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Leia: Recuperação judicial no Agro cresce 66% e cenário preocupa para 2027
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4 de agosto de 2026 18:50

OpiniãoMT > Blog > Agronegócio > Recuperação judicial no Agro cresce 66% e cenário preocupa para 2027
Agronegócio

Recuperação judicial no Agro cresce 66% e cenário preocupa para 2027

Levantamento aponta avanço da recuperação judicial no agronegócio brasileiro, com crescimento dos pedidos entre produtores rurais e empresas da cadeia.

Redação OPMT
Publicado em: 4 de agosto de 2026
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7 Minutos de Leitura
Recuperação judicial no Agro cresce 66% e cenário preocupa para 2027
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O número de pedidos de recuperação judicial envolvendo produtores rurais e empresas ligadas ao agronegócio brasileiro continua em trajetória de crescimento e deve permanecer elevado nos próximos meses. A avaliação faz parte do mais recente Monitor RGF-Bizdoc, estudo elaborado pelas consultorias RGF e Bizdoc, especializadas em reestruturação empresarial, que acompanha a evolução dos processos de insolvência no país. O levantamento indica que o setor enfrenta um ambiente de forte pressão financeira, impulsionado por custos elevados, margens reduzidas e dificuldades de acesso ao crédito.

Recuperação judicial avança no agronegócio

Os dados mostram que, ao final do primeiro semestre deste ano, 1.263 CNPJs de produtores rurais estavam em recuperação judicial. O volume representa crescimento de 21,4% em relação ao encerramento de 2025 e aumento de 66% quando comparado ao mesmo período do ano passado.

Segundo o estudo, o número também supera de forma significativa o levantamento divulgado no primeiro trimestre, que contabilizava 539 processos ativos. A diferença ocorreu porque a nova edição passou a incluir os microempreendedores rurais na base de dados, ampliando o retrato da situação financeira do setor.

Ao considerar toda a cadeia do agronegócio — incluindo fornecedores de insumos, agroindústrias e empresas de comercialização — o total chega a 1.575 CNPJs em recuperação judicial. Esse contingente corresponde a aproximadamente 20% de todos os processos ativos registrados no Brasil.

De acordo com Cláudio Damasceno, sócio sênior das consultorias responsáveis pelo levantamento e coordenador do Monitor, a participação do agronegócio nas recuperações judiciais é proporcionalmente muito superior à média nacional, evidenciando o grau de deterioração financeira enfrentado pelo segmento.

Cadeia da soja concentra maior número de casos

Entre as atividades agrícolas, a produção de soja permanece como a mais afetada. O levantamento identificou 589 produtores ligados à cultura em recuperação judicial, número equivalente a quase metade de todos os casos registrados nas propriedades rurais.

Na comparação com o final de 2025, houve crescimento de 26,7%. Em relação ao primeiro semestre do ano anterior, o total praticamente dobrou.

Somente nos seis primeiros meses deste ano, 124 novos sojicultores recorreram ao instrumento jurídico. Conforme a análise das consultorias, o avanço dos pedidos está relacionado às duas últimas safras comercializadas abaixo dos custos de produção, ao acúmulo de dívidas e à ausência de rentabilidade suficiente para reduzir os passivos financeiros durante o ciclo agrícola de 2025/26.

Outras cadeias também registram aumento

Embora a soja concentre o maior número absoluto de processos, diversas outras atividades apresentaram crescimento expressivo.

Entre os destaques aparecem:

  • Arroz, com aumento de 53,8% em relação ao fim de 2025;
  • Milho, que registrou crescimento de 45,2%;
  • Café, com alta de 44,4%;
  • Pecuária de corte, que contabilizou 19 novos pedidos durante o semestre;
  • Produção de leite, cujo número de produtores em recuperação judicial aumentou 257%, alcançando 50 casos ativos.

Segundo os responsáveis pelo estudo, cada cadeia produtiva enfrenta dificuldades específicas. Entretanto, existe um fator comum: grande parte da crise atual é consequência de problemas acumulados ao longo das últimas safras, refletindo impactos financeiros que se desenvolveram ao longo de meses ou até anos.

Crise financeira alcança empresas da cadeia produtiva

Os efeitos da inadimplência dos produtores já começam a atingir empresas que atuam antes e depois da produção agrícola.

O levantamento identificou crescimento das recuperações judiciais em praticamente todos os segmentos ligados ao agronegócio, incluindo:

Fornecedores de insumos

As revendas de fertilizantes e defensivos lideram o ranking, com 48 processos ativos.

Indústria e equipamentos

Na sequência aparecem fabricantes de rações, com 24 recuperações judiciais, além de concessionárias de máquinas agrícolas, que acumulam 17 processos.

Também houve aumento nos segmentos de usinas, laticínios, frigoríficos bovinos e empresas responsáveis pela comercialização de grãos e café.

As únicas exceções foram os setores de suínos, aves e moagem de trigo, que não apresentaram crescimento no número de processos durante o período analisado.

Sul e Centro-Oeste concentram maior número de processos

A distribuição geográfica demonstra maior concentração dos casos nas regiões Sul e Centro-Oeste.

O Sul contabiliza 392 produtores em recuperação judicial, impulsionado principalmente pelo Rio Grande do Sul. Já o Centro-Oeste registra 391 processos, com destaque para Mato Grosso.

Entre os estados, Mato Grosso lidera o ranking nacional com 196 produtores em recuperação judicial, seguido de perto pelo Rio Grande do Sul, que soma 194 registros ativos.

Pequenos produtores lideram crescimento dos pedidos

Outro aspecto apontado pelo Monitor RGF-Bizdoc é o avanço mais acelerado entre agricultores de pequeno porte.

Dos 874 produtores com processos ativos analisados nesse recorte, 54% pertencem à categoria de microempresas, enquanto 26% são pequenos produtores e 20% médios produtores rurais.

Desde o primeiro trimestre de 2023, o estoque de recuperações judiciais envolvendo microempresas rurais aumentou dez vezes. Entre os pequenos produtores, o crescimento foi próximo de nove vezes no mesmo intervalo.

Na avaliação das consultorias, esse movimento demonstra que o mecanismo jurídico passou a ser utilizado com maior frequência também pelos agricultores de menor porte, principalmente como alternativa para preservar patrimônio e reorganizar as finanças diante das dificuldades econômicas.

Perspectiva indica agravamento em 2027

A expectativa apresentada pelo estudo é de que o volume de pedidos continue crescendo durante o segundo semestre de 2026 e avance ainda mais ao longo de 2027.

Entre os fatores que sustentam essa projeção estão as margens reduzidas das últimas safras, o crédito bancário mais restritivo e o aumento dos custos de produção.

O cenário internacional também aparece como elemento de preocupação. As dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz, provocadas pelas tensões no Oriente Médio, podem elevar os preços dos fertilizantes, já que grande parte desses produtos passa pela região antes de chegar ao mercado brasileiro.

Embora exista expectativa de redução gradual da taxa Selic e de melhora nas condições comerciais de alguns produtos brasileiros no mercado internacional, os efeitos positivos dessas medidas devem ser percebidos apenas entre 2027 e 2028.

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