Trabalhadores dos Correios aprovaram uma greve por tempo indeterminado após assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10). Segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), sindicatos de diferentes estados aderiram à paralisação depois que as negociações da campanha salarial terminaram sem consenso entre a categoria e a empresa.
Correios adotam medidas para manter operações
Após a aprovação da greve, os Correios informaram que colocaram em prática um plano destinado a garantir a continuidade dos serviços e diminuir possíveis impactos para os clientes.
Entre as providências anunciadas estão a reorganização das equipes, o aumento do suporte às atividades operacionais e a utilização de estratégias logísticas específicas. A empresa afirma que as medidas têm como objetivo manter a regularidade das entregas e preservar o funcionamento da rede durante o período de paralisação.
A extensão dos efeitos da greve, entretanto, pode variar de acordo com a adesão dos trabalhadores em cada região. Até o momento, não há informações consolidadas sobre o funcionamento de todos os serviços em cada estado.
Plano de saúde é um dos principais impasses
De acordo com a Findect, uma das questões que mais dificultaram o avanço das negociações está relacionada ao plano de saúde oferecido aos funcionários dos Correios.
A entidade sindical afirma que a direção da empresa pretende implementar mudanças no benefício, enquanto os trabalhadores consideram o tema uma das principais questões da campanha salarial.
Segundo a federação, antes da decisão pela paralisação foram realizadas diversas reuniões entre representantes dos funcionários e da empresa. Também houve tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas as partes não chegaram a um entendimento.
A Findect informou que a categoria optou pela greve após considerar insuficientes as alternativas apresentadas durante o processo de negociação.
Situação na Paraíba
Na Paraíba, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos do estado (Sintect-PB), Tony Sérgio, afirmou que, durante a paralisação, somente atividades administrativas internas permanecem em funcionamento.
A informação, porém, não significa que a mesma situação esteja ocorrendo em todas as unidades dos Correios espalhadas pelo país. O funcionamento dos serviços pode depender da adesão dos trabalhadores e da organização das operações em cada localidade.
Correios enfrentam dificuldades financeiras
A greve ocorre em um período de forte pressão sobre as contas dos Correios. A empresa acumula 15 trimestres consecutivos com resultados negativos.
Somente nos primeiros seis meses de 2026, o prejuízo informado chegou a R$ 5,6 bilhões. Apesar do resultado, o desempenho registrado no segundo trimestre apresentou uma redução das perdas em comparação com os dois períodos anteriores: o primeiro trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025.
O primeiro trimestre deste ano havia registrado o maior prejuízo da história recente da empresa. A redução das perdas no trimestre seguinte foi interpretada nos dados financeiros como um movimento de melhora, embora a situação econômica dos Correios continue pressionada.
Empresa aguarda novo empréstimo
Além das dificuldades operacionais e das negociações trabalhistas, os Correios também aguardam uma nova operação de crédito para reforçar o caixa.
A expectativa da empresa é receber até 15 de setembro um empréstimo no valor de R$ 7 bilhões. A operação deverá envolver um grupo de instituições financeiras, incluindo bancos estrangeiros.
Entre as instituições mencionadas estão Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank, além do Banrisul. A estrutura da operação segue modelo semelhante ao financiamento obtido pela empresa no final do ano passado, quando foram disponibilizados R$ 12 bilhões.
O novo crédito já havia sido mencionado nas demonstrações financeiras referentes ao primeiro semestre de 2026, divulgadas pelos Correios no final de agosto.
Sindicatos que aderiram à greve
A paralisação conta com a participação de sindicatos de diversas regiões do Brasil. Entre as entidades que aprovaram ou indicaram adesão ao movimento estão:
- SINTECT-AC — Acre;
- SINTECT-AL — Alagoas;
- SINTECT-AM — Amazonas;
- SINTECT-AP — Amapá;
- SINTECT-BA — Bahia;
- SINTECT-CAS — Campinas;
- SINTECT-CE — Ceará;
- SINTECT-DF — Distrito Federal;
- SINTECT-ES — Espírito Santo;
- SINTECT-GO — Goiás;
- SINTECT-JFA — Juiz de Fora;
- SINTECT-MG — Minas Gerais;
- SINTECT-MT — Mato Grosso;
- SINTECT-RO — Rondônia;
- SINCORT-PA — Pará;
- SINTECT-PB — Paraíba;
- SINTECT-PE — Pernambuco;
- SINTECT-PI — Piauí;
- SINTCOM-PR — Paraná;
- SINTECT-RN — Rio Grande do Norte;
- SINTECT-RR — Roraima;
- SINTECT-RPO — Ribeirão Preto;
- SINTECT-RS — Rio Grande do Sul;
- SINTECT-SC — Santa Catarina;
- SINTECT-SE — Sergipe;
- SINTECT-SJO — São José do Rio Preto;
- SINTECT-SMA — Santa Maria;
- SINTECT-TO — Tocantins;
- SINTECT-URA — Uberaba;
- SINTECT-VP — Vale do Paraíba;
- SINDECTEB — Bauru e região;
- SINTECT-MA — Maranhão;
- SINTECT-MS — Mato Grosso do Sul;
- SINTECT-RJ — Rio de Janeiro;
- SINTECT-Santos — Santos e região;
- SINTECT-SP — São Paulo.
No Acre, a assembleia estava prevista para ocorrer nesta sexta-feira (11), conforme as informações divulgadas pela entidade.

