Os bancos brasileiros encerraram 2025 com lucro de US$ 45,8 bilhões, consolidando o maior resultado entre todas as instituições financeiras da América Latina. O desempenho representa um avanço de 34% na comparação com 2024 e coloca o Brasil na liderança regional em rentabilidade, segundo levantamento divulgado pela Federação Latino-americana de Bancos (Felaban). O crescimento foi impulsionado por fatores econômicos e pelas condições do mercado financeiro ao longo do ano.
Bancos brasileiros concentram maior lucro da região
Os números apresentados pela Felaban mostram que o sistema financeiro nacional registrou um desempenho bastante superior ao dos demais países latino-americanos. Em 2024, o lucro das instituições brasileiras havia alcançado US$ 34,1 bilhões. No ano seguinte, o montante avançou para US$ 45,8 bilhões.
O Brasil ficou à frente de países como México, que registrou US$ 17 bilhões em lucros, Chile, com US$ 5,8 bilhões, Peru, com US$ 4,2 bilhões, e Colômbia, que contabilizou US$ 3,8 bilhões. Somados, Brasil, México e Chile responderam por aproximadamente 70% de todo o lucro bancário registrado na América Latina durante 2025.
O levantamento evidencia a predominância do mercado brasileiro dentro do sistema financeiro regional, reforçando o peso econômico do país no setor.
Rentabilidade dos bancos atinge maior nível desde a pandemia
Além do elevado volume de ganhos, outro indicador chamou atenção no relatório: o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), utilizado para medir a capacidade das instituições financeiras de gerar lucro em relação ao capital investido pelos acionistas.
Em 2025, esse índice chegou a 16,7%, representando o maior percentual registrado desde o período da pandemia de Covid-19. O resultado demonstra que as instituições conseguiram manter elevados níveis de eficiência operacional mesmo diante de um cenário econômico desafiador.
Especialistas apontam que esse indicador é acompanhado de perto pelo mercado financeiro por revelar a capacidade das empresas de transformar investimentos em resultados financeiros consistentes.
Juros elevados influenciaram desempenho do setor
Entre os fatores que contribuíram para os resultados positivos das instituições financeiras está a manutenção da taxa Selic em níveis elevados durante boa parte de 2025.
Com juros mais altos, as operações de crédito passaram a gerar receitas maiores para o sistema financeiro, embora também tenham aumentado o custo das captações e elevado os riscos relacionados à inadimplência.
Outro aspecto frequentemente citado por analistas é a elevada concentração do mercado bancário brasileiro. Atualmente, os maiores grupos financeiros concentram cerca de dois terços das operações realizadas no país, fator que influencia diretamente a competitividade e os resultados do setor.
Esse cenário favorece instituições de grande porte, que contam com maior capacidade operacional, ampla carteira de clientes e forte presença em diferentes segmentos financeiros.
Especialistas destacam desempenho latino-americano
O desempenho das instituições financeiras da América Latina também foi analisado por especialistas internacionais.
Jonathan Fortun, economista do Instituto Internacional de Finanças (IIF), avaliou que a margem líquida de lucro registrada pelos bancos latino-americanos permaneceu acima da média observada em grandes instituições financeiras de outros mercados emergentes, desconsiderando a China.
Segundo a análise, a região apresentou resultados considerados robustos, refletindo características específicas dos sistemas financeiros locais e das condições econômicas enfrentadas ao longo do período.
Governo e setor financeiro apresentam interpretações diferentes
Os resultados também repercutiram no cenário político e econômico brasileiro. Durante um evento realizado no Instituto Butantan, em fevereiro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os elevados lucros registrados pelo sistema financeiro demonstram um ambiente econômico favorável.
Na ocasião, o presidente declarou que tanto o setor financeiro quanto o empresariado vêm alcançando resultados expressivos durante seu governo.
Por outro lado, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) apresentou uma avaliação diferente sobre os efeitos da política de juros elevados.
De acordo com a entidade, taxas de juros mais altas não significam, automaticamente, aumento dos lucros das instituições financeiras. A federação argumenta que esse cenário também amplia o custo de captação de recursos, aumenta os índices de inadimplência e exige maior cautela na concessão de financiamentos, reduzindo o ritmo das operações de crédito e seus impactos sobre a economia.
Digitalização reduz estrutura física e empregos
Enquanto os resultados financeiros seguem em crescimento, o setor bancário continua promovendo mudanças em sua estrutura operacional.
Levantamento do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região aponta que mais de 31 mil postos de trabalho foram encerrados entre 2020 e abril de 2026.
Além disso, o número de agências físicas sofreu uma redução de aproximadamente 37% na última década. A diminuição acompanha o avanço da digitalização dos serviços financeiros, o crescimento dos canais eletrônicos de atendimento e a estratégia das instituições de reduzir custos operacionais.
Com a ampliação do uso de aplicativos, internet banking e outros serviços digitais, parte significativa das operações passou a ser realizada sem necessidade de atendimento presencial, modificando o perfil do setor e a distribuição da rede bancária em todo o país.

