*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O cenário político da Câmara Municipal de Cuiabá sofreu uma reviravolta significativa na última quinta-feira, dia 16 de julho. O vereador Dilemário Alencar (União) anunciou formalmente a retomada da candidatura à presidência do Legislativo municipal para o biênio 2027-2028, selando o rompimento com o bloco que apoiava a atual presidente, Paula Calil (PL).
A decisão de Dilemário foi motivada pelo esgotamento do prazo de um acordo interno que previa o apoio do parlamentar e da vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade) à reeleição de Paula Calil. O pacto, contudo, estava condicionado à capacidade da atual presidente de angariar os 18 votos necessários para aprovar uma alteração no Regimento Interno da Casa, manobra essencial para viabilizar a permanência dela no comando do parlamento.
O FATOR JUDICIAL
Os planos da base governista sofreram um entrave jurídico decisivo na última terça-feira, dia 14 de julho. A desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), negou um pedido de liminar feito pela Prefeitura de Cuiabá que visava suspender dispositivos do Regimento Interno da Câmara.
A ação, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida pelo prefeito Abilio Brunini (PL), contestava a exigência de quórum qualificado, ou seja, dois terços, para a aprovação de matérias, incluindo alterações regimentais. Em sua decisão, a relatora destacou que a Prefeitura não comprovou urgência, sublinhando que o Regimento está em vigor desde 2016 sem ter sido questionado pelo Executivo durante quase uma década.
Com a manutenção das regras atuais pela justiça, a votação que alteraria o regimento para permitir a reeleição de Paula Calil tornou-se inviável no curto prazo, levando Dilemário a desfazer o compromisso firmado.
“ELEIÇÃO É POSTURA E COMPORTAMENTO”
Ao oficializar o retorno à disputa, Dilemário Alencar declarou que buscará o consenso entre os 27 parlamentares.
“Vou pedir voto para os outros 25. Eu quero ser o presidente de todos os vereadores. Quero ser o presidente da paz, do diálogo, para que a Câmara tenha independência”, afirmou.
O vereador evitou o clima de “já ganhou” e alertou para a volatilidade do pleito interno.
“Já participei de oito eleições de Mesa e garanto: isso se resolve na última semana. Já vi candidato bater foto com 18 apoiadores e, no dia da apuração, ter apenas três votos. Eleição é postura e comportamento”, ponderou, acrescentando que não pretende integrar nenhuma Mesa Diretora caso não seja o cabeça de chapa.
O CENÁRIO DA DISPUTA
A presidência da Câmara de Cuiabá, que gerencia um orçamento estimado em R$ 112 milhões, tornou-se o epicentro de uma disputa que envolve o Executivo municipal. Enquanto o prefeito Abilio Brunini mantém seu apoio à reeleição de Paula Calil, outros nomes, como o do vereador Ilde Taques (Podemos), também figuram no radar dos interessados em comandar a Casa.
A disputa segue em aberto, sem data definida, com os parlamentares aguardando os próximos desdobramentos jurídicos e políticos.
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