*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O Tribunal do Júri no Fórum de Cuiabá retomou às 9h desta quarta-feira, dia 30 de setembro, a sessão que define o destino dos três réus acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023.
Após um primeiro dia marcado por depoimentos de autoridades policiais e contestações das defesas, os trabalhos desta quarta-feira concentram-se no interrogatório dos réus, com expectativa de avanço para os debates entre acusação e defesa até a votação dos quesitos pelo Conselho de Sentença.
Estão no banco dos réus, apontados pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT): Antônio Gomes da Silva, apontado como o autor dos disparos que mataram a vítima; Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de atuar na intermediação do crime e no fornecimento da arma; e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado como um dos articuladores e financiadores da execução.
O BALANÇO DO PRIMEIRO DIA E A DISPUTA DE NARRATIVAS
A retomada dos trâmites presenciais no Plenário do Júri, em sessão presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal, foi precedida por um primeiro dia intenso na terça-feira, dia 29 de setembro, que contou com a oitiva de seis testemunhas, incluindo delegados da Polícia Civil e da Polícia Federal que conduziram as investigações do homicídio.
Ainda antes da abertura dos trabalhos em plenário, as defesas dos réus concederam declarações contundentes à imprensa, contestando as conclusões do inquérito e apontando supostas omissões na apuração dos mandantes.
A advogada Sarah Quinetti Pironi, que defende o coronel da reserva do Exército Etevaldo Caçadini, refutou o envolvimento do cliente na articulação financeira do crime e criticou comparações feitas em torno da vítima.
“A gente tem falado que é um Vorcaro de Cuiabá, o doutor Zampieri. Colocam o coronel Caçadini como financiador de um crime que ele nunca foi. Nós queremos mostrar para a sociedade toda a verdade”, declarou Sarah.
No mesmo sentido, os advogados Jayme Carvalho e Silvio Eduardo Polidoro, também integrantes da defesa de Caçadini, questionaram a profundidade das investigações, sugerindo que os verdadeiros arquitetos e mandantes estariam impunes.
“É com tristeza que a defesa entra nesse fórum hoje. Quanto mais a gente olha o processo, mais sujeira a gente vê que existe nesse Judiciário”, afirmou Polidoro.
O advogado Nilton Ribeiro, defensor de Antônio Gomes da Silva, executor confesso dos disparos, pontuou que, embora a autoria material seja um fato incontroverso, o foco principal da defesa em plenário é cobrar o esclarecimento da motivação real e a identificação de quem ordenou o homicídio.
“Quem matou foi o Antônio. Isso é incontroverso. Mas quem mandou, por quê, como foi, vamos ver o que vai acontecer no plenário. Eu vim aqui de Curitiba para que a verdade seja revelada”, pontuou Ribeiro.
O CRIME
O advogado Roberto Zampieri foi morto aos 56 anos no dia 5 de dezembro de 2023, quando deixava o escritório no bairro Bosque da Saúde, na capital mato-grossense. De acordo com a acusação, conduzida pelos promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva, o crime estaria ligado a uma complexa disputa judicial pela posse da Fazenda Lagoa Azul, situada em Ribeirão Cascalheira e avaliada em cerca de R$ 100 milhões.
Esta sessão ocorre após uma tentativa anterior de julgamento realizada em 28 de julho, que acabou interrompida e com o Conselho de Sentença dissolvido após um jurado passar mal.
Com os interrogatórios em andamento, o julgamento deve avançar para a fase de debates entre a acusação e os advogados de defesa, cabendo ao final aos jurados responder aos quesitos que definirão a condenação ou absolvição dos réus.

