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20 de agosto de 2026 07:21

OpiniãoMT > Blog > Caso INSS > Proteção? PF demora 7 meses para entregar sigilo de Lulinha a Mendonça
Caso INSS

Proteção? PF demora 7 meses para entregar sigilo de Lulinha a Mendonça

PF demora mais de sete meses para enviar dados de Lulinha ao ministro André Mendonça, em investigação sobre fraudes no INSS.

Redação OPMT
Publicado em: 19 de agosto de 2026
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9 Minutos de Leitura
Proteção? PF demora 7 meses para entregar sigilo de Lulinha a Mendonça
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A Polícia Federal levou mais de sete meses para encaminhar ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), informações obtidas por meio das quebras de sigilo de Lulinha, nome pelo qual é conhecido Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A demora no compartilhamento do material aumentou o desgaste entre o ministro e integrantes da cúpula da corporação, em meio às investigações relacionadas a suspeitas de irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Mendonça determinou quebra de sigilos de Lulinha

André Mendonça é responsável pela relatoria, no STF, de investigações que envolvem as suspeitas de fraudes no INSS, o Banco Master e Lulinha. Em dezembro de 2025, o ministro autorizou a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático do filho do presidente da República.

A medida foi determinada no contexto das apurações sobre possíveis desvios que teriam atingido aposentados e pensionistas. O objetivo das diligências era reunir informações que pudessem contribuir para esclarecer eventuais vínculos financeiros, comunicações e movimentações relacionadas aos investigados.

O material, entretanto, não teria sido encaminhado ao gabinete do ministro dentro do período esperado. Diante da demora, Mendonça determinou que a Polícia Federal entregasse os dados brutos obtidos durante as diligências, incluindo o conteúdo integral resultante das medidas autorizadas judicialmente.

A determinação provocou reação dentro da corporação. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, integrantes da PF interpretaram a exigência como uma possível interferência na condução das investigações. A instituição chegou a consultar a Advocacia-Geral da União (AGU) sobre a possibilidade de contestar a decisão perante o STF, mas não houve apresentação de recurso.

Lulinha aparece entre os alvos da investigação

A condução do caso envolvendo Lulinha já vinha sendo acompanhada com questionamentos sobre o ritmo das diligências. Informações divulgadas anteriormente apontaram que o ministro teria recebido alertas sobre possíveis mudanças na condução do inquérito.

Entre os pontos levantados estava a possibilidade de substituição do delegado Guilherme Figueiredo Silva, que estaria à frente da apuração relacionada às suspeitas de irregularidades no INSS.

Mendonça também teria buscado esclarecimentos sobre a demora na análise de aparelhos celulares apreendidos durante etapas da operação. A justificativa apresentada teria sido a existência de limitações relacionadas ao efetivo disponível para realizar o trabalho.

Posteriormente, o ministro teria sido informado de que Lulinha, apesar de aparecer como um dos alvos considerados relevantes para a investigação, havia sido colocado em uma posição posterior na ordem de análise dos investigados.

Inquérito voltou para a relatoria de Mendonça

Outro episódio citado na apuração envolve uma tentativa de separar a investigação sobre Lulinha do conjunto principal de inquéritos relacionados ao caso do INSS. A eventual separação poderia resultar na retirada do processo da relatoria de André Mendonça. No entanto, após o procedimento de distribuição eletrônica realizado no STF, o novo inquérito acabou novamente encaminhado ao gabinete do ministro.

A partir disso, Mendonça autorizou a abertura de uma investigação específica envolvendo suspeitas de corrupção e tráfico de influência atribuídas a Lulinha.

Investigação analisa relação de Lulinha com empresários

Entre as linhas de investigação está a possível relação de Lulinha com a empresária Roberta Luchsinger e Marco Antônio Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupou o cargo de chefe de gabinete do presidente Lula.

Os investigadores apuram se Lulinha teria utilizado sua influência para facilitar negócios de empresas junto a órgãos do governo federal. Um dos episódios analisados envolve uma possível intermediação relacionada ao Ministério da Saúde e à aquisição de medicamentos produzidos à base de cannabis.

Segundo informações atribuídas à Polícia Federal, mensagens localizadas durante as diligências indicariam contatos entre Roberta Luchsinger e Marcola. Em uma das comunicações, a empresária teria encaminhado um modelo de contrato relacionado ao fornecimento dos medicamentos.

Os investigadores também encontraram uma mensagem relacionada à aquisição de joias. De acordo com os dados divulgados sobre o inquérito, os itens teriam sido comprados por Luchsinger para Ribeiro e foram avaliados em aproximadamente R$ 9,2 mil.

Esses elementos fazem parte de uma das investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal e que têm Lulinha entre os alvos. O foco das apurações inclui possíveis práticas de corrupção e tráfico de influência.

Empresa teria transferido R$ 150 mil para amiga de Lulinha

Outro ponto analisado pelos investigadores envolve a empresa 3Structure It Ltda. Conforme relatório da Polícia Federal citado pelo Metrópoles, a companhia teria realizado um pagamento de R$ 150 mil para Roberta Luchsinger.

A empresa aparece nas investigações como uma das companhias que teriam buscado apoio de Lulinha para tratar de interesses junto ao governo federal. Em 31 de julho, André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito destinado a investigar possíveis práticas de tráfico de influência relacionadas à atuação atribuída ao empresário junto à Dataprev e a outros órgãos públicos.

A apuração ainda não estabeleceu, de forma definitiva, responsabilidade criminal. A defesa de Lulinha contesta as suspeitas e questiona a maneira como as investigações vêm sendo conduzidas.

Jornalista já havia questionado andamento do caso

A demora na apuração envolvendo Lulinha também foi abordada anteriormente pelo jornalista Claudio Dantas durante o programa ALive. Na ocasião, Dantas questionou Mendonça sobre o ritmo das diligências e mencionou informações segundo as quais a investigação envolvendo o filho do presidente Lula teria sido deixada para um momento posterior às eleições.

O jornalista também relatou que o delegado responsável pela apuração teria sido afastado da função depois de defender o avanço das diligências. Durante a discussão, Dantas comparou o andamento da investigação envolvendo Lulinha com outras apurações autorizadas pelo ministro. Entre os exemplos mencionados estava o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e a chamada operação Dark Horse.

As declarações fazem parte do contexto que antecedeu o aumento das divergências entre o gabinete de Mendonça e a direção da Polícia Federal.

Crise entre Mendonça e direção da Polícia Federal

A demora para encaminhar os dados das quebras de sigilo não foi o único ponto de atrito entre André Mendonça e a cúpula da Polícia Federal. O ministro também teria questionado alterações na estrutura responsável pelas investigações relacionadas às suspeitas de fraude no INSS. A situação contribuiu para aumentar a tensão entre o gabinete do STF e a direção da corporação.

Em 6 de agosto, 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram uma manifestação conjunta em apoio ao diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues. O posicionamento ocorreu em meio à escalada das divergências relacionadas às investigações do INSS e ao inquérito que envolve Lulinha.

Governo tenta reduzir tensão

Diante do aumento do conflito institucional, integrantes do governo federal participaram de conversas para tentar diminuir o impasse. O ministro da Justiça, Wellington César, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, conversaram com Mendonça e sugeriram uma reunião com Andrei Rodrigues. A proposta tinha como objetivo tratar das divergências envolvendo a condução das investigações.

Até o momento, a apuração sobre Lulinha continua em andamento. A Polícia Federal busca esclarecer possíveis relações entre empresários, agentes públicos e empresas que aparecem nos documentos analisados.

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