Os bancários de diferentes regiões do Brasil aprovaram a realização de uma paralisação de 24 horas na quinta-feira (20), durante assembleias promovidas na segunda-feira (17). A mobilização ocorre após a categoria rejeitar pontos apresentados pela Federação Nacional dos Bancos (Fenab) durante as negociações da Campanha Nacional Unificada 2026.
Bancários rejeitam proposta apresentada pelos bancos
A decisão foi tomada depois que a representação dos bancos não apresentou um percentual de reajuste salarial aos trabalhadores. Entre os pontos discutidos também esteve a possibilidade de manter congelado o piso de entrada para novos empregados, além da adoção de reajustes distintos conforme três faixas salariais.
Segundo as entidades que representam os trabalhadores, os critérios para aplicação dessas faixas não foram apresentados de forma detalhada durante a rodada de negociação.
Outro ponto que provocou reação da categoria envolveu os benefícios de alimentação. Durante uma reunião realizada na quinta-feira (13), que se estendeu por aproximadamente oito horas, foi discutida a possibilidade de redução dos valores dos vales-refeição e alimentação para trabalhadores de cidades do interior.
Os representantes dos bancos também teriam mencionado a possibilidade de levar a questão ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). Após uma pausa nas tratativas, porém, a proposta de redução dos benefícios foi retirada da mesa.
Paralisação ainda depende de novas negociações em algumas bases
A mobilização foi divulgada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e por sindicatos da categoria em diferentes estados.
No Distrito Federal, os trabalhadores aprovaram o indicativo de paralisação, mas estabeleceram uma condição. A adesão de Brasília ao movimento nacional será confirmada caso as negociações previstas para terça-feira (18) e quarta-feira (19) não apresentem resultados considerados satisfatórios pela categoria.
As entidades sindicais afirmam que a paralisação terá duração de 24 horas e será utilizada como forma de pressionar pela continuidade das negociações.
Negociações entre bancários e bancos continuam
O Comando Nacional dos Bancários tem nova reunião marcada com a representação dos bancos nesta terça-feira (18). O encontro corresponde à oitava rodada de negociações da campanha salarial deste ano.
As discussões começaram em 24 de junho, quando os trabalhadores entregaram oficialmente a pauta de reivindicações. Desde então, foram realizadas sete rodadas, envolvendo temas relacionados a salários, empregos, tecnologia, saúde ocupacional, igualdade de oportunidades e outras cláusulas econômicas e sociais.
A continuidade das negociações poderá definir os próximos passos do movimento e também determinar se a paralisação programada para quinta-feira será mantida nas diferentes bases sindicais.
Rejeição foi registrada em diferentes estados
As assembleias realizadas em várias regiões apresentaram índices elevados de rejeição à proposta discutida com os bancos.
Na Paraíba, 96,48% dos participantes votaram contra a proposta apresentada. Na mesma base, 95,02% aprovaram a realização da paralisação de 24 horas.
Em São Paulo, a rejeição chegou a 97,66%, enquanto 89,34% dos trabalhadores que participaram da votação foram favoráveis ao movimento.
No Rio de Janeiro, 1.808 trabalhadores participaram da votação. Desse total, 1.760 rejeitaram a proposta dos bancos e 1.709 aprovaram a paralisação prevista para quinta-feira.
Os resultados reforçaram a mobilização das entidades sindicais para as próximas rodadas de negociação.
O que os bancários reivindicam
Entre as principais reivindicações apresentadas pelos bancários estão a obtenção de aumento real nos salários e demais verbas, além da valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
A categoria também solicita a recomposição dos valores dos benefícios de alimentação e refeição. Outros pontos incluem a manutenção dos postos de trabalho, a interrupção do fechamento de agências e a contratação de novos trabalhadores.
Metas, saúde e igualdade também estão na pauta
As entidades que representam os trabalhadores também defendem medidas contra metas consideradas abusivas e contra práticas de assédio relacionadas ao uso de sistemas e ferramentas tecnológicas.
A pauta inclui ainda ações voltadas à igualdade de oportunidades para mulheres, negros, pessoas com deficiência e integrantes da população LGBTQIA+.
Outro pedido é a criação de um piso salarial específico para trabalhadores da área de Tecnologia da Informação (TI). A Contraf-CUT também defende a manutenção de uma mesa única de negociação e da cobertura da Convenção Coletiva de Trabalho para os profissionais do setor bancário.
Dados apresentados pelos trabalhadores
As entidades sindicais também utilizam indicadores financeiros e trabalhistas para justificar as reivindicações durante a campanha.
Segundo dados apresentados pelo Comando Nacional, o patrimônio líquido do setor bancário alcançou R$ 1,2 trilhão em 2025. A entidade também aponta que o lucro por trabalhador chegou a aproximadamente R$ 438 mil.
Outro dado citado nas negociações envolve o vale-alimentação. De acordo com o levantamento apresentado pelos trabalhadores, o benefício acumulou perda real de 13% entre 2019 e 2025. Para recuperar o poder de compra registrado em 2019, o valor mensal, segundo a entidade, teria de passar de R$ 924,47 para R$ 1.293,73.
Os representantes da categoria também apontam mudanças no mercado de trabalho do setor. Entre 2015 e 2025, teriam sido eliminados cerca de 88 mil postos de trabalho e fechadas aproximadamente 9,5 mil agências.
No mesmo período, os cinco maiores bancos teriam aumentado em 49% os contratos com empresas terceirizadas.
Atendimento presencial ainda é apontado como demanda
Representantes dos trabalhadores também chamam atenção para a procura por atendimento presencial nas agências bancárias. Segundo a entidade sindical do Rio de Janeiro, o movimento nas unidades aumenta especialmente no início do mês, quando aposentados e outros clientes procuram atendimento presencial.
A representação dos trabalhadores também cita dados segundo os quais milhões de brasileiros ainda não possuem acesso à internet, o que mantém a necessidade de canais físicos para determinados serviços bancários.

