O Poder Judiciário brasileiro registrou R$ 164,6 bilhões em despesas durante 2025, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no relatório Justiça em Números 2026. O montante representa o maior volume de gastos desde o início da série histórica, em 2009, e reúne informações dos diferentes tribunais do país.
Despesas com pessoal concentram maior parte dos recursos
A maior parcela do orçamento do Poder Judiciário foi destinada às despesas relacionadas à estrutura de pessoal. Ao longo de 2025, foram desembolsados R$ 148,5 bilhões com salários, benefícios e outros custos vinculados a magistrados e servidores.
Esse valor correspondeu a 90,2% de todas as despesas registradas pelo Judiciário no período. Na comparação com 2024, os gastos com pessoal apresentaram crescimento de 9%.
Em relação ao tamanho da economia brasileira, as despesas do Poder Judiciário representaram 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Quando comparadas ao conjunto dos gastos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, a participação ficou em 2,7%.
Poder Judiciário teve R$ 9,8 bilhões em verbas indenizatórias
Entre as despesas contabilizadas em 2025 estão as chamadas verbas indenizatórias, que totalizaram R$ 9,8 bilhões. A categoria reúne diferentes pagamentos relacionados às atividades de magistrados e servidores.
Nesse grupo estão despesas como diárias, passagens, auxílio-moradia e outros valores vinculados ao exercício das funções. Segundo o CNJ, entretanto, o total registrado nessa rubrica não representa exclusivamente pagamentos realizados diretamente aos integrantes da magistratura.
Despesas também incluem capacitação e deslocamentos
Parte dos valores classificados como verbas indenizatórias está relacionada a despesas indiretas de recursos humanos. Entre elas estão treinamentos, capacitações e deslocamentos realizados dentro de iniciativas relacionadas ao acesso à Justiça.
O tema ganhou destaque em 2026 em meio às discussões sobre pagamentos adicionais que poderiam ultrapassar o limite estabelecido pela Constituição. Em março, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu novas regras para as verbas indenizatórias destinadas à magistratura e ao Ministério Público.
A decisão estabeleceu limites para pagamentos adicionais e determinou que benefícios não podem ser criados sem previsão em legislação federal específica.
Investimentos em tecnologia chegaram a R$ 4,4 bilhões
A área de tecnologia também recebeu recursos significativos dos tribunais brasileiros. Em 2025, foram destinados R$ 4,4 bilhões para informática, incluindo aquisição de equipamentos, sistemas e outras ferramentas tecnológicas.
O investimento representou 2,6% de todas as despesas realizadas pelo Poder Judiciário durante o ano. O montante, porém, ficou abaixo dos R$ 9,8 bilhões contabilizados na categoria de verbas indenizatórias.
Os recursos destinados à tecnologia abrangem iniciativas voltadas à infraestrutura e aos sistemas utilizados pelos tribunais para a execução de suas atividades.
Arrecadação da Justiça alcançou R$ 68,2 bilhões
Apesar das despesas de R$ 164,6 bilhões, as atividades relacionadas ao Judiciário também geraram R$ 68,2 bilhões em receitas durante 2025. O montante correspondeu a aproximadamente 41% dos gastos registrados no mesmo período.
Na comparação com 2024, entretanto, houve redução de 8,9% na arrecadação.
Entre as principais fontes de recursos estão custas, taxas e emolumentos, que somaram aproximadamente R$ 30 bilhões. As execuções fiscais representaram R$ 16,2 bilhões, enquanto os impostos associados a heranças e inventários chegaram a R$ 15 bilhões.
O CNJ destaca que a função do Poder Judiciário não é arrecadatória. De acordo com o conselho, os valores obtidos são consequência das atividades desenvolvidas pelos tribunais e, por esse motivo, não devem ser utilizados isoladamente como indicador para avaliar o desempenho do Judiciário.
Justiça do Trabalho apresenta maior proporção de gastos com pessoal
A distribuição das despesas também varia entre os diferentes segmentos da Justiça brasileira. Em 2025, a Justiça do Trabalho registrou a maior participação dos gastos com pessoal em relação ao total de suas despesas. Nesse ramo, os custos relacionados a magistrados e servidores representaram 95,8% das despesas.
Considerando todo o Poder Judiciário, os vencimentos básicos foram responsáveis por 78% das despesas com pessoal. Os benefícios corresponderam a 10,4%, enquanto as verbas indenizatórias representaram 6,6% desse conjunto de gastos.

