*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A possibilidade de uma coligação entre o Partido Liberal (PL) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para as próximas eleições em Mato Grosso abriu discussão na sigla conservadora. O deputado estadual Gilberto Cattani e o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, manifestaram forte resistência à imposição de uma aliança pelo diretório nacional.
CATTANI: “OBEDECE QUEM TEM JUÍZO”
Em declaração à imprensa na última terça-feira, dia 5 de maio, o deputado Gilberto Cattani (PL) comentou sobre o peso das orientações da família Bolsonaro dentro da legenda. O parlamentar utilizou um tom pragmático ao se referir ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas demonstrou ceticismo quanto a uma imposição vinda do senador Flávio Bolsonaro.
“No meu caso é diferente, o Bolsonaro não pede, ele manda. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Agora, o Flávio não vai fazer isso. Nós sabemos que ele não vai fazer isso”, afirmou Cattani.
O deputado classificou o MDB como “esquerda de Mato Grosso” e alertou que uma união com a sigla complicaria a campanha devido à proximidade de pré-candidatos emedebistas com pautas progressistas. Apesar das críticas, Cattani citou o senador Magno Malta como exemplo de que mudanças de trajetória política podem ocorrer e ser consideradas. Sobre o senador Wellington Fagundes (PL), o deputado reconheceu o alinhamento político, mas condicionou apoio à ausência de alianças com partidos considerados incompatíveis.
ABÍLIO BRUNINI DESCARTA APOIO “NEM SE BOLSONARO PEDIR”
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, foi ainda mais enfático na rejeição. Ele declarou que não caminhará com o MDB sob hipótese alguma, justificando a posição dele com base no histórico político do estado.
Abilio afirmou que não mudaria a posição dele nem mesmo diante de um pedido da cúpula nacional.
Para o prefeito, o MDB busca se “revestir de verde e amarelo” por puro oportunismo eleitoral para atrair o eleitor conservador.
“No MDB eu não acredito, não confio”, disparou Brunini, recomendando que o eleitorado fique atento a essas movimentações.
DIRETÓRIO NACIONAL E ARTICULAÇÃO DE JANAINA RIVA
Enquanto as bases locais resistem, a cúpula do partido sinaliza um caminho diferente. O presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, reforçou que a decisão final sobre coligações caberá ao diretório nacional e deverá ser obrigatoriamente cumprida pelos filiados.
A articulação ganha força em Brasília através da deputada estadual Janaina Riva (MDB). Pré-candidata ao Senado, Janaina reuniu-se recentemente com Flávio Bolsonaro para viabilizar a parceria. A proximidade é facilitada por laços familiares, já que Janaina é nora do senador Wellington Fagundes.

