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12 de outubro de 2026 17:43

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OpiniãoMT > Blog > Brasil > Amazonas registra alta de 271% nos focos de incêndio em outubro
Brasil

Amazonas registra alta de 271% nos focos de incêndio em outubro

Amazonas registra 1.380 focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro, enquanto fumaça compromete a qualidade do ar em vários municípios.

Redação OPMT
Publicado em: 12 de outubro de 2026
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8 Minutos de Leitura
Amazonas registra alta de 271% nos focos de incêndio em outubro
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O Amazonas contabilizou 1.380 focos de incêndio entre os dias 1º e 10 de outubro de 2026, representando um crescimento de 271% em comparação com o mesmo intervalo de 2025, quando foram registrados 372 casos. Os dados são do Painel do Fogo, ferramenta do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), que monitora a distribuição das queimadas pelo território brasileiro.

Além da expansão dos incêndios em diferentes regiões do estado, a fumaça provocada pelas chamas tem prejudicado a qualidade do ar, provocado reclamações de moradores e aumentado a preocupação com os impactos ambientais e à saúde pública. Municípios como Itacoatiara, Careiro da Várzea, Parintins e Boa Vista do Ramos estão entre as localidades afetadas.

Amazonas registra milhares de focos de incêndio em diferentes áreas

Dos 1.380 focos identificados nos primeiros dez dias de outubro, 1.186 ocorreram em áreas públicas, enquanto 93 foram registrados em propriedades privadas. Outros 101 casos estão em locais cuja situação fundiária ainda não foi determinada.

O levantamento também identificou 246 ocorrências em assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação. Além disso, 174 focos foram classificados como relacionados ao desmatamento. Para os demais registros, o painel não apresentou uma causa específica.

O Painel do Fogo reúne informações sobre incêndios e queimadas e permite acompanhar a localização das ocorrências. Os dados ajudam a dimensionar a distribuição dos focos e a identificar as regiões que concentram registros.

Oito suspeitos são identificados por queimadas em Itacoatiara

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) de Itacoatiara investiga incêndios registrados na região do Lago do Canaçari e em outras áreas rurais do município. Até a divulgação das informações, oito pessoas haviam sido identificadas como suspeitas de provocar queimadas.

Entre elas está um investigado por possível participação no incêndio que atingiu a região do Canaçari. O caso é tratado como suspeita de ação criminosa.

Conforme informado pela secretaria, as ocorrências serão encaminhadas à Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e ao Ministério Público do Amazonas (MPAM), responsáveis pelas medidas legais cabíveis.

O fogo também atingiu outras localidades rurais de Itacoatiara, incluindo Jacarezinho, Rio Arari e Rio Urubu. Na região do Jacarezinho, a área atingida pelas chamas chegou a 256,71 hectares, extensão equivalente a aproximadamente 360 campos de futebol.

Incêndios atingem municípios do interior do Amazonas

Careiro da Várzea enfrenta fogo em áreas de vegetação

Em Careiro da Várzea, um incêndio de grandes proporções atingiu áreas de mata por mais de dez dias. Entre os locais afetados estão a comunidade Bom Futuro, o distrito de Autaz Mirim e a comunidade Jatuarana.

A persistência das chamas contribui para a disseminação da fumaça e agrava as condições ambientais nas regiões atingidas.

O Corpo de Bombeiros informou que atuava no combate imediato a incêndios em 33 municípios do estado. Entretanto, a corporação não divulgou a relação completa das localidades atendidas.

Queimadas prejudicam plantações em Parintins

Em Parintins, foram registrados 20 focos de incêndio na quinta-feira, dia 8 de outubro. As ocorrências atingiram tanto áreas urbanas quanto comunidades rurais.

Além dos danos à vegetação, as queimadas destruíram plantações e começaram a refletir nos preços de produtos comercializados no município. Derivados da mandioca estão entre os alimentos afetados pela redução da produção, com relatos de aumentos expressivos nos valores praticados no comércio local.

Boa Vista do Ramos registra novos focos

Boa Vista do Ramos também enfrentou ocorrências de incêndio em áreas urbanas e rurais. Pelo menos oito focos foram identificados no período informado pelas autoridades.

A fumaça e a dificuldade para controlar as chamas preocupam os moradores, especialmente pelos possíveis prejuízos à fauna silvestre e pela destruição de áreas de vegetação.

Fumaça compromete a qualidade do ar no Amazonas

O avanço dos incêndios tem sido acompanhado por episódios de concentração elevada de partículas na atmosfera. Em Manaus, a fumaça voltou a encobrir a cidade na manhã de sábado, dia 10 de outubro.

Em um dos pontos de monitoramento da capital, a concentração de partículas chegou a 209,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³). O valor corresponde a mais de oito vezes o limite de 25 µg/m³ utilizado pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), como referência para uma boa qualidade do ar.

A prefeitura de Manaus informou que a capital permanecia em estado de atenção, classificação adotada diante de ocorrências com potencial de impacto significativo em curto prazo.

Itacoatiara registra concentração elevada de partículas

A situação também se agravou em municípios da Região Metropolitana de Manaus. Em Itacoatiara, o monitoramento apontou concentração de 2.016,1 µg/m³ por volta das 6h de sábado.

Posteriormente, a Defesa Civil municipal emitiu um alerta recomendando que os moradores utilizassem máscaras ao sair de casa e evitassem a exposição à fumaça.

Em Careiro, o índice alcançou 121,4 µg/m³, nível considerado muito ruim. Já em Careiro da Várzea, a concentração chegou a 144,1 µg/m³, classificada como péssima conforme os parâmetros informados.

Os registros evidenciam que os efeitos das queimadas ultrapassam as áreas diretamente atingidas pelo fogo, alcançando municípios vizinhos e ampliando os riscos associados à poluição atmosférica.

Moradores relatam dificuldades respiratórias

A fumaça tem provocado queixas de moradores de Manaus, incluindo irritação na garganta, problemas respiratórios, dores de cabeça e dificuldades para dormir. Também há relatos de prejuízos às atividades profissionais devido às condições do ar.

Segundo informações divulgadas durante o período, a capital amazonense permaneceu por dois dias consecutivos entre os locais com pior qualidade do ar do Brasil, de acordo com a plataforma internacional IQAir.

A trabalhadora autônoma Márcia Mendes, que convive com rinite e sinusite, relatou agravamento dos sintomas em razão da fumaça. Entre os problemas mencionados estão congestão nasal, crises de espirros e irritação na garganta. À noite, a dificuldade para respirar e as dores de cabeça também prejudicam o descanso.

Outro morador, Valdeci Moraes de Castro, afirmou que a fumaça entra nas residências e interfere no sono. Ele também manifestou preocupação com os efeitos da poluição sobre a população, sobretudo idosos e pessoas que já apresentam problemas respiratórios.

Os relatos demonstram como a combinação entre queimadas e poluição atmosférica interfere na rotina dos moradores, mesmo daqueles que não vivem próximos às áreas atingidas diretamente pelas chamas.

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