*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) deflagrou, na manhã desta terça-feira, dia 1º de julho de 2026, a segunda fase da Operação Gomorra.
A ação investiga supostas fraudes em processos licitatórios e desvios de recursos públicos na Prefeitura de Campo Verde, cidade localizada no interior do estado.
As ordens judiciais emitidas incluem mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos telemático e fiscal, indisponibilidade de bens dos investigados e o imediato afastamento de servidores públicos das funções.
A ofensiva foi coordenada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária Criminal (Naco Criminal), com o apoio operacional do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Polícia Civil e da Controladoria-Geral do Estado (CGE).
VARREDURA EM PREFEITURA E RESIDÊNCIAS
As diligências foram concentradas na sede da Prefeitura de Campo Verde e nas residências de dois servidores públicos lotados no município. Simultaneamente, equipes policiais cumpriram mandados em Cuiabá, tendo como alvo residências e sedes de empresas suspeitas de integrar o esquema.
Os nomes dos servidores afastados e das empresas alvo de busca e apreensão ainda não foram divulgados oficialmente pelas autoridades que lideram a investigação.
O INÍCIO DE TUDO: O “CARTÃO CORINGA” DE BARÃO DE MELGAÇO
Esta nova etapa é o desdobramento direto da primeira fase da Operação Gomorra, deflagrada originalmente no final de 2024. As investigações começaram a partir da análise detalhada de processos licitatórios firmados entre a Prefeitura de Barão de Melgaço e uma empresa privada no período de 2020 a 2024.
Naquela ocasião, o Ministério Público desarticulou uma organização criminosa que utilizava táticas ousadas para fraudar os cofres públicos, tais como adulteração fraudulenta de notas fiscais, utilização do esquema conhecido como “cartão coringa” para burlar o controle de frotas e abastecimento e a prática sistemática de sobrepreço em contratos vigentes com o município.
TENTÁCULOS EM MAIS DE 100 MUNICÍPIOS
O avanço das investigações pelo Naco Criminal revelou que o grupo criminoso operava de forma interestadual e ramificada. Os proprietários de quatro das principais empresas investigadas pertencem ao mesmo núcleo familiar e conseguiram firmar contratos milionários com mais de 100 prefeituras e câmaras municipais em todo o estado de Mato Grosso.
As autoridades apontam que o modus operandi consistia em clonar e replicar os mesmos modelos de fraude e sobrepreço em diferentes regiões.

