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21 de junho de 2026 05:50

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OpiniãoMT > Blog > Caso Master > Jaques Wagner era o menino de recados de Vorcaro a Lula, aponta PF
Caso Master

Jaques Wagner era o menino de recados de Vorcaro a Lula, aponta PF

PF apura mensagens ligadas ao Banco Master e investiga possível atuação política envolvendo Jaques Wagner e Daniel Vorcaro.

última atualização: 20 de junho de 2026 16:12
Redação OPMT
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7 Minutos de Leitura
Jaques Wagner era o menino de recados de Vorcaro a Lula, aponta PF
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O senador Jaques Wagner (PT-BA) passou a integrar o foco de uma nova etapa da investigação da Polícia Federal que apura supostas relações entre integrantes do Banco Master, empresários e agentes políticos. Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira, são analisadas pelos investigadores no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e possível favorecimento político.

Jaques Wagner aparece em mensagens analisadas pela PF

De acordo com informações atribuídas ao relatório da Polícia Federal, conversas encontradas no aparelho de Daniel Vorcaro indicariam que Jaques Wagner era tratado como um possível interlocutor político capaz de fazer chegar informações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a integrantes da base governista.

O material foi obtido durante a apuração da Operação Compliance Zero, investigação que mira supostas irregularidades envolvendo o Banco Master, empresários ligados à instituição e agentes públicos. A análise das mensagens integra a nona fase da operação, que também cumpriu mandados de busca e apreensão.

Na última quinta-feira (18), Jaques Wagner foi alvo de uma ordem judicial de busca e apreensão. A medida foi autorizada no contexto da apuração sobre possíveis vínculos entre o parlamentar, Daniel Vorcaro e pessoas próximas ao Banco Master.

Diálogos citam governo, Lula e base aliada

Um dos trechos que chamou a atenção dos investigadores envolve uma conversa entre Daniel Vorcaro e Fernando de Góes Mascarenhas Filho, diretor comercial do Banco Master. No diálogo, registrado em julho de 2024, os dois comentam a percepção de que o banco teria proximidade com o governo federal.

Na troca de mensagens, Mascarenhas Filho menciona que havia comentários sobre uma suposta proximidade da instituição com o governo, comparando a situação à relação atribuída aos irmãos Batista. Em resposta, Vorcaro teria avaliado que essa percepção poderia ser positiva para a imagem do banco e sugerido que a informação fosse encaminhada a Lula e à base aliada.

Na sequência, o interlocutor afirma que enviaria o conteúdo para “tio Guiga” e Jaques. Para a Polícia Federal, a referência a “Guiga” seria ao publicitário Guilherme Sodré Martins, apontado como pessoa próxima ao senador baiano, enquanto a menção a Jaques indicaria o próprio parlamentar.

PF aponta possível rede de influência política

Segundo os investigadores, as mensagens sugerem que Daniel Vorcaro mantinha canais de interlocução com pessoas consideradas influentes na Bahia e em Brasília. O relatório também menciona que o banqueiro teria contato direto com Jaques Wagner, incluindo acesso ao telefone celular do senador e registros de encontros presenciais.

A Polícia Federal avalia que os elementos coletados até o momento apontam para uma possível articulação entre integrantes do Banco Master e agentes políticos em temas de interesse da instituição financeira. A investigação, no entanto, ainda está em andamento e não representa uma conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal.

Pautas de interesse do Banco Master são investigadas

A apuração também busca esclarecer se Jaques Wagner teria participado de tratativas relacionadas a assuntos considerados estratégicos para o Banco Master. Entre os temas citados estão propostas envolvendo crédito consignado, mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e discussões sobre a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).

De acordo com a PF, essas pautas poderiam ter impacto direto nos interesses econômicos da instituição financeira. Por isso, os investigadores analisam se houve atuação política em favor do banco dentro do Congresso Nacional ou em outras esferas do poder público.

A investigação também tenta identificar se as conversas revelam apenas contatos institucionais ou se indicam algum tipo de contrapartida indevida. Esse ponto é considerado central para a continuidade da apuração.

Relatório cita supostas vantagens econômicas

Em outro trecho do relatório, a Polícia Federal afirma haver elementos que, segundo a corporação, apontariam para o possível recebimento de vantagens econômicas por parte de Jaques Wagner. Essas supostas vantagens teriam relação com Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro.

Entre os fatos sob análise está a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões. A PF também investiga pagamentos de aproximadamente R$ 3,5 milhões destinados a uma empresa ligada a familiares do senador.

Os investigadores apuram se essas operações financeiras tiveram ligação com a defesa de interesses do Banco Master em pautas legislativas e regulatórias. Até o momento, não há conclusão pública definitiva sobre a natureza desses pagamentos ou sobre eventual irregularidade cometida pelo parlamentar.

Defesa nega irregularidades

Até a divulgação do conteúdo das mensagens, a defesa de Jaques Wagner não havia se manifestado especificamente sobre os novos diálogos apontados pela investigação. Em posicionamentos anteriores, representantes do senador negaram irregularidades na relação com empresários ligados ao Banco Master.

O caso segue sob análise da Polícia Federal e da Justiça. Como a operação ainda está em andamento, novas diligências, depoimentos e documentos podem ser incorporados ao inquérito nos próximos passos da apuração.

Augusto Ferreira Lima também é alvo da operação

Além de Jaques Wagner e Daniel Vorcaro, o empresário Augusto Ferreira Lima voltou a ser citado na nova fase da Operação Compliance Zero. Ele é ex-sócio de Vorcaro e também teve endereços ligados ao seu nome incluídos nas diligências autorizadas pela Justiça.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em locais relacionados ao empresário na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A defesa de Augusto Ferreira Lima classificou as medidas como desnecessárias.

A Polícia Federal, por sua vez, sustenta que as diligências buscam aprofundar a análise sobre a possível existência de um esquema envolvendo agentes públicos, empresários e interesses financeiros ligados ao Banco Master.

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