*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), convocou uma entrevista coletiva com a imprensa para detalhar uma grave denúncia de supostas irregularidades em contratos da Secretaria Municipal de Educação. O escândalo envolve a aquisição de materiais didáticos com indícios de sobrepreço, compra supérflua e o uso de inteligência artificial na elaboração dos conteúdos.
O anúncio oficial ocorreu após o prefeito publicar um vídeo nas redes sociais informando que faria o protocolo formal das denúncias junto à Polícia Civil, Polícia Federal (PF) e demais órgãos de controle financeiro. A auditoria mira contratos firmados entre os anos de 2025 e 2026, cujos valores totais ultrapassam a marca de R$ 80 milhões.
A apuração interna foi iniciada pelo atual secretário de Educação, Reginaldo Teixeira, que identificou graves inconsistências no fluxo das contratações. Segundo o prefeito, as justificativas técnicas apresentadas pelas empresas para validar o preço alto dos livros não condizem com a simplicidade do material entregue às escolas.
“Vimos alguns materiais em que a justificativa técnica tinha todo um conceito. Na hora que a gente pede o material, vê que ele é feito com inteligência artificial. Não tem nada demais no material e qualquer pessoa poderia ter feito. A gente vê que a justificativa técnica e o material entregue são contraditórios. Não bate”, revelou Abilio Brunini.
Além da baixa qualidade do material, a prefeitura identificou valores fora da realidade de mercado e um volume de compras muito acima do que a rede municipal de ensino necessita.
“A gente vê valores absurdos: R$ 800 em um livro. Nós não aceitamos isso. Nós temos algumas suspeições de que foi feito aquisição de material, livros principalmente, em excesso, de forma desnecessária, e o montante das aquisições pode ultrapassar R$ 70 milhões”, disparou o chefe do Executivo.
R$ 20 MILHÕES PAGOS E ROMNBO NO ORÇAMENTO
De acordo com o balanço apresentado na coletiva, do montante sob suspeita, o município já chegou a desembolsar R$ 20 milhões. Diante do cenário de possível prejuízo aos cofres públicos, a atual gestão decretou tolerância zero e travou as movimentações financeiras das empresas envolvidas.
“Assim que nós identificamos a irregularidade desse fluxo, a gente suspendeu todos os pagamentos, todos os trâmites de contratação. O pagamento desse material está suspenso e não será realizado até que toda a apuração seja concluída. Nós não admitimos que a aquisição desse material seja feita dessa forma”, garantiu o prefeito.
O prefeito destacou que o volume financeiro travado gerou um forte impacto nas contas da pasta.
“Essa situação comprometeu o orçamento da Educação e nós estamos investigando isso. Estamos investigando o que houve, se foi orientação da diretoria de ensino, se foi de alguém. Não se pode fazer uma aquisição nesse montante de forma equivocada e desnecessária”, concluiu Abilio.
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