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Polícia

Polícia Civil desarticula esquema de extorsão que causou prejuízo superior a R$ 1,1 milhão a servidora em Mato Grosso

Jornalista Mauad
Publicado em: 21 de julho de 2026
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4 Minutos de Leitura
Foto: Polícia Civil
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira, dia 21 de julho, a Operação Laço Oculto, com o objetivo de desarticular um esquema criminoso voltado à prática de extorsão, manipulação psicológica e lavagem de dinheiro. A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá.

Foto: Polícia Civil

Ao todo, estão sendo cumpridas 14 ordens judiciais expedidas pela Justiça, que incluem cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, um mandado de busca e apreensão de veículo, cinco mandados de sequestro de bens e três ordens de bloqueio de ativos financeiros.

Os bloqueios alcançam mais de R$ 3,3 milhões nas contas dos investigados. As diligências ocorrem simultaneamente nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande.

O ESQUEMA DE EXTORSÃO E MANIPULAÇÃO PSICOLÓGICA

De acordo com as investigações da Derf, o esquema teve como principal vítima uma servidora pública da Secretaria de Estado de Saúde (SES), que sofreu um prejuízo financeiro superior a R$ 1,1 milhão.

Foto: Polícia Civil

O plano criminoso era encabeçado por uma colega de trabalho da vítima, também lotada na SES. Entre os anos de 2022 e 2025, a investigada submeteu a servidora a um intenso processo de intimidação e controle psicológico. Utilizando-se de uma narrativa fantasiada sobre supostas dívidas com agiotas e o envolvimento de outro servidor público, a suspeita aterrorizava a vítima com ameaças graves direcionadas tanto a ela quanto aos familiares.

Foto: Polícia Civil

A suposta golpista convencia a colega de que criminosos perigosos sabiam quem elas eram e monitoravam seus passos. Apresentando-se como uma “protetora”, ela dizia ter capacidade de negociar a dívida diretamente com os agiotas e blindar a servidora. Acreditando estar em iminente perigo, a vítima passou a realizar transferências financeiras sucessivas para a conta da colega de trabalho sob o pretexto de quitar o débito e os juros, que a suspeita alegava aumentarem constantemente. Ao todo, a vítima transferiu R$ 1.132.680 diretamente para a conta da investigada.

DESTRUIÇÃO FINANCEIRA DA VÍTIMA

Para atender às falsas exigências de pagamento, a servidora pública foi levada ao limite da saúde financeira e emocional. Ela realizou empréstimos bancários vultosos, fez saques em cartões de crédito, resgatou integralmente recursos da previdência privada e até mesmo desviou verbas que seriam utilizadas na construção da residência.

Foto: Polícia Civil

Em um dos episódios mais graves do esquema, a vítima foi convencida a financiar uma caminhonete de luxo para o marido da própria investigada.

O ciclo de abusos psicológicos e financeiros só foi interrompido quando o marido da vítima percebeu o profundo abalo emocional da esposa, investigou a situação, descobriu as fraudes e a impediu de manter qualquer novo contato com a criminosa, registrando a denúncia formal junto às autoridades policiais.

LAVAGEM DE DINHEIRO E ALVOS DA OPERAÇÃO

As investigações da Polícia Civil apontam que a colega de trabalho não agia sozinha. O esquema criminoso contava com a participação de outras pessoas, incluindo um policial militar e indivíduos que atuavam no fluxo financeiro ilícito.

Parte significativa dos recursos extorquidos da servidora foi imediatamente repassada a terceiros. A análise das quebras de sigilo bancário revelou movimentações financeiras totalmente incompatíveis com os rendimentos formais dos investigados, além do uso de contas de passagem e saques em espécie. A polícia apurou que o grupo utilizava empresas de fachada para ocultar o patrimônio ilícito adquirido com o dinheiro da extorsão.

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