*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O diretório estadual da legenda decidiu pelo afastamento do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, do comando da presidência municipal do partido, na última sexta-feira, dia 28 de agosto. A medida foi tomada após o chefe do Executivo municipal declarar publicamente apoio à candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao governo do Estado, contrariando as diretrizes oficiais da sigla.
A punição foi confirmada pelo dirigente estadual do PL, Ananias Filho, que classificou a atitude do prefeito como um ato claro de insubordinação às normas e ao projeto político estabelecido pela direção partidária.
O racha veio à tona durante um evento político realizado na noite da última quinta-feira, dia 27 de agosto, em Rondonópolis. O ato contou com a presença do candidato ao Senado José Medeiros (PL), mas o ponto alto da noite foi a declaração explícita de Cláudio Ferreira em favor de Otaviano Pivetta para o governo estadual, mesmo o aliado pertencendo a outra legenda.
Durante o discurso, o prefeito assumiu publicamente que arcaria com as consequências da escolha política.
“São os meus candidatos. O meu candidato a governador é Otaviano Pivetta. É Otaviano Pivetta. E eu sei, meus amigos, que vou pagar um preço, porque ele não faz parte do meu partido”, declarou Cláudio Ferreira. Em seguida, justificou a postura.
“Mas os partidos existem para as pessoas, e não as pessoas existem para os partidos. Servir as pessoas com generosidade, com empatia, é o que me faz apoiar o senhor”.
Com o afastamento formalizado nesta sexta-feira, a direção estadual comunicará o prefeito para que ele faça a entrega oficial do comando do diretório municipal e solicite a desfiliação da legenda.
O episódio em Rondonópolis reflete um momento de divergências de palanque dentro do PL em Mato Grosso em pleno ano eleitoral.
Enquanto a base estadual busca manter rigor partidário, prefeitos e lideranças locais vêm costurando apoios pragmáticos regionais. Recentemente, outro nome da legenda, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), também manifestou resistência às imposições da cúpula ao se envolver em articulações de composição formalizada com o MDB, incluindo a movimentação em torno da indicação de Janaina Riva (MDB) para compor chapa majoritária na mesma coligação.

