*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Começou nesta terça-feira, dia 28 de julho de 2026, no Fórum da Capital, o julgamento dos réus apontados como executor, intermediário e financiador do assassinato do advogado Roberto Zampieri, de 57 anos.
O crime ocorreu em dezembro de 2023, em Cuiabá. A sessão do Tribunal do Júri é conduzida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar de Cuiabá.
Sentam no banco dos réus Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Eles respondem por homicídio qualificado por motivo torpe, promessa de recompensa, emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima, uso de arma de fogo de uso restrito e concurso de pessoas.
DEFESA DE ETEVALDO CAÇADINI CLAMA POR INOCÊNCIA E CLASSIFICA PRISÃO COMO POLÍTICA
A abertura do julgamento foi marcada por fortes declarações da defesa do coronel reformado Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE) como o financiador da execução.
Em entrevista na manhã desta terça-feira, a advogada Sarah Quinetti Pironi classificou o cliente como vítima de uma injustiça e negou qualquer tipo de relação entre o militar e a vítima.
“São dois anos e oito meses esperando justiça. O coronel é um preso político e eu tenho certeza de que nós vamos provar. Isso era papel da acusação provar, mas o coronel não tem nada a ver com esse crime. Estamos acreditando na inocência do nosso cliente e vamos sair daqui vitoriosos. O coronel nunca ouviu falar no nome de Zampieri. Nunca soube quem é Zampieri na vida. Ele era amigo, sim, do Aníbal, mas não tem nada a ver com esse crime. Nós vamos provar isso no júri”, declarou a advogada.
Na mesma linha, o defensor e advogado Jaime Carvalho destacou a fragilidade das acusações reunidas ao longo do processo.
“Hoje será feita justiça. A defesa está muito confiante na insustentabilidade das provas que o Ministério Público carreou até agora. A estratégia? Você vai ter que assistir para ver”, afirmou.
A DINÂMICA DO CRIME E OS PAPÉIS NO HOMICÍDIO
De acordo com a denúncia do MPE, a atuação dos três réus julgados nesta etapa foi dividida em funções específicas.
-Antônio Gomes da Silva: Executor confesso do crime, admitiu ter efetuado os dez disparos de arma de fogo que mataram Roberto Zampieri na noite do crime, em frente ao escritório do advogado, na Capital.
-Hedilerson Fialho Martins Barbosa: Apontado como o intermediário do assassinato, fazendo o elo entre os mandantes e o executor.
-Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas: Apontado pela acusação como o financiador da empreitada criminosa.
MOTIVAÇÃO E DESDOBRAMENTOS
As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público apontam que o homicídio foi motivado por uma intensa disputa pela posse da Fazenda Lagoa Azul, situada no município de Paranatinga, avaliada em aproximadamente R$ 100 milhões. Os apontados como mandantes do crime são o casal Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo, cujos processos tramitam em separado.
O caso também gerou ramificações investigativas profundas conduzidas pela Polícia Federal, que mapeou a suposta atuação de parte dos acusados em um grupo criminoso autodenominado Comando C4 (“Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos”), além de desdobramentos paralelos sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais no âmbito do Poder Judiciário.
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Vídeo: Midia News
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