*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O clima na Câmara Municipal de Várzea Grande atingiu o ápice da tensão no início da sessão legislativa da última terça-feira, dia 20 de outubro. Poucas horas após a deflagração da Operação Cathedra Venalis, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o presidente do Legislativo, Wanderley Cerqueira (MDB), e o vice-presidente, Bruno Rios (PL), protagonizaram um ríspido bate-boca no plenário.
Com o microfone aberto antes de a fala do áudio ser cortada, foi possível ouvir Cerqueira disparar contra o colega de mesa: “Você vai pagar!”.
A reação de Bruno Rios foi imediata, afirmando que não aceitaria intimações no recinto. A discussão ocorreu em meio ao forte abalo político causado pelo cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão contra vereadores e servidores da Casa de Leis.
O vazamento do áudio pelo sistema de som da Câmara registrou trechos do acalorado confronto verbal entre os dois parlamentares:
Wanderley Cerqueira: “Você vai pagar!”
Bruno Rios: “Não tenho culpa, não.”
Wanderley Cerqueira: “Você vai saber na hora certa.”
Bruno Rios: “Ninguém vai me ameaçar aqui, não.”
Em seguida, enquanto Wanderley continuava com falas inaudíveis, o vice-presidente subiu o tom e deixou claro que não responderia pelas investigações que pesam sobre o grupo aliado do presidente:
“Faz o que você quiser! Eu não vou aceitar, não. Vai ameaçar outro. Eu não tenho nada a ver com isso, as ações são de vocês. Eu respondo pelos meus atos, não o de vocês”.
VEJA VÍDEO
O CONTEXTO: OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS E O CONFINAMENTO EM CHÁCARA
O bate-boca entre os dois chefes do Legislativo ocorreu no mesmo dia em que o Gaeco mobilizou cerca de 200 policiais para desarticular um suposto esquema de corrupção, cooptação de agentes e compra de votos para a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
A investigação do Ministério Público Estadual (MPE) revelou que, em maio deste ano, Wanderley Cerqueira organizou o “confinamento” de uma base de vereadores em uma chácara no Distrito da Guia, em Cuiabá. O objetivo era isolar os parlamentares para garantir sua reeleição e barrar as articulações da chapa opositora de Lucas Chapéu do Sol (PL). Drones de vigilância do Gaeco capturaram fotos e vídeos da movimentação dos vereadores na propriedade rural.
No local do confinamento, o Gaeco registrou a presença dos vereadores de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues (ambos do Podemos). Durante a abordagem no local, equipes da Rotam apreenderam R$ 40 mil em dinheiro vivo.
ANULAÇÃO PELO STF E 15 PARLAMENTARES SOB INVESTIGAÇÃO
A eleição para a Mesa Diretora realizada em 14 de maio deu a vitória à chapa de Wanderley por 12 votos a 11. O resultado, contudo, foi anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao descumprimento dos prazos e regras regimentais convocatórias.
A Operação Cathedra Venalis mirou 13 vereadores de Várzea Grande, incluindo o próprio presidente Wanderley Cerqueira, e dois parlamentares da Capital (entre eles Ilde Taques, recém-eleito presidente da Câmara de Cuiabá para 2027/2028). Todo o material apreendido durante os mandados passará por perícia técnica e análise documental.

