caso seja aprovada nessa fase, ainda precisará passar por votação no plenário da Câmara dos Deputados em dois turnos, exigindo o apoio de pelo menos 308 parlamentares para ser aprovada.

Como a proposta altera a legislação atual

A PEC propõe modificar o artigo 228 da Constituição Federal, estabelecendo que adolescentes a partir dos 16 anos passem a ser considerados penalmente responsáveis por seus atos perante a legislação criminal brasileira.

Atualmente, a Constituição determina que menores de 18 anos são inimputáveis penalmente. Nesses casos, jovens envolvidos em atos infracionais estão sujeitos às medidas socioeducativas previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e não às punições estabelecidas pelo Código Penal.

Caso a proposta seja aprovada em todas as etapas legislativas, adolescentes de 16 e 17 anos poderão responder criminalmente perante a Justiça comum, assim como ocorre com os adultos.

Relator afirma que PEC não fere a Constituição

O parecer favorável foi apresentado pelo deputado Coronel Assis (PL-MT), relator da proposta na CCJ. Segundo ele, a discussão sobre a redução da idade penal não representa incompatibilidade com a Constituição Federal nem com os acordos internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário.

De acordo com o parlamentar, a eventual responsabilização criminal de adolescentes nessa faixa etária poderia ocorrer sem desrespeitar garantias fundamentais, desde que fossem preservadas regras específicas de proteção aos menores durante o processo judicial.

Mudanças eleitorais foram retiradas do texto

A proposta original foi protocolada em 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE). Quando apresentada, a PEC continha também alterações relacionadas aos direitos políticos.

Entre as mudanças previstas inicialmente estavam a obrigatoriedade do voto para cidadãos maiores de 16 anos e a redução da idade mínima para concorrer a determinados cargos eletivos.

Esses dispositivos, entretanto, foram retirados do parecer atual. O relator justificou que as questões eleitorais não possuem relação direta com o tema central da proposta, que trata exclusivamente da imputabilidade penal.

Debate sobre maioridade penal divide parlamentares

A votação ocorreu após sucessivos adiamentos motivados por divergências entre deputados favoráveis e contrários à matéria. Na sessão realizada anteriormente, a discussão chegou a ser iniciada, mas acabou interrompida devido ao início das votações no plenário da Câmara.

Durante a análise na CCJ, parlamentares alinhados ao governo apresentaram requerimentos com o objetivo de adiar a votação. As tentativas, no entanto, foram rejeitadas pela maioria dos integrantes da comissão.

Críticas à proposta

Entre os parlamentares que se posicionaram contra a PEC, a deputada Erika Kokay (PT-DF) argumentou que a medida afeta direitos fundamentais assegurados pela Constituição. Segundo ela, a inclusão de adolescentes no sistema prisional comum poderia ampliar problemas já existentes nas unidades penitenciárias brasileiras.

A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) também criticou a proposta. Para ela, a redução da idade penal não seria uma solução eficaz para enfrentar os desafios da segurança pública e da criminalidade no país.

Defensores apontam combate ao uso de adolescentes por facções

Deputados favoráveis à mudança sustentam que a alteração pode fortalecer o enfrentamento ao crime organizado. O deputado Lucas Redecker (PSDB-RS) afirmou durante os debates que adolescentes são frequentemente recrutados por facções criminosas justamente em razão das regras atuais de responsabilização.

Segundo os defensores da PEC, a mudança na legislação poderia aumentar a responsabilização de jovens envolvidos em delitos graves e reduzir o uso de menores por organizações criminosas.

Outras propostas também tramitam em conjunto

Além da PEC principal, outras duas propostas relacionadas ao tema seguem apensadas à tramitação. Esses textos ampliam as hipóteses de responsabilização criminal de adolescentes em situações específicas.

Entre os casos previstos estão crimes hediondos, delitos contra a vida e ocorrências que envolvam violência ou grave ameaça. O parecer apresentado por Coronel Assis também se manifestou favoravelmente à continuidade dessas propostas.

Segurança pública impulsiona discussão no Congresso

O debate sobre a maioridade penal voltou a ganhar destaque nos últimos meses dentro das discussões relacionadas à segurança pública. O tema chegou a ser cogitado durante a tramitação da PEC da Segurança Pública, mas acabou sendo tratado separadamente.

Na ocasião, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, defendeu que a discussão fosse realizada por meio de uma proposta específica, permitindo uma análise exclusiva sobre o assunto. Parlamentares da oposição afirmam que episódios recentes envolvendo adolescentes em casos de grande repercussão nacional contribuíram para fortalecer o apoio à pauta dentro do Congresso.

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