O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15% nos valores do Bolsa Família, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. O valor médio recebido pelas famílias também será alterado, passando de R$ 675 para R$ 777. O anúncio ocorre a 17 dias do primeiro turno das eleições gerais de 2026, marcado para 4 de outubro.
Bolsa Família terá novo valor mínimo
Com o reajuste anunciado pelo governo, o valor mínimo pago pelo Bolsa Família será elevado em R$ 91. A mudança representa uma alta de 15% sobre o piso atualmente estabelecido em R$ 600.
Além do aumento no valor mínimo, o benefício médio deverá passar de R$ 675 para R$ 777. O governo, no entanto, ainda não informou quando os novos valores começarão efetivamente a ser pagos aos beneficiários.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, o impacto financeiro estimado da medida será de aproximadamente R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027.
De acordo com o ministro Bruno Moretti, o percentual anunciado corresponde à recomposição da inflação acumulada desde o início do atual governo, em 2023, até agosto de 2026.
Como funciona o Bolsa Família
O programa de transferência de renda atende famílias que se encontram dentro dos critérios estabelecidos pelo governo federal. Para ter acesso ao benefício, a renda mensal por pessoa da família deve ser de até R$ 218.
Outro requisito é que os integrantes da família estejam inscritos no Cadastro Único e mantenham os dados cadastrais atualizados. O programa também estabelece compromissos relacionados às áreas de saúde e educação.
Em agosto de 2026, aproximadamente 19,3 milhões de famílias receberam pagamentos do Bolsa Família em todo o país.
Benefícios adicionais
O valor recebido por cada família pode variar de acordo com sua composição. Além do benefício mínimo, existem pagamentos complementares destinados a determinados grupos.
Entre eles estão o adicional de R$ 150 para cada criança de até 6 anos, R$ 50 para gestantes, R$ 50 para jovens de 7 a 18 anos incompletos e R$ 50 para bebês de até 6 meses.
Dessa forma, o valor final recebido por uma família depende da quantidade e das características dos integrantes registrados no programa.
Histórico do benefício de R$ 600
O piso de R$ 600 foi estabelecido durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, no período em que o então Auxílio Brasil substituiu o programa de transferência de renda utilizado anteriormente.
O Auxílio Brasil havia sucedido o Auxílio Emergencial criado durante a pandemia de covid-19. Posteriormente, durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, o programa voltou a adotar oficialmente o nome Bolsa Família.
O novo reajuste anunciado agora altera novamente o valor mínimo utilizado como referência para os pagamentos do programa.
Orçamento para os próximos anos
A mudança nos valores do Bolsa Família também ocorre em meio às discussões sobre o orçamento federal. No mês passado, o governo encaminhou ao Congresso Nacional a proposta orçamentária para 2027 sem prever inicialmente um reajuste nos valores do programa.
Com o anúncio desta quinta-feira, entretanto, as estimativas de despesas precisarão considerar o impacto financeiro provocado pela elevação dos benefícios.
Segundo as projeções apresentadas pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, o custo adicional deverá alcançar R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e chegar a R$ 22 bilhões em 2027.
Pesquisa eleitoral mostra cenário disputado
O anúncio do reajuste ocorre no mesmo período em que novas pesquisas eleitorais apresentam um cenário de disputa acirrada para a eleição presidencial de 2026.
Levantamento Futura/100% Cidades divulgado nesta quinta-feira (17) aponta que, em uma simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o senador aparece numericamente com 48,1% das intenções de voto, enquanto o atual presidente registra 43,7%. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais, o que coloca os dois resultados dentro de uma situação de empate técnico.
No cenário de primeiro turno apresentado pelo mesmo levantamento, Lula aparece com 38,3% e Flávio Bolsonaro com 37,7%. Também foram testados cenários envolvendo outros candidatos à Presidência.
Aprovação do governo
A pesquisa também avaliou a percepção dos entrevistados sobre o governo federal. De acordo com os dados divulgados, 53,1% disseram desaprovar a administração de Lula, enquanto 44,1% afirmaram aprová-la. Na avaliação geral da gestão, 47,2% classificaram o governo como ruim ou péssimo. Outros 36,5% consideraram a administração ótima ou boa, enquanto 15,8% responderam que ela é regular.
O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre os dias 11 e 15 de setembro de 2026. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00749/2026.

