*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira, dia 21 de julho, a Operação Laço Oculto, com o objetivo de desarticular um esquema criminoso voltado à prática de extorsão, manipulação psicológica e lavagem de dinheiro. A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá.

Ao todo, estão sendo cumpridas 14 ordens judiciais expedidas pela Justiça, que incluem cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, um mandado de busca e apreensão de veículo, cinco mandados de sequestro de bens e três ordens de bloqueio de ativos financeiros.
Os bloqueios alcançam mais de R$ 3,3 milhões nas contas dos investigados. As diligências ocorrem simultaneamente nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande.
O ESQUEMA DE EXTORSÃO E MANIPULAÇÃO PSICOLÓGICA
De acordo com as investigações da Derf, o esquema teve como principal vítima uma servidora pública da Secretaria de Estado de Saúde (SES), que sofreu um prejuízo financeiro superior a R$ 1,1 milhão.

O plano criminoso era encabeçado por uma colega de trabalho da vítima, também lotada na SES. Entre os anos de 2022 e 2025, a investigada submeteu a servidora a um intenso processo de intimidação e controle psicológico. Utilizando-se de uma narrativa fantasiada sobre supostas dívidas com agiotas e o envolvimento de outro servidor público, a suspeita aterrorizava a vítima com ameaças graves direcionadas tanto a ela quanto aos familiares.

A suposta golpista convencia a colega de que criminosos perigosos sabiam quem elas eram e monitoravam seus passos. Apresentando-se como uma “protetora”, ela dizia ter capacidade de negociar a dívida diretamente com os agiotas e blindar a servidora. Acreditando estar em iminente perigo, a vítima passou a realizar transferências financeiras sucessivas para a conta da colega de trabalho sob o pretexto de quitar o débito e os juros, que a suspeita alegava aumentarem constantemente. Ao todo, a vítima transferiu R$ 1.132.680 diretamente para a conta da investigada.
DESTRUIÇÃO FINANCEIRA DA VÍTIMA
Para atender às falsas exigências de pagamento, a servidora pública foi levada ao limite da saúde financeira e emocional. Ela realizou empréstimos bancários vultosos, fez saques em cartões de crédito, resgatou integralmente recursos da previdência privada e até mesmo desviou verbas que seriam utilizadas na construção da residência.

Em um dos episódios mais graves do esquema, a vítima foi convencida a financiar uma caminhonete de luxo para o marido da própria investigada.
O ciclo de abusos psicológicos e financeiros só foi interrompido quando o marido da vítima percebeu o profundo abalo emocional da esposa, investigou a situação, descobriu as fraudes e a impediu de manter qualquer novo contato com a criminosa, registrando a denúncia formal junto às autoridades policiais.
LAVAGEM DE DINHEIRO E ALVOS DA OPERAÇÃO
As investigações da Polícia Civil apontam que a colega de trabalho não agia sozinha. O esquema criminoso contava com a participação de outras pessoas, incluindo um policial militar e indivíduos que atuavam no fluxo financeiro ilícito.
Parte significativa dos recursos extorquidos da servidora foi imediatamente repassada a terceiros. A análise das quebras de sigilo bancário revelou movimentações financeiras totalmente incompatíveis com os rendimentos formais dos investigados, além do uso de contas de passagem e saques em espécie. A polícia apurou que o grupo utilizava empresas de fachada para ocultar o patrimônio ilícito adquirido com o dinheiro da extorsão.

