A despesa com alimentação continua pesando no orçamento das famílias brasileiras. Um levantamento divulgado pela empresa global de ciência de dados dunnhumby aponta que o gasto mensal médio com compras em supermercados chegou a R$ 1.073,98 por consumidor. O valor representa uma parcela significativa da renda familiar e evidencia como a inflação dos alimentos ainda influencia o planejamento financeiro da população.
Gasto mensal com supermercado representa parte importante da renda
O estudo foi realizado entre fevereiro e abril de 2026 e ouviu mais de 10 mil consumidores em diferentes regiões do Brasil. Os dados mostram que, em média, cada brasileiro destina pouco mais de R$ 1 mil por mês para abastecer a casa com alimentos e produtos essenciais.
Segundo a pesquisa, essa despesa corresponde a quase metade da renda estimada da maior parte das famílias participantes, reforçando o impacto que a alimentação exerce sobre o orçamento doméstico.
Além do valor elevado desembolsado todos os meses, o levantamento também identificou mudanças no comportamento dos consumidores, que passaram a buscar alternativas para reduzir custos sem abrir mão dos produtos considerados essenciais.
Como o gasto mensal influencia a escolha dos supermercados
Uma das principais estratégias adotadas pelos consumidores é dividir as compras entre diferentes estabelecimentos. De acordo com o levantamento, a maior parte dos entrevistados frequenta até quatro redes distintas de supermercados durante o mês.
A prática tem como objetivo comparar preços, aproveitar promoções e encontrar melhores condições de compra para cada categoria de produto. Essa mudança de hábito se tornou cada vez mais comum diante das oscilações nos preços dos alimentos e da necessidade de economizar.
O estudo aponta que essa diversificação permite ao consumidor identificar ofertas específicas e reduzir o impacto do aumento de preços em itens básicos da cesta de compras.
Supermercados tradicionais seguem liderando
Mesmo com a busca constante por economia, os supermercados convencionais continuam sendo os principais destinos dos consumidores brasileiros.
Os dados mostram que 74% dos entrevistados fazem compras regularmente nesse tipo de estabelecimento, que permanece como a principal opção para abastecimento das famílias.
Na sequência aparecem os atacarejos, que são frequentados por 63% dos participantes da pesquisa. O modelo tem conquistado espaço por oferecer preços mais competitivos, especialmente para quem compra em maior quantidade.
Comércio local mantém espaço nas compras
Além das grandes redes, o comércio de bairro também continua relevante para uma parcela dos consumidores.
Segundo o levantamento, 36% dos entrevistados afirmaram realizar compras mensais em feiras livres, hortifrutis, açougues e pequenos estabelecimentos locais. Esses locais costumam ser procurados principalmente para aquisição de alimentos frescos, frutas, verduras e carnes.
A preferência pelo comércio local também está relacionada à praticidade e, em alguns casos, à possibilidade de encontrar produtos com melhor qualidade ou preços mais atrativos em determinados períodos.
Inflação dos alimentos continua pressionando o orçamento
Embora os preços dos alimentos tenham registrado queda de 0,24% em junho, o acumulado dos últimos 12 meses ainda demonstra pressão sobre o bolso dos brasileiros.
Conforme os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no país, o grupo Alimentação e Bebidas acumula alta de 3,82% no período, mantendo impacto relevante sobre as despesas familiares.
Especialistas apontam que fatores como condições climáticas adversas, redução da oferta agrícola e efeitos da sazonalidade continuam influenciando o comportamento dos preços de diversos produtos consumidos diariamente.
Alimentos registram altas expressivas em 2026
Entre os produtos que mais encareceram ao longo de 2026, alguns alimentos registraram aumentos bastante elevados. O pepino lidera a lista, com valorização de 155,47% no ano. Em seguida aparecem a cenoura, que acumula alta de 103,14%, e o tomate, cujo preço avançou 82,41%.
Além desses itens, frutas e feijão seguem entre os produtos que mais pressionam o orçamento das famílias, reflexo da menor oferta provocada por fatores climáticos e pela sazonalidade das lavouras em diferentes regiões do país.
Essas variações reforçam a necessidade de planejamento nas compras e explicam o crescimento da busca por promoções e comparação de preços antes da decisão de compra.

