O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá ampliar sua participação no Plano Safra 2026/2027, com previsão de disponibilizar até R$ 72 bilhões em financiamentos destinados ao setor agropecuário. Caso a projeção seja confirmada, o montante representará o maior volume de recursos já ofertado pela instituição para o programa, superando em 3% os R$ 70 bilhões liberados na safra anterior. A expectativa é fortalecer o acesso ao crédito rural e incentivar investimentos em diferentes segmentos do agronegócio brasileiro.
Plano Safra deve receber aporte histórico do BNDES
Criado pelo governo federal em 2003, o Plano Safra é o principal instrumento de financiamento da atividade rural no Brasil. O programa reúne linhas de crédito voltadas ao custeio da produção, investimentos, comercialização, inovação tecnológica, sustentabilidade e contratação de seguros rurais.
Para o ciclo 2026/2027, a expectativa é que o BNDES concentre parte significativa dos recursos destinados ao agronegócio por meio de operações realizadas em parceria com instituições financeiras credenciadas.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, aproximadamente R$ 40,5 bilhões do total previsto deverão ser compostos por recursos equalizados, modalidade em que o governo federal subsidia parte dos juros cobrados nas operações de crédito. O valor representa crescimento de cerca de 2% em relação ao disponibilizado na temporada anterior.
Como funcionam os recursos equalizados
Os recursos equalizados permitem que produtores rurais tenham acesso a financiamentos com taxas de juros inferiores às praticadas pelo mercado financeiro.
Nesse modelo, a diferença entre a taxa de mercado e os juros pagos pelo produtor é compensada pelo governo federal junto às instituições financeiras. O mecanismo busca ampliar o acesso ao crédito, reduzir os custos de financiamento e estimular investimentos no setor produtivo sem comprometer a rentabilidade dos bancos participantes.
Crédito será destinado a investimentos, custeio e produção rural
A distribuição dos recursos contempla diferentes modalidades de financiamento. De acordo com as informações divulgadas, os bancos deverão responder por aproximadamente 28,6% do total dos recursos equalizados previstos para esta safra, que somam R$ 141,4 bilhões.
A maior parcela será destinada às operações de investimento, que deverão receber cerca de R$ 27,7 bilhões. Já as linhas voltadas ao custeio da produção agropecuária deverão contar com aproximadamente R$ 12,8 bilhões. O objetivo é oferecer suporte financeiro para aquisição de máquinas, modernização de propriedades, expansão da capacidade produtiva e cobertura dos custos relacionados ao plantio e à criação de animais.
Agricultura empresarial e Pronamp terão recursos específicos
Dentro da programação prevista pelo BNDES, cerca de R$ 21,5 bilhões deverão ser direcionados à agricultura empresarial. Além disso, aproximadamente R$ 7,5 bilhões serão destinados ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), iniciativa voltada aos produtores de médio porte que necessitam de condições diferenciadas de financiamento para ampliar a produção e investir na atividade rural.
A divisão dos recursos procura atender diferentes perfis de produtores, contemplando desde grandes empreendimentos agrícolas até propriedades de porte intermediário.
Agricultura familiar das regiões Norte e Nordeste também será contemplada
Outra frente anunciada envolve o fortalecimento da agricultura familiar. Segundo o planejamento apresentado pelo BNDES, cerca de R$ 646,9 milhões deverão ser destinados exclusivamente a operações de crédito para agricultores familiares das regiões Norte e Nordeste.
A medida busca ampliar o acesso ao financiamento em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional, incentivando a produção de alimentos, a geração de renda e a permanência das famílias no campo.
Governo busca fortalecer relação com o agronegócio
O aumento previsto na oferta de crédito ocorre em um momento em que o governo federal procura ampliar o diálogo com o setor agropecuário. O agronegócio possui participação relevante na economia brasileira, contribuindo para o Produto Interno Bruto (PIB), geração de empregos, exportações e produção de alimentos.
Nos últimos anos, entretanto, parte dos representantes do setor demonstrou distanciamento em relação ao governo federal. Paralelamente, produtores enfrentaram desafios como oscilações nos preços das commodities agrícolas, aumento dos custos de produção, especialmente com fertilizantes, além dos impactos provocados por eventos climáticos adversos.
Esse cenário também foi acompanhado pelo crescimento dos pedidos de recuperação judicial envolvendo empresas e produtores rurais. Dados divulgados recentemente apontam que o agronegócio concentrou uma parcela significativa desses processos ao longo de 2025, refletindo as dificuldades financeiras enfrentadas por parte do setor.

