*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A passagem do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) por Mato Grosso, na última segunda-feira, dia 31 de agosto, continua gerando repercussão e evidenciando os bastidores da articulação política do partido no estado. O senador e candidato ao Governo pelo PL, Wellington Fagundes, falou após ficar inicialmente de fora dos compromissos centrais da visita, detalhando o esforço de última hora para conseguir se encontrar com o presidenciável.
A visita de Flávio Bolsonaro teria sido organizada pelo candidato ao Senado José Medeiros (PL) e pelo empresário Odílio Balbinotti Filho, primeiro suplente e coordenador da campanha presidencial no estado. A ausência de Wellington Fagundes nas agendas gerou repercussão nos bastidores, sendo interpretada como um distanciamento entre o candidato ao Governo e o núcleo que comanda a campanha do PL em solo mato-grossense.
Mesmo contra a recomendação da assessoria, que avaliava ser o momento de focar na preparação para um debate eleitoral, Wellington decidiu alterar a rota de última hora e embarcar para Campo Novo do Parecis.
“Eu tenho a prova! Quem coordenou tudo foi o cacique que esteve aqui. Eu estou em plena campanha e tive que fazer um esforço muito grande, mesmo contra a minha assessoria, porque era o momento de eu me preparar, mas tive que sair daqui às pressas”, afirmou Wellington.
O senador comparou a movimentação à do aliado José Medeiros. Segundo Fagundes, Medeiros também foi informado da visita em cima da hora e precisou de deslocamento arriscado para alcançar a comitiva.
“O Medeiros saiu daqui correndo, com um aviãozinho, até correndo risco de vida, para chegar lá. Da mesma forma, eu procurei chegar a tempo. Eu cheguei a tempo e na hora possível para gravar com o Flávio. Está tudo publicado”, pontuou.
Para reforçar a proximidade ao grupo político nacional, Wellington Fagundes resgatou episódios passados, lembrando a visita do ex-presidente Jair Bolsonaro à região em abril do ano passado, quando visitou a fazenda do candidato a vice, Reinaldo Morais, conhecido como o “Rei do Porco”.
“Eu acho aquilo um momento supremo, solene, um momento religioso, em que um pastor ungiu os pés do Bolsonaro e o Reinaldo fez uma oração curvada. Mostra amizade. Por isso, o Reinaldo foi também sugerido para ser o meu vice pelo Bolsonaro e pela Michelle Bolsonaro. Se isso não é suficiente”, argumentou o senador.
A exclusão inicial de Wellington Fagundes na agenda com Flávio Bolsonaro, que passou por uma visita ao território indígena do povo Haliti-Paresi para conhecer a produção agrícola de 12 comunidades, acompanhado por Medeiros, Balbinotti, Thiago Boava e Cidinho Santos, marca a segunda vez em menos de duas semanas que o candidato ao Governo fica de fora de eventos do PL no estado.
No dia 21 de agosto, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha presidencial, esteve em Cuiabá para um almoço estratégico com cerca de 50 empresários e líderes do agronegócio, também articulado por Odílio Balbinotti, evento do qual Wellington também não integrou a linha de frente.

