*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O governador em exercício de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), confirmou que o primeiro trecho do BRT (Bus Rapid Transit), que interliga o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, à região do CPA, em Cuiabá, estará totalmente operacional até o final deste ano.
Pivetta enfatizou o caráter sustentável e a tecnologia do novo modal.
“Será 100% elétrico, 100% elétrico. No intermunicipal, até o final do ano vai estar funcionando. Os veículos vão estar indo e o corredor do aeroporto até o CPA vai estar funcionando até o final do ano”, garantiu o gestor.
Com a conclusão do eixo inicial prevista para dezembro, o Governo do Estado já planeja a segunda etapa do projeto, que compreenderá a Avenida Fernando Corrêa da Costa. Segundo o governador, os preparativos técnicos estão avançados para que esta nova frente de trabalho não repita o histórico de lentidão de gestões passadas.
“Aí depois a gente começa o segundo trecho, que é a Fernando Corrêa. Na Fernando Corrêa nós já estamos trabalhando nos projetos e no edital. Nós queremos fazer em um ano, 12 meses, do dia que começa até o dia que entrega”, estipulou Pivetta.
Para evitar novos atrasos causados por falhas na execução das empreiteiras, o chefe do Executivo estadual afirmou que os critérios de seleção para o próximo edital serão endurecidos. O objetivo é blindar o certame contra empresas que não possuam real capacidade financeira e operacional de cumprir os prazos.
“Nós vamos fazer de forma tal que nenhum picareta possa entrar na licitação. O que houve, e eu falo isso com tristeza, é que a empresa que ganhou [o trecho anterior], apesar das credenciais que tinha e de ter cumprido todos os requisitos legais e exigências da Sinfra, entrou em dificuldade, começou a marcha lenta e nós começamos a notificar”, relembrou.
Pivetta explicou que a rescisão contratual precisou ser negociada para evitar que o projeto ficasse travado nos tribunais.
“Era uma empresa que tinha um currículo, uma história técnica muito boa, um acervo rico. Ganhou a licitação e aqui, justamente aqui, fracassou. Demoramos porque foram muitas notificações e aditivo de prazo. No final, tivemos que fazer uma negociação para tirar a empresa da obra. Se fosse judicializar, até hoje nós estaríamos brigando na Justiça e a obra parada”, detalhou.
Diante do desgaste prolongado gerado pela novela do transporte coletivo na Grande Cuiabá, o governador fez questão de se desculpar publicamente com a população e não poupou críticas às decisões políticas que originaram o antigo projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para a Copa de 2014.
“Pedimos desculpa ao povo de Cuiabá e de Várzea Grande, que já tem sofrido tanto desde 2011, 2012, quando começou esse processo; um modal errado, uma escolha totalmente desastrosa e mal-intencionada”, disparou.
Ele também classificou como incompreensível a logística adotada na época para a aquisição dos vagões do VLT, apontando que o erário foi severamente prejudicado.
“Comprar os trens antes de fazer os trilhos é algo de se estranhar. Foi isso que foi feito. Foram comprados todos os trens, montaram um depósito de trens aqui em Cuiabá e os trilhos não existiam, nunca foram feitos”.
Por fim, o governador destacou que a atual engenharia financeira do BRT foi viabilizada justamente pela quitação do passivo anterior.
“Com o dinheiro da venda dos trens para o Estado da Bahia, nós estamos fazendo toda a obra e a compra dos veículos para o BRT. Vai ser a mesma qualidade do transporte. Hoje isso é passado. Nós vamos colocar para funcionar”, concluiu.

