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Leia: Acordo entre EUA e China preocupa produtores de soja de Mato Grosso
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21 de outubro de 2026 21:51

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OpiniãoMT > Blog > Agronegócio > Acordo entre EUA e China preocupa produtores de soja de Mato Grosso
Agronegócio

Acordo entre EUA e China preocupa produtores de soja de Mato Grosso

A retomada das compras chinesas de soja dos EUA pode impactar negativamente o agro brasileiro e diminuir os embarques da oleaginosa ao exterior.

Redação OPMT
Publicado em: 30 de outubro de 2025
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5 Minutos de Leitura
Acordo entre EUA e China preocupa produtores de soja de Mato Grosso
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O recente acordo firmado entre Estados Unidos e China, anunciado nesta quinta-feira (30), acende um sinal de alerta para o agro brasileiro. O entendimento entre os dois países prevê a retomada das compras chinesas de soja americana, interrompidas desde o acirramento da guerra comercial entre as duas potências. Segundo o presidente Donald Trump, “quantidades enormes de soja” voltarão a ser adquiridas pela China “imediatamente”.

Durante o período de tensão comercial, a suspensão das compras da soja americana impulsionou o Brasil a ocupar o espaço deixado pelos Estados Unidos, tornando-se o principal fornecedor do grão ao gigante asiático. A nova reaproximação entre Washington e Pequim, no entanto, pode reverter esse cenário, reduzindo o ritmo das exportações brasileiras e afetando diretamente o setor agrícola nacional.

Impacto econômico e comercial sobre o agro brasileiro

O professor e coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank, avalia que o novo acordo entre as potências pode ser mais prejudicial ao agro brasileiro do que o conjunto de tarifas impostas anteriormente pelos Estados Unidos. Segundo ele, produtos como celulose, suco de laranja e carne bovina já vinham apresentando bons resultados de exportação, e as sobretaxas americanas não tiveram impacto expressivo.

“Do ponto de vista do produtor, o efeito do tarifaço foi limitado”, explica Jank. Ele ressalta, no entanto, que a retomada das compras chinesas de soja americana deve alterar significativamente o equilíbrio das exportações globais. “A soja representa a principal fatia das vendas do agro brasileiro, e qualquer mudança nesse fluxo tem peso enorme na balança comercial”, afirmou.

De acordo com dados dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento, as exportações brasileiras do setor agropecuário para os Estados Unidos somaram US$ 12,1 bilhões em 2024, correspondendo a pouco mais de 7% do total. Já as vendas de soja para a China renderam US$ 31,5 bilhões, cerca de 19% de todo o faturamento do agro nacional no mesmo período.

Jank também destacou que o novo entendimento entre Estados Unidos e China pode reconfigurar o comércio mundial de commodities. “Se os chineses voltarem ao modelo anterior, comprando soja da América do Norte em um período do ano e da América do Sul em outro, o impacto será diluído. Mas, se houver preferência pela soja americana, o agro brasileiro pode ser fortemente prejudicado”, explicou.

Produtores de Mato Grosso acompanham com preocupação

O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Beber, lembrou que o Brasil foi amplamente beneficiado pela primeira guerra comercial entre Estados Unidos e China, o que resultou em um aumento expressivo da demanda pela soja nacional. Ele afirma que o novo acordo traz incerteza ao mercado e pode afetar o preço interno do grão.

“Mato Grosso é responsável por mais de 30% da produção nacional e mais de 25% das exportações de soja. Qualquer oscilação no mercado internacional tem reflexo direto nos produtores do estado”, destacou Beber.

Ele também ressaltou que, nos últimos meses, a China vinha registrando recordes de importação de soja brasileira devido à ausência de acordos com os EUA. Essa situação elevou os preços internos e garantiu margens mais favoráveis ao produtor. Com a retomada do comércio entre Pequim e Washington, essa vantagem tende a se reduzir.

A reaproximação entre Estados Unidos e China representa um novo desafio para o agro brasileiro, especialmente no setor de soja, que responde por quase um quinto das exportações do campo. Embora o Brasil tenha se beneficiado do período de tensões comerciais entre as potências, a retomada das relações pode alterar o equilíbrio de mercado. O setor agropecuário brasileiro deve acompanhar de perto as negociações internacionais e buscar estratégias para manter sua competitividade no cenário global.

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