A definição do ministro Flávio Dino como relator do terceiro pedido de abertura de inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, marca mais um capítulo das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF). O caso envolve suspeitas de tráfico de influência para favorecer contratos públicos ligados a uma empresa do setor de tecnologia. A decisão sobre a abertura ou não da nova investigação caberá ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto a defesa do empresário contesta a condução dos procedimentos e afirma que há motivações político-eleitorais por trás das apurações.
Dino assume relatoria de novo pedido da Polícia Federal
O Supremo Tribunal Federal definiu, por sorteio, o ministro Flávio Dino como responsável por analisar o terceiro pedido de abertura de inquérito apresentado pela Polícia Federal contra Lulinha. A solicitação faz parte de uma série de investigações que apuram possíveis práticas de tráfico de influência relacionadas a contratos firmados pelo governo federal.
A nova apuração se soma a outras duas investigações autorizadas na semana anterior pelo ministro André Mendonça. Assim como nos procedimentos anteriores, os investigadores buscam esclarecer se houve atuação do empresário para facilitar interesses privados junto à administração pública.
Agora, caberá a Dino examinar os elementos apresentados pela Polícia Federal e decidir se há fundamentos suficientes para autorizar a instauração formal do inquérito.
O que investiga o terceiro pedido sob análise de Dino
Segundo as informações apresentadas pela Polícia Federal, o terceiro pedido de investigação envolve a empresa 3Structure IT Ltda., que atua no setor de tecnologia da informação e mantém contratos com o governo federal que, somados, chegam a aproximadamente R$ 50 milhões.
Os investigadores apuram se teria ocorrido eventual influência exercida por Lulinha para beneficiar a empresa na obtenção ou manutenção desses contratos públicos. Conforme as informações conhecidas até o momento, a companhia pertence a um empresário apontado como amigo de Lulinha.
Até a decisão do Supremo sobre a abertura do inquérito, não há acusação formal nem conclusão sobre eventual responsabilidade criminal dos investigados.
Investigações anteriores envolvem Saúde e Dataprev
Os dois primeiros inquéritos autorizados recentemente tratam de suspeitas semelhantes. Um deles está relacionado a contratos envolvendo o Ministério da Saúde, enquanto o outro aborda possíveis favorecimentos ligados à Dataprev.
As investigações seguem em fase inicial e têm como objetivo reunir elementos que permitam confirmar ou afastar as suspeitas levantadas pela Polícia Federal.
Defesa questiona legalidade das investigações
A defesa de Lulinha reagiu à sequência de pedidos de investigação e afirmou que as medidas representam um uso político-eleitoral da Polícia Federal.
Os advogados do empresário estiveram reunidos com representantes do Ministério da Justiça e também buscaram esclarecimentos junto ao Supremo Tribunal Federal para obter acesso aos autos dos procedimentos.
De acordo com o advogado Marco Aurélio de Carvalho, a defesa desconhece o conteúdo específico do terceiro pedido de investigação e afirma que sequer conseguiu consultar os documentos relacionados às apurações.
Segundo ele, a ausência de acesso ao material compromete o exercício pleno do direito de defesa e dificulta a compreensão sobre os fatos investigados.
Advogados afirmam não ter acesso aos autos
Além de Marco Aurélio de Carvalho, o advogado Guilherme Suguimori também declarou que a defesa não conseguiu consultar os processos.
Na avaliação dos defensores, a divulgação parcial de informações sobre as investigações, sem a disponibilização integral dos autos, levanta preocupações quanto à regularidade dos procedimentos adotados.
Os representantes de Lulinha sustentam que a publicidade seletiva das informações pode provocar desgaste à imagem do empresário antes mesmo da existência de qualquer conclusão oficial das investigações.
Até o momento, nem a Polícia Federal nem o Supremo Tribunal Federal divulgaram detalhes adicionais sobre os elementos que fundamentam o terceiro pedido de abertura de inquérito.
Histórico de Flávio Dino no governo e no STF
Antes de integrar o Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino ocupou o cargo de ministro da Justiça durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele assumiu uma cadeira na Suprema Corte em 2023, após ser indicado pelo presidente da República e aprovado pelo Senado Federal.
Na condição de relator sorteado, Dino deverá analisar exclusivamente os requisitos jurídicos do pedido apresentado pela Polícia Federal, decidindo se a investigação será oficialmente instaurada ou se haverá necessidade de diligências adicionais antes de qualquer deliberação.

