A Polícia Federal concluiu a primeira etapa das investigações relacionadas ao Banco Master no âmbito da Operação Compliance Zero e avança para uma nova fase do caso. De acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira (5), o relatório final do inquérito está em fase de revisão antes de ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa é que o documento contenha pedidos de indiciamento de empresários e ex-dirigentes apontados como investigados durante a apuração.
Banco Master entra em nova etapa das investigações
Conforme as informações divulgadas, a Polícia Federal finalizou a primeira fase do inquérito que deu origem ao caso envolvendo o Banco Master. O relatório produzido pelos investigadores passa pelos últimos ajustes antes de ser enviado ao STF, responsável por acompanhar os desdobramentos da investigação.
Entre os nomes que devem constar no pedido de indiciamento estão o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o empresário Nelson Tanure.
A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, considerada uma das maiores ações da Polícia Federal voltadas ao combate de supostos crimes financeiros envolvendo instituições e agentes do mercado.
Situação dos principais investigados
Segundo a apuração, Daniel Vorcaro permanece preso preventivamente desde o dia 4 de março por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A decisão ocorreu após solicitação da Polícia Federal, que apontou suspeitas de ameaças a testemunhas ligadas ao caso.
Ainda conforme as investigações, Vorcaro apresentou duas propostas de colaboração premiada, mas ambas acabaram rejeitadas pelas autoridades responsáveis pela condução do processo.
A defesa do empresário poderá se manifestar ao longo da tramitação do inquérito e das eventuais ações judiciais decorrentes da investigação.
Ex-presidente do BRB também é alvo do inquérito
Outro nome citado pela Polícia Federal é Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB). Ele está preso desde 16 de abril de 2026. Conforme a investigação, Costa é suspeito de ter recebido aproximadamente R$ 146,5 milhões em vantagens indevidas, supostamente por meio da transferência de imóveis.
Os investigadores afirmam que esses valores estariam relacionados ao favorecimento de negociações envolvendo uma possível aquisição do Banco Master pelo BRB. As acusações fazem parte do relatório elaborado pela Polícia Federal e ainda serão analisadas pela Justiça.
Empresário Nelson Tanure também aparece na investigação
O empresário Nelson Tanure também integra a lista de investigados na Operação Compliance Zero. De acordo com a Polícia Federal, ele teria exercido influência sobre o Banco Master na condição de suposto sócio oculto, utilizando fundos de investimento e estruturas societárias para participação indireta na instituição financeira.
Apesar de não estar preso, Tanure foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a primeira fase da operação. O material recolhido pelos investigadores passou a integrar o conjunto de provas analisadas ao longo da apuração.
As investigações seguem em andamento, e eventuais responsabilidades criminais dependerão da análise do Ministério Público e das decisões do Poder Judiciário.
Operação Compliance Zero apura diversos crimes financeiros
Deflagrada em 17 de novembro de 2025, a Operação Compliance Zero ampliou seu alcance ao longo de dez fases, reunindo uma série de investigações sobre supostas irregularidades envolvendo operações financeiras e estruturas empresariais.
Entre os crimes investigados pela Polícia Federal estão a emissão de títulos de crédito considerados falsos, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, utilização irregular de fundos de investimento, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de sistemas informatizados e descumprimento de práticas de governança corporativa.
As diligências envolveram cumprimento de mandados judiciais, coleta de documentos, análises financeiras e depoimentos de testemunhas, formando a base do relatório que agora será submetido ao Supremo Tribunal Federal.

