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Leia: Defensor público de Mato Grosso é flagrado exigindo ‘submissão’ de servidora em áudio
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21 de outubro de 2026 23:04

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OpiniãoMT > Blog > Mato Grosso > Defensor público de Mato Grosso é flagrado exigindo ‘submissão’ de servidora em áudio
Mato Grosso

Defensor público de Mato Grosso é flagrado exigindo ‘submissão’ de servidora em áudio

Jornalista Mauad
Publicado em: 29 de junho de 2026
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4 Minutos de Leitura
Foto: Reprodução
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*Sêmia Mauad/ Opinião MT

Uma denúncia de importunação sexual contra o defensor público de Mato Grosso, Rogério Borges Freitas, ganhou repercussão nacional após a divulgação de áudios gravados durante uma reunião de trabalho. No material, divulgado originalmente pela coluna do portal Metrópoles no último domingo, dia 28 de junho, o defensor utiliza trechos da bíblia para cobrar “submissão” de uma servidora pública e afirmar que ela possui uma “língua grande”.

Diante da gravidade dos fatos, a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso informou que Rogério Borges Freitas será exonerado do cargo de chefia/confiança que ocupava. O ato oficial de exoneração está previsto para ser publicado no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira, dia 30 de junho. Ele já havia sido afastado preventivamente das funções pelo prazo de 60 dias.

A gravação obtida pelo Metrópoles foi realizada em março deste ano, durante um encontro que deveria tratar de conflitos internos no setor. No áudio, o defensor público adota um tom de repreensão, acusando a servidora de ter um “espírito faccioso” e comportamento de “rebeldia”.

“Você é uma pessoa maravilhosa, extraordinária, mas tem uma língua grande. Não aquieta a língua. Ninguém quer saber da sua vida. Senta, faz teu serviço e não comenta nada com ninguém. Receba a ordem dele. Não tenha uma postura de adversidade, de oposição, de rebeldia. Procura manter a submissão ali. Porque ali nós acolhemos você e abrimos as portas do setor. Eu tenho respeito e carinho por você, mas às vezes alguns comportamentos precisam ser ajustados”, declarou Rogério na reunião.

Em outro momento do diálogo, o defensor passa a ler trechos do capítulo 12 do Evangelho de Mateus, citando a passagem que diz que “a boca fala do que o coração está cheio” e alertando que as pessoas responderão por suas palavras “no dia do juízo”. Na sequência, ele pressiona repetidamente a funcionária para saber se ela estaria disposta a selar um acordo de convivência: “A senhora vai perdoá-lo e ele vai pedir perdão para a senhora.”

As investigações criminais tiveram início em maio deste ano, após a vítima registrar uma denúncia formal na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DDM) de Cuiabá por importunação sexual.

No relato detalhado apresentado às autoridades, a servidora aponta que os episódios de abuso começaram ainda em 2017. Na ocasião, o defensor público teria oferecido uma carona a ela e, já dentro do veículo, se lançado sobre o seu corpo sob o falso pretexto de ajudá-la a afivelar o cinto de segurança.

O histórico de assédio evoluiu para o campo moral nos anos seguintes. Em julho de 2019, o investigado teria elevado drasticamente o tom de voz em ambiente profissional, humilhando a servidora publicamente e exigindo que ela realizasse tarefas técnicas para as quais não possuía a capacitação adequada.

O suposto ambiente hostil teria desencadeado um severo quadro de sofrimento psicológico na funcionária, que precisou recorrer a suporte médico especializado para conseguir continuar exercendo as funções.

Em um dos trechos mais alarmantes do material que veio a público, a servidora desabafa sobre o seu estado de saúde mental e o sentimento de desamparo institucional.

“Eu estou sob medicação, tratamento psiquiátrico e psicológico. O que a gente vê é que tudo é abafado. Eu só estou aqui porque eu preciso. Senão, eu já pensei até de pular lá de cima com as coisas que ele falou”, relatou.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil e os desdobramentos administrativos internos continuam sendo acompanhados pela Corregedoria da Defensoria Pública.

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