Uma mulher de 38 anos foi condenada pela Justiça de Santa Catarina após se passar por uma menina de 12 anos e permanecer por mais de um ano na convivência de uma família em Joinville, no Norte do estado. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), as provas reunidas durante a investigação demonstraram que Amanda Maria Souza de Oliveira tinha condições de compreender que suas ações eram ilícitas. Ela recebeu condenações pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
Mulher é condenada pela Justiça de Santa Catarina
A sentença foi proferida na quinta-feira (20). Amanda foi condenada a penas de 1 ano, 6 meses e 10 dias de reclusão e de 4 meses e 18 dias de prisão, com início do cumprimento em regime semiaberto.
Durante a audiência, o promotor de Justiça Ricardo Paladino, que participou do caso, afirmou que a acusação conseguiu demonstrar a ocorrência dos crimes e a capacidade da ré de compreender a natureza das condutas praticadas.
A decisão considerou elementos reunidos ao longo da investigação, incluindo depoimentos de vítimas e testemunhas, além de informações obtidas a partir da análise de um aparelho celular apreendido. O conteúdo de parte dos documentos utilizados no processo permanece sob sigilo.
A sentença ainda pode ser contestada por meio de recurso.
Prisão preventiva é mantida
O MPSC, responsável pelo pedido de condenação, também solicitou que a prisão preventiva de Amanda fosse mantida. O argumento apresentado foi a necessidade de garantir o cumprimento da legislação e impedir uma possível repetição das condutas investigadas.
A solicitação foi aceita pela Justiça, mantendo a mulher presa após a sentença.
Por meio de nota, a defesa de Amanda informou que não concorda com a condenação. Os advogados afirmaram que pretendem apresentar as medidas judiciais e os recursos considerados cabíveis às instâncias superiores, com o objetivo de modificar a decisão e buscar o reconhecimento da inocência da ré.
Como a mulher conseguiu enganar a família
Amanda foi presa em 2 de junho, na residência da família de Joinville que a conhecia pelo nome de “Gabriele”. Segundo a investigação, os moradores acreditavam que ela era uma adolescente de 12 anos que teria sido vítima de maus-tratos.
A história começou a ser questionada depois que uma tia dos chamados pais adotivos passou a desconfiar da identidade apresentada pela mulher. Ao realizar pesquisas na internet, ela encontrou relatos de situações semelhantes envolvendo Amanda em outras regiões do país.
A investigação apontou que a estratégia utilizada para manter a falsa identidade envolvia diferentes comportamentos e alegações. Entre elas estava a afirmação de que Amanda teria autismo e de que sua aparência adulta seria consequência de um suposto uso forçado de hormônios durante a infância.
Investigação identificou outros casos
Em depoimento às autoridades, Amanda admitiu ter utilizado estratégia semelhante em diferentes localidades. Entre os lugares mencionados estão Curitiba, no Paraná, e Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, além dos estados de Minas Gerais, Goiás e Ceará.
Em Joinville, a mulher passou a integrar a rotina da família como se fosse uma filha adotiva. Durante o período em que permaneceu no imóvel, recebeu tratamento compatível com o de uma criança, incluindo um quarto com decoração infantil, brinquedos e comemoração de aniversário.
Segundo informações da Polícia Civil, a investigada teria desenvolvido uma relação de forte dependência emocional com os integrantes da família, o que contribuiu para manter a história apresentada durante o período em que viveu no local.
Comportamentos usados para sustentar a identidade falsa
Para reforçar a aparência de uma menina, a mulher teria adotado comportamentos infantis no cotidiano. A investigação apontou que ela utilizava mamadeira, chupeta e um objeto conhecido como “cheirinho” para dormir.
Também foram identificadas situações nas quais Amanda teria simulado crises de pânico durante a noite. Além disso, segundo os investigadores, ela modificava a voz para deixá-la mais infantil e demonstrava comportamentos de dependência e carência diante da família.
Essas atitudes teriam contribuído para que os moradores acreditassem na identidade apresentada e mantivessem a relação de acolhimento com a então suposta adolescente.
Provas apresentadas no processo
O processo reuniu diferentes elementos utilizados para embasar a acusação. Entre as provas estão o resultado da análise do celular apreendido, relatos das pessoas envolvidas e depoimentos de testemunhas. A Justiça e a defesa mantêm sob sigilo o conteúdo detalhado de parte dos documentos que serviram de base para a sentença. Por esse motivo, nem todas as informações relacionadas às provas foram divulgadas publicamente.
O caso continua sujeito às medidas previstas na legislação, já que a defesa anunciou que pretende recorrer da condenação.

