*Sêmia Mauad/ Agrofrequencia
A repercussão da Operação Tomada de Contas, deflagrada na última quinta-feira, dia 29 de outubro, pela Polícia Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), continua movimentando os bastidores políticos de Mato Grosso. A análise do cientista político, analista e professor doutor em filosofia Haroldo Arruda chamou atenção ao escancarar a gravidade das suspeitas que recaem sobre a cúpula do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Haroldo classificou os desdobramentos da operação como “estarrecedores” e destacou o abismo entre a escassez de recursos em áreas essenciais e o volume de dinheiro movimentado no esquema investigado.
O analista político expressou indignação com o fato de o principal dirigente de uma instituição encarregada de zelar pelo dinheiro público figurar como alvo de investigações de alta gravidade.
“O que está acontecendo em Mato Grosso é simplesmente estarrecedor. Veja bem: o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Sérgio Ricardo, foi alvo de uma operação policial, juntamente com outros investigados”, pontuou Haroldo, destacando logo em seguida o impacto dos valores descobertos pelos investigadores. “E o que mais chama a atenção são os valores envolvidos. É muita grana, cara! Sabe quanto? 15 milhões e 400 mil reais em depósito; 15 milhões e 600 mil reais em saques. É dinheiro demais, gente!”.
O professor colocou o dedo na ferida institucional ao questionar a lisura dos órgãos de controle.
“Como é que uma instituição que tem a responsabilidade de fiscalizar a aplicação do dinheiro público pode ter seu próprio presidente envolvido em suspeitas desta gravidade? É para acabar, não é mesmo? Quem fiscaliza os fiscalizadores?”.
Ressaltando a presunção de inocência, o analista ponderou que nenhum cidadão pode ser condenado antes do trânsito em julgado de um processo, mas frisou que a sociedade exige rigor e respostas enérgicas
“Enquanto falta dinheiro para saúde, educação e segurança, surgem investigações envolvendo cifras milionárias, como você está vendo aí. Se as irregularidades forem comprovadas, que os responsáveis sejam punidos, independentemente do cargo que ocupem. Mato Grosso não pode aceitar que a fiscalização das contas públicas se transforme em um território de privilégios e impunidades”, concluiu.
Desencadeada na manhã da última quinta-feira, dia 29 de outubro, a ofensiva mobilizou 180 policiais federais para cumprir ordens expedidas pelo STJ, abrangendo mandados de prisão preventiva, dezenas de buscas e apreensões em gabinetes de conselheiros do TCE-MT, quebras de sigilo e sequestro de bens em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
As apurações conjuntas da Polícia Federal e do Ministério Público Federal revelaram a existência de uma “folha paralela” milionária, onde recursos públicos destinados ao pagamento de fornecedores eram desviados por meio de ordens bancárias avulsas e sacados em espécie no posto de atendimento do Sicoob localizado dentro da própria sede do tribunal.
O presidente afastado, conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, teve a prisão preventiva decretada após indícios apontarem recebimentos milionários fora dos canais oficiais e uso de esquemas de lavagem de dinheiro.
O caso segue sob sigilo judicial no STJ.
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