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Leia: Após exames, paciente descobre que fígado transplantado tinha câncer
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12 de setembro de 2026 04:33

OpiniãoMT > Blog > Brasil > Após exames, paciente descobre que fígado transplantado tinha câncer
Brasil

Após exames, paciente descobre que fígado transplantado tinha câncer

Homem desenvolve câncer em fígado transplantado em São Paulo e busca respostas sobre possível falha no processo de doação.

Redação OPMT
Publicado em: 16 de outubro de 2025
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5 Minutos de Leitura
Após exames, paciente descobre que fígado transplantado tinha câncer
Geraldo Vaz Junior recebeu um fígado com câncer. Imagens: Redes Sociais.
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Um caso raro envolvendo o fígado de um paciente transplantado em São Paulo tem despertado preocupação entre médicos e autoridades de saúde. O paulistano Geraldo Vaz Junior, de 58 anos, foi diagnosticado com câncer no órgão transplantado meses após a cirurgia. Segundo os relatórios médicos, o tumor teve origem no órgão doado e, posteriormente, houve metástase pulmonar.

O transplante de fígado foi realizado em março de 2023, e, no ano seguinte, exames confirmaram que o câncer havia se espalhado. Desde então, Geraldo e sua esposa, Márcia Helena Vaz, têm mobilizado campanhas nas redes sociais e cobrado uma investigação rigorosa sobre o caso.

— “Não cabe, nesse caso, um silêncio institucional”, declarou Márcia ao portal Metrópoles. “O silêncio permite que erros continuem acontecendo”, completou.

A descoberta do câncer no fígado transplantado

O Sistema Nacional de Transplantes, vinculado ao Ministério da Saúde, é o órgão responsável pela regulação e fiscalização dos procedimentos no país.

Geraldo enfrentava problemas hepáticos desde 2010 devido a uma cirrose causada por hepatite C, o que o colocou na fila de espera do SUS. Em 8 de julho de 2023, ele recebeu um novo fígado no Hospital Albert Einstein.

Cerca de sete meses depois, o paciente apresentou alterações nos exames de imagem, que identificaram seis nódulos no fígado. A biópsia confirmou tratar-se de um adenocarcinoma, um tipo de câncer comum em adultos.

Posteriormente, testes genéticos realizados em março de 2024 mostraram que o material genético do tumor era diferente do de Geraldo, pertencendo, na verdade, ao doador do órgão.

Com essa confirmação, o paciente passou por um segundo transplante em maio de 2024. No entanto, em agosto, os médicos identificaram metástase nos pulmões, caracterizando um adenocarcinoma invasivo com as mesmas características do câncer original.

Ministério da Saúde nega falha no processo

Em nota oficial, o Ministério da Saúde afirmou que não houve indícios de doença nos exames realizados no doador antes da doação do fígado. Segundo o órgão, todos os protocolos nacionais e internacionais foram rigorosamente seguidos.

A pasta também destacou que acompanha o caso junto ao hospital e à Central Estadual de Transplantes, compartilhando informações com os órgãos de vigilância em saúde.

A Secretaria de Saúde de São Paulo reforçou que o processo seguiu as normas do Ministério da Saúde, com exames laboratoriais e clínicos detalhados. Já o Hospital Albert Einstein informou que não participou da análise do órgão doado, atuando apenas no acompanhamento médico do paciente antes e depois da cirurgia.

De acordo com a legislação brasileira, a identidade da doadora — uma mulher que faleceu vítima de AVC — deve permanecer anônima.

Sem perspectiva de cura, paciente inicia quimioterapia

Com a metástase pulmonar confirmada e sem perspectiva de cura, Geraldo deve iniciar quimioterapia contínua para controlar o avanço da doença.

— “Ele vai precisar fazer quimioterapia pelo resto da vida. A doença precisa estar sempre controlada”, explicou Márcia.

Sem condições de trabalhar, o casal reforça a necessidade de uma investigação aprofundada para evitar que casos semelhantes voltem a acontecer.

— “Precisamos entender onde ocorreu o erro. Hoje é o Geraldo, mas amanhã pode ser outra pessoa”, disse Márcia.

O caso de Geraldo Vaz Junior levanta um importante debate sobre os protocolos de segurança em transplantes de fígado no Brasil. Mesmo com a confirmação de que os procedimentos seguiram as normas vigentes, a situação evidencia a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de detecção de doenças nos órgãos doados. 

Enquanto isso, o paciente segue em tratamento, na esperança de que sua experiência contribua para melhorias no sistema nacional de transplantes e evite novas ocorrências semelhantes.

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