*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) anunciou a saída de Mauro Carvalho Junior do cargo de secretário-chefe da Casa Civil, na última terça-feira, dia 11 de agosto. A decisão ocorre em meio aos desdobramentos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal, na qual Carvalho figura entre os investigados. Para preencher a vaga, o governador reconduziu Adjaime Ramos de Souza ao comando da secretaria.
Com a saída de Mauro Carvalho, a pasta retorna às mãos de Adjaime Ramos de Souza, que até então ocupava o cargo de secretário adjunto de Relação com Municípios dentro da própria Casa Civil. Adjaime já havia comandado a secretaria antes da chegada de Carvalho à gestão e assume novamente a função com experiência na articulação governamental.
A CARTA DE RENÚNCIA DE MAURO CARVALHO
Em uma carta aberta divulgada no mesmo dia do anúncio, Mauro Carvalho detalhou os motivos da saída, enfatizando que retornou ao serviço público motivado unicamente por lealdade e gratidão ao grupo político, e não por ambição pessoal. Carvalho destacou que deixa o cargo para se dedicar à família, aos negócios e à defesa da inocência dele frente às investigações da Operação Heritage, que apura um esquema de desvio e ocultação de mais de R$ 308 milhões originados de um acordo tributário entre o Estado de Mato Grosso e a empresa Oi S.A.
Na manifestação, Carvalho fez questão de pontuar três fatos objetivos sobre a situação jurídica. O ex-secretário ressaltou que o pedido de afastamento do cargo, requerido pela autoridade policial, foi expressamente indeferido pelo Supremo Tribunal Federal, que acolheu o parecer da Procuradoria-Geral da República por ausência de indícios de uso do cargo para fins ilícitos. Destacou que o processo está em fase investigativa, sem denúncia formal, processo criminal ou condenação, servindo a medida judicial apenas para apurar fatos. Afirmou ainda categoricamente que não participou do acordo com a Oi, período em que sequer ocupava cargos públicos entre dezembro de 2023 e abril de 2024, e que nenhum recurso oriundo da operação foi direcionado em benefício próprio ou de seus familiares.
“Deixo registrada minha solidariedade ao Procurador-Geral do Estado Dr. Francisco Lopes e ao Deputado Federal Fábio Garcia, que nesta mesma semana tiveram a honra exposta antes de qualquer contraditório […] Peço a Deus que a verdade prevaleça, e que ninguém seja condenado sem culpa, como aconteceu com Jesus diante de Pilatos”, pontuou Carvalho em trecho da carta.
A REAÇÃO DE OTAVIANO PIVETTA E OS PRECEDENTES DE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA
Durante pronunciamento à imprensa na última terça-feira, dia 11 de agosto, o governador Otaviano Pivetta saiu em defesa dos aliados investigados e classificou como “estranho” o fato de adversários políticos terem antecipado a deflagração da Operação Heritage pela Polícia Federal.
Pivetta traçou paralelos com episódios da própria trajetória e a de Mauro Mendes, lembrando que a exposição pública precipitada costuma funcionar como um julgamento antecipado.
O governador relembrou o episódio de maio de 2014, quando Mauro Mendes, então prefeito de Cuiabá, foi alvo da 5ª fase da Operação Ararath, com mandados de busca e apreensão em seu gabinete e residência devido a um empréstimo de R$ 3,4 milhões realizado em 2012. O caso foi arquivado em 2017 após pareceres favoráveis da PF e do Ministério Público Federal (MPF) atestarem a inexistência de irregularidades.
Pivetta também relembrou as acusações de violência doméstica que enfrentou e das quais foi inocentado em fevereiro de 2022, após a Justiça de Santa Catarina determinar o arquivamento por falta de elementos comprobatórios.
“Eu já fui vítima de acusação e depois provei minha inocência. Infelizmente, na vida pública, a gente primeiro é condenado, mesmo não devendo nada, não tendo culpa nenhuma no cartório, somos condenados primeiro. O Mauro Mendes, em 2014, era prefeito de Cuiabá, sofreu uma operação parecida com essa também e depois foi inocentado” declarou Pivetta.
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