*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O juiz Cássio Leite de Barros Netto, do Núcleo do Juízo das Garantias, determinou a manutenção da prisão preventiva de Rhavenna Barcelos de Almeida, de 24 anos. A jovem foi detida na última quinta-feira, dia 16 de julho, durante a Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso por meio da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).
A DECISÃO JUDICIAL
Ao analisar a situação de Rhavenna, o magistrado Cássio Leite de Barros Netto negou a liberdade da acusada, mantendo-a sob custódia estatal. A decisão fundamenta-se na gravidade das condutas imputadas à investigada, que é apontada como peça-chave no suporte operacional e comunicacional de uma facção criminosa com base no Rio de Janeiro.
A magistratura considerou a necessidade de garantir a ordem pública e assegurar que as investigações, ainda em curso, não sejam obstruídas pela liberdade da suspeita, cujo papel seria de estreita ligação com a liderança da facção.
O ESQUEMA: A FÉ COMO FACHADA PARA O CRIME
A Operação Fariseus revelou um cenário na qual os suspeitos utilizavam do projeto “Equipe Evangelismo Resgatando Vidas”, ligado a uma igreja evangélica, como fachada para atividades criminosas. Rhavenna, filha dos pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, também investigados, utilizava a posição no grupo para atuar com o disfarce de “missionários” para ganhar a confiança das autoridades prisionais e acessar áreas sensíveis da Penitenciária Central do Estado (PCE).
Em vez de atividades religiosas, os envolvidos facilitavam a comunicação entre detentos, lideranças em liberdade e familiares de faccionados, atuando como elo central na transmissão de recados da facção.

Investigadores apontam que Rhavenna mantinha um relacionamento amoroso com Jonas Souza Gonçalves Júnior, o “Batman”, líder faccionado que se encontra foragido. Provas telemáticas mostram a jovem em comunidades do Rio de Janeiro posando com armamento de grosso calibre, como fuzis e pistolas, em contraste direto com sua imagem de evangelista.
ENVOLVIMENTO EM VIOLÊNCIA E LAVAGEM DE DINHEIRO
As investigações da Polícia Civil detalharam que a atuação da família ultrapassava a logística. Rhavenna foi flagrada, através de diálogos interceptados, influenciando decisões violentas do “tribunal do crime”, incluindo a autorização de punições físicas, os chamados “salves” contra terceiros.
Além disso, o grupo é suspeito de lavagem de dinheiro da facção através da triangulação de contas bancárias, o que permitia a Rhavenna e familiares manterem um padrão de vida luxuoso, com viagens constantes e procedimentos estéticos incompatíveis com a renda. Também foram identificadas tratativas para a comercialização de armas escondidas em uma propriedade rural da família.
VEJA VÍDEO DE POSTAGEM DE ACUSADA ANTES DE SER DETIDA PELA POLÍCIA

