A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de R$ 227 mil pertencentes a Ana Cristina Valle, ex-mulher de Bolsonaro, após o não cumprimento da decisão que determinava a devolução de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fundo Eleitoral) utilizados durante a disputa eleitoral de 2022. A medida foi tomada depois que o prazo para restituição dos valores expirou sem que o montante fosse devolvido. Caso não sejam encontrados recursos suficientes em contas bancárias, a cobrança poderá atingir bens como veículos e imóveis registrados em nome da ex-candidata.
Justiça determina bloqueio após descumprimento de decisão
A medida foi determinada no âmbito da Justiça Eleitoral em razão do não pagamento da quantia considerada devida aos cofres públicos. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (10), a cobrança decorre da rejeição das contas da campanha de Ana Cristina Valle nas eleições de 2022.
A ex-candidata disputou uma vaga para deputada distrital pelo Progressistas (PP) no Distrito Federal, mas recebeu 1.485 votos e não conquistou uma cadeira no Legislativo local.
Como parte do processo de execução, a Justiça poderá recorrer à penhora de patrimônio caso o valor não seja localizado em aplicações financeiras ou contas bancárias vinculadas à ex-candidata.
Ex-mulher de Bolsonaro teve contas rejeitadas pelo TRE-DF
Em 2025, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) analisou as contas da campanha e decidiu, por unanimidade, rejeitá-las. A decisão acompanhou o parecer apresentado pelo Ministério Público Eleitoral, que apontou diversas inconsistências na prestação de contas.
O relator do caso, desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega, destacou durante o julgamento que as falhas identificadas atingiam praticamente toda a movimentação financeira da campanha.
Irregularidades envolveram diferentes despesas
Entre os problemas apontados pela Corte estão despesas relacionadas à contratação de militância, ações de mobilização de rua, alimentação, abastecimento de veículos, criação e manutenção de páginas na internet, impulsionamento de conteúdo em plataformas digitais, aluguel de bens e contratação de prestadores de serviços.
Segundo o processo, parte desses gastos não foi acompanhada por notas fiscais ou por documentos considerados suficientes para comprovar a correta utilização dos recursos públicos destinados à campanha.
Ainda conforme o entendimento do relator, a candidata não apresentou documentação complementar capaz de sanar as inconsistências identificadas ao longo da análise técnica.
Na decisão, o magistrado afirmou que a ausência de esclarecimentos e de documentos demonstraria falta de colaboração com a fiscalização exercida pela Justiça Eleitoral, comprometendo a transparência exigida na aplicação dos recursos públicos destinados às campanhas eleitorais.
Histórico político e ligação com a família Bolsonaro
Ana Cristina Valle é mãe do vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), que recentemente anunciou sua pré-candidatura ao cargo de deputado federal.
Ela também ocupou o cargo de chefe de gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) na Câmara Municipal do Rio de Janeiro entre os anos de 2001 e 2008.
Ao longo dos últimos anos, seu nome também apareceu em investigações relacionadas ao chamado caso das “rachadinhas”, que envolveu gabinetes ligados à família Bolsonaro.
Em 2020, uma reportagem publicada pela revista Época informou que Ana Cristina adquiriu 14 imóveis entre 1997 e 2008, período em que foi casada com o ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a publicação, cinco dessas aquisições teriam sido realizadas mediante pagamento em dinheiro.
Na ocasião, a defesa da ex-candidata negou qualquer irregularidade e contestou as informações divulgadas, sustentando que não houve prática ilícita na aquisição dos imóveis.
Defesa ainda não comentou decisão
Até a publicação das informações sobre o bloqueio judicial, Ana Cristina Valle não havia se manifestado publicamente sobre a decisão da Justiça Eleitoral.
Segundo a reportagem que revelou o caso, a ex-candidata foi procurada para apresentar sua versão dos fatos, mas não respondeu aos contatos realizados antes do fechamento da matéria. O espaço permanece disponível para eventual manifestação.

