*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Foi identificada como Aryadna Cristina, de 24 anos, a influenciadora digital presa pela Polícia Civil de Mato Grosso na manhã desta quinta-feira, dia 29 de outubro, durante a deflagração da segunda fase da Operação Rede Oculta. A jovem, moradora do bairro Tijucal, em Cuiabá, mantinha perfil nas redes sociais onde exibia um padrão de vida de alto padrão e rotina de luxo incompatíveis com a sua renda declarada.
A ação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande (DEE-VG), com o suporte do Núcleo de Inteligência da unidade, e teve como objetivo desmantelar uma organização criminosa voltada à prática de fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro obtido em golpes aplicados pela internet.
20 ORDENS JUDICIAIS E APREENSÃO DE VEÍCULO
No total, a Justiça de Mato Grosso expediu 20 mandados judiciais, dos quais cinco são de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão domiciliar, bloqueio de bens, sequestro de veículos e autorização para a quebra de sigilo telemático dos aparelhos celulares apreendidos.
Durante o cumprimento dos mandados nas residências dos alvos, os investigadores localizaram e sequestraram judicialmente um veículo híbrido de luxo, registrado em nome de terceiros, mas utilizado de forma ostensiva pelos investigados, além de smartphones e documentos que passarão por análise pericial.
ESTRUTURA DO ESQUEMA E DIVISÃO DE PAPÉIS
Conforme as investigações da DEE-VG, o grupo abordava as vítimas por meio de plataformas virtuais e redes sociais, utilizando estratégias como o golpe do falso parente no WhatsApp e a falsa central bancária. Os pagamentos via Pix eram divididos em contas bancárias de terceiros (conhecidas como “contas laranjas” ou “de aluguel”) em montantes sempre inferiores a R$ 10 mil para evitar alertas de monitoramento financeiro. As quantias eram posteriormente repassadas ao núcleo central do grupo para a aquisição de bens de elevado valor comercial, como automóveis. As fraudes geraram um prejuízo de pelo menos R$ 414.093,00, atingindo vítimas em Mato Grosso, Rio de Janeiro e Pará.
OS PRINCIPAIS ALVOS DA OPERAÇÃO
Além da influenciadora Aryadna Cristina, a operação mirou outros quatro alvos centrais. O companheiro de Aryadna , de 35 anos, residente no bairro Tijucal, em Cuiabá, atuava em conjunto com a influenciadora. Além da coordenadora de contas em Várzea Grande, de 35 anos, moradora do bairro São Benedito, apontada como responsável por aliciar pessoas para cederem contas bancárias, e , por fim, o líder ligado a facção, de 41 anos, marido da investigada de Várzea Grande, que já possui histórico por fraudes eletrônicas. Mesmo após obter liberdade provisória, continuava gerando diretrizes para a movimentação financeira do grupo. Ele foi preso novamente nesta quinta-feira e autuado em Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por posse de entorpecentes para consumo pessoal.
HISTÓRICO DAS INVESTIGAÇÕES
As apurações sobre a rede criminosa começaram no início de 2023, motivadas por denúncias anônimas encaminhadas à polícia. A primeira etapa da Operação Rede Oculta ocorreu em 27 de maio de 2024, quando foram cumpridas 30 ordens judiciais e apreendido um veículo avaliado em R$ 153 mil.
Com o avanço das coletas de provas, ficou demonstrado que o grupo continuou operando e ampliando a rede de cooptação. Os envolvidos responderão judicialmente pelos crimes de fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e integração em organização criminosa.
VEJA VÍDEO

